07/08/2020

Professores do Campus de Assu apresentam resultados de pesquisa sobre os “Efeitos da crise da covid-19 na fruticultura do Vale do Açu”

Os professores Joacir Rufino de Aquino (Economia) e Raimundo Inácio da Silva Filho (Geografia), do Campus de Assu, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), participaram da 5ª Reunião do Comitê Gestor do Território Açu-Mossoró 2, do Programa de Desenvolvimento Territorial, do Banco do Nordeste – PRODETER/BNB, realizada nesta quinta-feira (06), pela plataforma Google Meet.

Na ocasião, os professores apresentaram e discutiram sobre os "impactos da Covid-19 na fruticultura irrigada (banana e manga) do Vale do Açu”, estudo produzido a partir de um questionário aplicado durante o mês de julho/2020, contemplando 33 fruticultores que fazem parte do público do PRODETER, sendo entrevistados 14 produtores de manga e 19 produtores de banana.

Os efeitos da crise foram mais severos com o segmento da manga, que, segundo estimativas do estudo, teve uma queda de receita no primeiro semestre de 2020 de -41% em relação ao mesmo período do ano passado. Já no caso da banana, as perdas foram menores, mas, mesmo assim, significativas: -15%.

Segundos os professores Joacir Aquino e Raimundo Inácio, o Campus Avançado Prefeito Walter de Sá Leitão, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Assu, integra o Comitê desde o seu lançamento (nov/2019) e, neste período, tem contribuído dentro da sua missão para o êxito das ações dentro da política de estudo e fortalecimento do desenvolvimento da região.

Por Alderi Dantas, 07/08/2020 às 23:09

05/08/2020

Natal registra trânsito intenso e ônibus lotados na volta para casa

O início da noite desta quarta-feira (5) foi de trânsito intenso para quem precisou se dirigir à zona Norte de Natal pela Ponte de Igapó. O engarrafamento se formou na Avenida Bernardo Vieira e no Complexo Viário da Urbana, seguindo pela Avenida Felizardo Moura. O registro feito pela reportagem da Inter TV Cabugi por volta das 19h coincide com o primeiro dia da última fase da reabertura gradual das atividades econômicas no Rio Grande do Norte.  

Durante quatro meses de pandemia do novo coronavírus, os congestionamentos praticamente não existiram nesta região.

Trabalhadores que dependem do transporte público tiveram que encarar ônibus lotados na volta para casa. A maioria usa máscara, mas é difícil manter o distanciamento devido à superlotação em algumas linhas.

Não houve registro de acidente por parte da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana STTU). Por volta das 20h, a situação no trânsito já era mais tranquila.



Por Alderi Dantas, 05/08/2020 às 23:13  - Com informações da InterTV - Fotos: Sérgio Henrique Santos/InterTV

04/08/2020

Ministério da Educação autoriza aulas a distância em escolas técnicas federais

O Ministério da Educação autorizou as instituições federais de ensino médio técnico e profissional a suspenderem as aulas presenciais ou substituí-las por atividades à distância até 31 de dezembro de 2020, em razão da pandemia de covid-19. A portaria de autorização foi publicada hoje (4) no Diário Oficial da União e entra em vigor amanhã (5).

Em julho, o Ministério da Educação já havia estendido a autorização de aulas a distância em instituições federais de ensino superior até 31 de dezembro de 2020. A medida também flexibilizava os estágios e as práticas em laboratório, que podem ser feitos a distância nesse período, exceto nos cursos da área de saúde.

Por Alderi Dantas, 4/08/2020 às 16:43 

03/08/2020

Covid-19: Taxa de transmissibilidade está alta em 77 municípios do RN

A situação da taxa de transmissibilidade (Rt) da Covid-19 no RN nesta segunda-feira, 03, apresenta um quadro desconfortável que pode levar ao aumento do número de casos da pandemia. Há 77 municípios em zona de perigo por apresentarem a taxa acima de 2. 

Os municípios polo regionais e de maior população apresentam maior gravidade. Em Pau dos Ferros e São Gonçalo a taxa é de 5, ou seja, uma pessoa contaminada transmite para outras 5 pessoas. Em Caicó, onde houve aumento na incidência, a taxa de transmissibilidade chega a 1.63. Em Santa Cruz, na região Trairi, a transmissibilidade é de 1.08. Em Mossoró, atinge 1.25 e em Natal é de 1, mas municípios vizinhos - além de São Gonçalo, já citado - como Parnamirim e Macaíba também têm taxas preocupantes - 1.21 e 1.24, respectivamente.

No Vale do Açu, Porto do Mangue e Alto do Rodrigues a taxa é 5. Isso representa que uma pessoa contaminada transmite para outras cinco pessoas. Quatro municípios na região têm taxa entre 1 e 2, representando grande risco: Jucurutu (1,81), Ipanguaçu (1,45), Assu (1,27) e Carnaubais (1,17) e, apenas, Itajá, Pendências e São Rafael têm taxa abaixo de 1.

A taxa é uma das maneiras de medir a propagação de uma epidemia e de projetar futuros cenários. A estatística mostra quantas pessoas um paciente infectado é capaz de contaminar. Pesquisadores afirmam que uma taxa acima de 1 ainda é preocupante: se uma pessoa ainda contamina pelo menos uma outra, o número de casos tende a crescer exponencialmente. 
 
Por Alderi Dantas, 3/08/2020 às 19:56 - Foto: ASSECOM/RN

02/08/2020

Carta ao Povo de Deus

Um grupo de 152 arcebispos e bispos da Igreja Católica assinaram uma carta com duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No documento, os religiosos citam que o governo federal demonstra "omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres", além de "incapacidade para enfrentar crises". 

Ao longo do texto, os bispos também afirmam que o desprezo pela educação, cultura, saúde estarrece. A secretaria de comunicação da CNBB informou que o documento "nada tem a ver" com a conferência." É de responsabilidade dos signatários".

Leia abaixo a íntegra do texto assinado por 152 bispos da CNBB intitulado de "Carta ao Povo de Deus":

Somos bispos da Igreja Católica, de várias regiões do Brasil, em profunda comunhão com o Papa Francisco e seu magistério e em comunhão plena com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que no exercício de sua missão evangelizadora, sempre se coloca na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz. Escrevemos esta Carta ao Povo de Deus, interpelados pela gravidade do momento em que vivemos, sensíveis ao Evangelho e à Doutrina Social da Igreja, como um serviço a todos os que desejam ver superada esta fase de tantas incertezas e tanto sofrimento do povo.

Evangelizar é a missão própria da Igreja, herdada de Jesus. Ela tem consciência de que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Alegria do Evangelho, 176). Temos clareza de que “a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A nossa reposta de amor não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados […], uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus […] (Lc 4,43 e Mt 6,33)” (Alegria do Evangelho, 180). Nasce daí a compreensão de que o Reino de Deus é dom, compromisso e meta.

É neste horizonte que nos posicionamos frente à realidade atual do Brasil. Não temos interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nossa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor.

O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança.

Este cenário de perigosos impasses, que colocam nosso País à prova, exige de suas instituições, líderes e organizações civis muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados. Somos convocados a apresentar propostas e pactos objetivos, com vistas à superação dos grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta. Essa realidade não comporta indiferença.

É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário. As escolhas políticas que nos trouxeram até aqui e a narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justificam a inércia e a omissão no combate às mazelas que se abateram sobre o povo brasileiro. Mazelas que se abatem também sobre a Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de madeireiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários e outros defensores de um desenvolvimento que despreza os direitos humanos e os da mãe terra. “Não podemos pretender ser saudáveis num mundo que está doente. As feridas causadas à nossa mãe terra sangram também a nós” (Papa Francisco, Carta ao Presidente da Colômbia por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2020).

Todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador. Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises. As reformas trabalhista e previdenciária, tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo. É verdade que o Brasil necessita de medidas e reformas sérias, mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população.

O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata” (Alegria do Evangelho, 53), centrada no mercado e no lucro a qualquer preço. Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população, e das leis do trânsito e o recurso à prática de suspeitas ações de comunicação, como as notícias falsas, que mobilizam uma massa de seguidores radicais.

O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnância pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas.

No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no País, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda.

Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil. Estes são os mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus e, lamentavelmente, não vislumbram medida efetiva que os levem a ter esperança de superar as crises sanitária e econômica que lhes são impostas de forma cruel. O Presidente da República, há poucos dias, no Plano Emergencial para Enfrentamento à COVID-19, aprovado no legislativo federal, sob o argumento de não haver previsão orçamentária, dentre outros pontos, vetou o acesso a água potável, material de higiene, oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea, nos territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais (Cf. Presidência da CNBB, Carta Aberta ao Congresso Nacional, 13/07/2020).

Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?

O momento é de unidade no respeito à pluralidade! Por isso, propomos um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com “terra, teto e trabalho”, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos. Estamos comprometidos com o recente “Pacto pela vida e pelo Brasil”, da CNBB e entidades da sociedade civil brasileira, e em sintonia com o Papa Francisco, que convoca a humanidade para pensar um novo “Pacto Educativo Global” e a nova “Economia de Francisco e Clara”, bem como, unimo-nos aos movimentos eclesiais e populares que buscam novas e urgentes alternativas para o Brasil.

Neste tempo da pandemia que nos obriga ao distanciamento social e nos ensina um “novo normal”, estamos redescobrindo nossas casas e famílias como nossa Igreja doméstica, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs. É sobretudo nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz compreender que este tempo não é para a indiferença, para egoísmos, para divisões nem para o esquecimento (cf. Papa Francisco, Mensagem Urbi et Orbi, 12/4/20).

Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam. Com o apóstolo São Paulo, alertamos que “a noite vai avançada e o dia se aproxima; rejeitemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,12).

O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós.
O Senhor volte para vós o seu olhar e vos dê a sua paz! (Nm 6,24-26)

Postado em 02/08/2020 às 15:00

31/07/2020

#CancelaEnem: Estudantes pedem cancelamento da prova após regra de usar máscaras

Após o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgar, nesta sexta-feira (31/7), que os candidatos que participarão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terão que usar máscaras, os estudantes usaram as redes sociais para demonstrar descontentamento com a medida.

No Twitter, a hashtag #cancelaenem chegou ao topo dos assuntos mais comentados na rede. Os candidatos demonstraram descontentamento, porque, segundo eles, a obrigatoriedade da máscara mostra que a pandemia não estará controlada até a data da prova e que haverá risco de contaminação.

O Enem 2020 foi adiado para janeiro devido à pandemia do novo coronavírus. Em consulta pública feita pelo Ministério da Educação (MEC), porém, os estudantes tinham escolhido que a nova data fosse só em maio.

O edital da prova foi publicado nesta sexta-feira (31/7) no Diário Oficial da União (DOU). Além do uso obrigatório de máscaras durante as cinco horas de prova, o edital trás recomendações sobre distanciamento social durante a prova.

Por Alderi Dantas, 31/07/2020 às 21:54

30/07/2020

Aulas presenciais no RN não devem retornar em agosto, avalia secretário de Educação

Os comitês setoriais da Educação e o de Segurança da Saúde do Governo do RN voltaram a se reunir nesta quarta-feira, 29, e a avaliação feita foi a mesma da reunião anterior: não há condições para o reinício das aulas presencias no dia 17 de agosto como estava previsto.

"A avaliação é unânime. As condições para retornar dia 17 de agosto não são favoráveis. É preciso aguardar uma melhoria mais efetiva no quadro da pandemia para voltarmos com segurança. Precisamos esperar o momento certo para voltar, mas não será antes do final de agosto. Educação é direito de todos e a gente quer preservar, mas só retornaremos com segurança por que isso significa mais de um milhão de pessoas voltando a circular em todo o Estado", enfatizou.o secretário de Estado da Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Getúlio Marques, na entrevista coletiva nesta quinta-feira (30) para atualização de dados e prestação de contas das ações da gestão estadual no enfrentamento à Covid-19.

Getúlio ainda informou que as prefeituras não têm prerrogativa para autorizar o funcionamento presencial das escolas privadas. Segundo o secretário, "Especialmente aquelas que têm ensino médio, que é competência do Estado e do Conselho Estadual de Educação. As prefeituras podem deliberar sobre o ensino fundamental e a educação infantil".

Por Alderi Dantas, 30/07/2020 às 14:48

29/07/2020

Bolsonaro e Salles “passaram a boiada” no meio ambiente durante a pandemia, mostra estudo

Um estudo feito pelo jornal Folha de S. Paulo em parceria com o Instituto Talanoa mostra que, durante a pandemia do coronavírus, o “passar a boiada” defendida pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de fato aconteceu.

Os dados mostram que o governo Bolsonaro acelerou a publicação de atos relacionados ao setor nos meses de maior crescimento dos casos de covid-19 no país.

O Executivo publicou 195 atos no Diário Oficial —entre eles, portarias, instruções normativas, decretos e outras normas — relacionados ao tema ambiental. Nos mesmos meses de 2019, foram apenas 16 atos publicados.

Os atos do Executivo, de forma geral, servem para direcionar o cumprimento das leis e complementar sua aplicação. No entanto, a análise feita pelo estudo também aponta que algumas instruções cria brecha na legislação. Um exemplo é a instrução normativa 4/2020 do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que, na prática, facilita a expulsão de índios e quilombolas dessas áreas.

Por Alderi Dantas, 29/07/2020 às 16:44 - FOTO: MARCOS CORRÊA/PR

28/07/2020

Usos da água da barragem Armando Ribeiro Gonçalves - para atividades com outorga - será ampliado

Com a melhora das condições de chuvas na bacia do rio Piranhas-Açu, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior açude do RN, dobrou seu armazenamento em um ano. De acordo com a última atualização do Instituto de Gestão das Águas do estado (IGARN), nessa segunda-feira (27), o manancial acumulava mais de 1,5 bilhão de m3 o que equivale a 64,81% da sua capacidade – esse total é mais do que o dobro do mesmo período do ano passado (31,33%) e o maior nos últimos oito anos.

Com isso, entre agosto de 2020 e julho de 2021, os usos de água com outorga poderão ocorrer entre 25% e 100% do permitido na Armando Ribeiro Gonçalves, o que não ocorria desde 2012.

Para o período da alocação, a média anual para captação direta no reservatório será de 300 litros por segundo, enquanto a vazão liberada média a jusante (abaixo) da Armando Ribeiro Gonçalves para o rio Açu e o canal do Pataxó passará dos atuais 4700 l/s para 12.050 l/s, entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021, e para 6.050 l/s, entre março e junho de 2021. Assim, as atividades econômicas podem ser ampliadas na região.

Por Alderi Dantas, 28/07/2020 às 06:35 - Foto: Raylton Alves / Banco de Imagens ANA

27/07/2020

Taxa de transmissibilidade da Covid-19 é "perigosa" em 111 municípios do RN

O Rio Grande do Norte tem 111 municípios onde a taxa de transmissão do novo coronavírus está em "alerta vermelho" ou em "zona de perigo", de acordo com pesquisadores que fazem parte do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - responsável pela Plataforma Coronavírus RN e do sistema Regula RN, que administra os leitos públicos de Covid-19 no estado.

O número, que representa aproximadamente 1,7 milhão de pessoas ou 48,5% da população do estado e, ainda, 66% do total de 167 cidades potiguares, é composto por municípios que estão com a taxa de transmissibilidade acima de 1,03 - ou seja - cada paciente infectado pelo coronavírus transmite a doença para mais uma pessoa, ou mais.

Em 44 municípios, a taxa é acima de dois, ou seja, cada infectado passa a doença para outras duas pessoas. Em algumas das cidades, como Olho D'água dos Borges, a taxa de RT chega a ser superior a 6. Os dados são de um relatório publicado na última sexta-feira (24).

Os pesquisadores apontaram que a taxa de transmissibilidade (Rt) do RN sofreu uma alteração para mais, de 0.89 para 1.01, e que essa variação foi maior que a margem de erro que é de 0,025. Desta forma, o comitê científico que assessora o governo do RN recomendou a suspensão do início da Fase 3 de reabertura econômica prevista para a próxima quarta-feira (29).

Por Alderi Dantas, 27/07/2020 às 15:37

11/05/2020

Taxa de isolamento social no RN chega a 39% no fim de semana; estado tem pior índice do NE

O Rio Grande do Norte tem o pior índice de cumprimento do isolamento social entre os estados do Nordeste. No Brasil, o estado potiguar ocupa a 5ª posição entre os que menos têm adotado as medidas do afastamento, que são utilizadas para reduzir o avanço da pandemia do novo coronavírus.

Este baixo percentual preocupa as autoridades da Saúde do Governo do RN por que os números mostram que quanto maior a circulação de pessoas, maior o contágio e mais casos graves de Covid-19 surgirão nos próximos 14 dias.

Segundo o estudo, neste sábado (9) o índice do RN na escala de cumprimento das medidas de isolamento era de 39,6%. A pior taxa do Brasil foi a de Goiás: 37,45%. No domingo (10), o índice potiguar chegou a 43%, contudo continuou nas mesma posições nas tabelas regional e nacional, porque os demais estados também cresceram alguns pontos percentuais.

O secretário adjunto da Sesap, Petrônio Spenelli, alerta que sem o afastamento social o Poder Executivo não tem capacidade de lidar com a demanda de infectados. "A situação hoje é de grande risco, mas ainda não entramos em colapso. Isso só acontece quando não tem mais respirador. Mas poderemos chegar a essa situação muito rapidamente porque um paciente de Covid-19 fica, em média, 14 dias na UTI. É um longo tempo para uma vaga ser liberada", informou.

Por Alderi Dantas, 11/05/2020 às 21:03

06/05/2020

Brasil terá mais algumas semanas dramáticas de enfrentamento ao coronavírus, diz estudo; Mortes já são mais de 8,5 mil

Uma universidade de Singapura utilizou um modelo matemático para projetar quando será o fim da pandemia no Brasil e em outros países do mundo [confira aqui]. Segundo o estudo, o Brasil ainda terá mais algumas semanas dramáticas de enfrentamento ao coronavírus. A situação não ficará amena antes de agosto.

As projeções foram comentadas em vídeo divulgado pelo canal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com participação do professor Vitor Engrácia Valenti, da Faculdade de Filosofia e Ciências do campus em Marília.

“Esse modelo considerou que estamos vivendo a fase do pico, que era prevista para ocorrer entre meio de abril e meio de maio. Possivelmente, como já estamos sofrendo o colapso no sistema de saúde em alguns estados, o Brasil está vivendo ainda a fase de avanço do pico. Infelizmente nosso país vai sofrer um pouco mais. Medidas preventivas são essenciais nesse momento”, comenta o professor

No mundo, a previsão é de que a pandemia esteja mais “tranquila” a partir do final de julho, porém as medidas de prevenção – como uso de máscaras e restrições à vida social – serão mantidas até o final de novembro.

O professor da Unesp ressaltou que modelo não tem 100% de garantia, mas é uma previsão matemática, “melhor que futurologia”.

O Brasil tem 125.096 mil casos de coronavírus e 8.535 mortes. Os dados foram atualizados na tarde desta quarta (6).

Por Alderi Dantas, 6/05/2020 às 20:53

05/05/2020

Bolsonaro grita "cala a boca" a jornalistas e mostra - mais uma vez - sua incapacidade de compreender a atividade jornalística

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamentou nesta terça, 5, a atitude do presidente Bolsonaro de ter mandado repórteres "calarem a boca" no Palácio da Alvorada. Para a entidade, é uma demonstração de caráter autoritário por parte do presidente.

"Mais uma vez , o presidente mostra sua incapacidade de compreender a atividade jornalística e externa seu caráter autoritário", diz em nota a ANJ. "Os jornalistas trabalham para levar os fatos de interesse público ao conhecimento da população e têm o direito e o dever de inquirir as autoridades públicas."

A ANJ lamentou e disse ser "preocupante" que Bolsonaro faça dos ataques a jornalistas e ao jornalismo "uma rotina contra a civilidade e a convivência democrática".

Além disso, jornalistas iniciaram um protesto pelas redes com a tag #EuNãoMeCalo.

Por Alderi Dantas, 5/05/2020 às 16:51 - Foto: Reprodução Twitter (Carla Vilhena)

04/05/2020

Coronavírus: Brasil passa dos 100 mil casos contabilizados; mortes por covid-19 são 7.025

O Brasil passou dos 100 mil casos oficialmente contabilizados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Segundo informações deste domingo (3/5) do Ministério da Saúde, estão confirmados 101.147 casos, e o número de mortes por covid-19 chega a 7.025. Todos os Estados já têm óbitos confirmados.

Em número de casos confirmados, a maior parte está nos Estados de São Paulo (31.772), Rio de Janeiro (11.139) e Pernambuco (8.643).

Em número de óbitos, São Paulo já tem 2.627 mortos; no Rio, são 1.019 e o Ceará tem o terceiro maior número: 663.

O Amazonas, um dos Estados cujo sistema de saúde se encontra em situação mais crítica atualmente, tem 6.683 casos oficialmente contabilizados, com 548 mortes por covid-19.

Desde 21 de março, o ministério passou a considerar que há casos de transmissão comunitária do vírus em todo o país.

A transmissão comunitária ocorre quando há casos em que não é mais possível identificar a cadeia de infecção. Isso significa que o vírus está circulando livremente na população. A situação é diferente de quando há apenas casos importados ou de transmissão local, em que é possível identificar a origem da infecção.

De acordo com uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseada no estudo de 56 mil pacientes, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia), 14% sintomas severos (dificuldade em respirar e falta de ar) e 6% doença grave (insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte).

Porém, no dia em que o Brasil atinge essa triste marca o presidente Bolsonaro voltou a dar maus exemplos. Sem usar máscaras e semblante sorridente o presidente - capa do jornal Extra - que se diz patriota, saiu para participar de uma manifestação golpista, pedindo intervenção militar, fechamento do Congresso e do STF e, ainda, acompanhado com as bandeiras dos EUA e de Israel, fazendo o estilo: E daí?

Por Alderi Dantas, 4/05/2020 às 06:36

03/05/2020

Voltar à “normalidade” é auto-condenar-se

Por Leonardo Boff - filósofo, teólogo e professor aposentado de Ética da UERJ

Quando passar a pandemia do coronavírus não nos é permitido voltar à “normalidade” anterior. Seria, em primeiro lugar,um desprezo pelos milhares que morreram sufocados pelo vírus e uma falta de solidariedade para com os parentes e amigos. Em segundo lugar, seria uma demonstração de que não aprendemos nada daquilo que é ou foi mais que uma crise, mas um chamado urgente para mudarmos a nossa forma de habitar a única Casa Comum. Temos a ver com um apelo da própria Terra viva, esse super-organismo que se autoregula do qual somos sua porção inteligente e consciente.

O atual sistema põe em risco as bases da vida
Voltar à conformação anterior do mundo, hegemonizado pelo capitalismo neoliberal, incapaz de resolver suas contradições internas e cujo DNA é sua voracidade por um crescimento ilimitado à custa da super-exploração da natureza e da indiferença face à pobreza e miséria da grande maioria da humanidade produzida por ele, é esquecer que tal conformação está abalando os fundamentos ecológicos que sustentam toda a vida no planeta. Voltar à “normalidade”anterior (bisness as usual) é prolongar uma situação que poderá significar a nossa própria auto-destruição.

Se não fizermos uma “conversão ecológica radical”, nas palavras do Papa Francisco, a Terra viva poderá reagir e contra-atacar com vírus ainda mais violentos, capazes de fazer desaparecer a espécie humana. Essa não é uma opinião meramente pessoal, mas de muitos biólogos, cosmólogos e ecologistas que sistematicamente acompanham a crescente degradação dos sitema-vida e do sistema-Terra. Dez anos atrás (2010), como fruto de minhas pesquisas em cosmologia e novo paradigma ecológico, escrevi o livro:Cuidar da Terra-proteger a vida: como evitar o fim do mundo”(Record). Os prognósticos que avançava, se viram plenamente confirmados pela atual situação.

O projeto capitalista e neoliberal foi refutado
Uma lição que eruimos da pandemia é esta: se tivésses seguido os ideais do capitalismo neoliberal, -competição, acumulação privada, individualismo, primazia do mercado sobre a vida e a minimilização do Estado - a maioria da humanidade estaria perdida. O que nos tem salvado foi a cooperação, a interdependência de todos com todos, a solidariedade e um Estado suficientemente apetrechado para ofecer a chance universal de tratamento docoranovírus, no caso do Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde).

Fizemos algumas descobertas: precisamos de um contrato social mundial, pois somos ainda reféns do ultrapassado soberanismo de cada país. Problemas globais exigem uma solução global, concertada entre todos os países. Vimos o desastre na Comunidade Europeia, na qual cada país tinha seu plano, sem considerar a cooperação necessária de outros países. Foi uma devastação generalizada na Itália,Espanha e ultimamente nos USA onde a medicina é toda privatizada.

Outra descoberta foi a urgência de um centro plural de governança global para garantir à toda a comunidade de vida (não só a humana mas de todos os seres vivos) o suficiente e decente para viver. Os bens e serviços naturais são escassos e muitos não renováveis. Com eles devemos atender as demandas básicas do sistema-vida, pensando ainda nas futuras gerações. Aqui é o lugar de se criar uma renda universal mínima para todos, pregação persistente do valoroso e digno político Eduardo Suplicy.

Uma comunidade de destino compartilhado
Os chineses viram com clareza esta exigência ao impulsionar “uma comunidade de destino compartilhado para toda a humanidade”,texto incorporado no renovado artigo 35 da Constituição Chinesa. Desta vez, ou nos salvamos todos ou todos engrossaremos o cortejo dos que rumam em direção da sepultura coletiva. Por isso temos que mudar urgentemente o nosso modo de nos relacionar com a natureza e a Terra, não como senhores, montados sobre ela, delapidando-a mas como partes conscientes e responsáveis, colocando-nos junto e ao pé dela, cuidadores de toda a vida.

Ao famoso TINA (There Is No Alternative), “não há outra alternativa” da cultura do capital, devemos contrapor outra TINA (There Is a New Alternative) “há uma nova alternativa”. Se na primeira alternativa a centralidade era ocupada pelo lucro, pelo mercado e pela dominação da natureza e dos outros (imperialismo), nesta segunda será a vida em sua vasta diversidade, também humana com suas muitas culturas e tradições que organizará a nova forma de habitar a Casa Comum. Isso é possível e está dentro das possibilidades humanas: temos ciência e tecnologia, temos uma acumulação fantática de riqueza monetária, mas falta à grande maioria da humanide e, pior, dos chefes de Estado a consciência desta necessidade e a vontade política de implementá-la. Talvez, face a um risco real de nosso desaparecimento como espécie, porque atingimos os limites insuportáveis da Terra, o instinto de sobrevivência nos fará sociáveis, fraternos e todos colaboradores e solidários uns para com os outros. O tempo da competição passou. Agora é o tempo da cooperação.

A inauguração de uma civilização biocentrada
Creio que iremos inaugurar uma civilização biocentrada,cuidadosa, amiga da vida e como dizem alguns, “a Terra da boa esperança”. O “bien vivir e convivir” dos andinos terá condições de realizar-se: a harmonia de todos com todos, na família, na sociedade, com os demais seres da natureza, com as águas, com montanhas e até com as estrelas do firmamento.

Como bem disse o Nobel de economia Joseph Stiglitz: “teremos uma ciência não a serviço do mercado, mas o mercado à serviço da ciência”e eu acrescentaria, e a ciência à serviço da vida.

Não sairemos da pandemia do roconavírus como entramos. Seguramente far-se-ão mudanças significativas, quem sabe, até estruturais. Acertadamente disse a liderança indígena muito conhecida, Ailton Krenak, daetnia krenak, do vale do Rio Doce:”Não sei se vamos sair dessa experiêndcia da mesma maneira que entramos. É como um tranco para olharmos o que realmente importa; o futuro é aqui e agora, podemos não estar vivos amanha; tomara que não voltemos à normalidade”(O Globo,01/05/2020, B 6).

Logicamente, não podemos imaginar que as transformações se farão de um dia para o outro. É comprensível que as fábricas e as cadeias produtivas vão querer retomar a lógica anterior. Mas não serão mais aceitáveis. Deverão submeter-se a um processo de reconversão no qual todo o aparato produtivo industial e agroindustiral deverá incorporar como elemento essencial o fator ecológico. Não basta a responsabilidade social das empresas. Impor-se-á uma responsabilidade sócio-ecológica.

Buscar-se-ão energias alternativas às fósseis, menos impactantes sobre os ecossitemas. Cuidar-se-á mais da atmosfera, das águas e das florestas. A salvaguarda da biodiversidade será fundamental para o futuro da vida e da alimentação humana e de toda a comunidade de vida.

Que tipo de Terra queremos para o futuro?
Seguramente haverá uma grande discussão de ideias sobre que futuro queremos e que tipo de Terra na qual queremos habitar. Qual será a conformação mais adequada à atual fase da Terra e da própria humanidade, a fase da planetização e da percepção cada vez mais clara que não temos outra CasaComum para habitar senão esta. E que temos um destino comum, feliz ou trágico. Para que seja feliz, importa cuidar dela para que todos possam caber dentro, a natureza incluida.

Há o risco real de uma polarização de modelos binários: por um lado movimentos de integração de cooperação geral e por outro, a reafirmação das soberanias nacionais com seu proteccionismo. Por um lado o capitalismo “natural” e verde e por outro o comunismo reinventado e de terceira geração como prognosticam Alain Badiou e Slavoy Zizek.

Outros temem um processo de radical brutalização por parte dos “donos do poder econômco e militar” para garantir seus privilégios e seus capitais. Seria um despotismo de forma diferente pois contaria com os meioscibernéticos e a inteligência artificial com seus complexos algoritmos, um sistema de vigilância sobre todas as pessoas do planeta. A vida social e asliberdades estariam permanentemente ameaçadas. A todo poder sempre emerge um anti-poder. Surgeriram grandes confrontos e conflitos por causa da exclusão e da miséria de milhões que, apesar da vigilância, não se contentarão com as migalhas que cairem das mesas dos ricos epulões.

Não são poucos que propõem uma glocalização vale dizer, o acento será colocado no local, na região com suas especificidades geológicas, físicas, ecológicas e culturais mas aberta ao global que a todos envolve. Nesse bioregionalismo poder-se-ia realizar de fato um real desenvolvimento sustentável, aproveitando os bens e serviços locais. Praticamente tudo se realizará na região, com empresas menores, com uma produção agroecológica, sem precisar de longos transportes que consomem energias e poluem. A cultura, as artes e as tradições serão reanimadas como parte importante da vida social. A governança será participativa, diminuindo as desigualdades e tornando menor a pobreza, sempre possível, nas sociedades complexas. É a tese que o cosmólogo Mark Hathaway e eu defendemos em nosso livro comum O Tao da Libertação (2010) que teve boa acolhida no meio científico e entre os ecologistas a ponto de Fritjob Capra ter se oferecido a fazer um instigante prefácio.

Outros veem a possibilidade de um ecosocialismo planetário, capaz de realizar aquilo que o capitalismo, por sua essência competitivo e excludente se mostra incapaz defazer: um contrato social mundial, igualitário e inclusivo, respeitador da natureza no qual o nós (o comunitário e societário) e não o eu (individualismo) será o eixo estruturador das sociedades e da comunidade mundial. Ele encontrou no franco-brasileiro Michael Löwy o seu mais brilhante formulador. Teremos em fim como reafirma a Carta da Terra bem como a encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum” um modo realmente sustentável de vida e não apenas um desenvolvimento sustentável.

Enfim, passaremos de uma sociedade industrialista/consumista para uma sociedade de sustentação de toda a vida com um consumo sóbrio e solidário; de um cultura de acumulação de bens materiaspara uma cultura humanístico-espiritual na qual os bens intangíveis como a solidariedada, a justiça social, a cooperação, os laços afetivos e não em último lugar a amorosidade e a logique du coeur estarão em seus fundamentos.

Não sabemos qual tendência predominará. O ser humano é complexo e indecifrável, é movido por benevolência mas também por boçalidade. É completo mas não está ainda totalmente pronto. Irá aprender, por erros e acertos, que a melhor conformação para a convivência humana junto com todos os demais seres da Mãe Terra deve se orientar pela lógica do próprio universo:este está estruturado, como nos dizem notáveis cosmólogos e físicos quânticos, por redes complexas de inter-retro-relações. Tudo é relação. Na existe fora a da relação. Todos se entreajudam para continuar existindo e podendo co-evoluir. O próprio ser humano é um rizoma (bulbo de raízes) de relações em todas as direções.

Se me é permitido dizer em termos teológicos: é a imagem e semelhança da Divindade que emerge como a íntima relação de três Infinitos,cada um sigular (as singularidades não se somam) de Pai, Filho e Espírito Santo que eternamente existem um para o outro, com o outro, no outro e através dooutro, constituindo um Deus-comunhão de amor, de bondade e de infinita beleza.

Tempos de crise como o nosso, de passagem de um tipo demundo para outro, são também tempos de grande sonhos e utopias. São elas que nos movem na direção do futuro, incorporando o passado, mas fazendo a própria pegada no chão da vida. É fácil pisar na pegada deixada por outros. Mas ela não nos leva mais a nenhum caminho esperançador. Devemos fazer a nossa pegada, marcada pela inarredável esperança da vitória da vida, pois o caminho se faz caminhando e sonhando. Então caminhemos.

Postado em 3/05/2020 às 19:00

01/05/2020

Moro presta depoimento à PF sobre acusações contra Bolsonaro neste sábado, 2

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, Sergio Moro, vai prestar depoimento neste sábado (2) na Polícia Federal (PF), em Curitiba (PR). Moro será questionado sobre as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no trabalho da PF e em inquéritos relacionados a familiares.

As acusações foram feitas pelo ex-ministro quando ele anunciou sua saída do governo, há uma semana.

O depoimento foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, que preside a investigação.

Nesta quinta-feira (30) Celso de Mello determinou que Moro fosse ouvido em 5 dias, atendendo a pedido de parlamentares. O prazo anterior dado pelo ministro era de 60 dias.

O inquérito foi autorizado pelo STF e vai investigar se as acusações de Moro são verdadeiras. Se não forem, o ex-ministro poderá responder na Justiça por denunciação caluniosa e crimes contra a honra.

Por Alderi Dantas, 1/05/2020 às 21:28

30/04/2020

Juíza rejeita relatório e dá novo prazo para Bolsonaro revelar testes de Covid-19

A juíza federal Ana Lúcia Petri Betto rejeitou o relatório médico enviado pela Advocacia-Geral da União (AGU) nesta quinta (30) e deu o prazo de 48 horas para que o presidente Jair Bolsonaro forneça à Justiça “os laudos de todos os exames” realizados para determinar se ele contraiu o novo coronavírus.

Em sua decisão, Betto afirma que o relatório enviado pela AGU não atende integralmente a determinação judicial de segunda (27), quando concedeu o direito de acesso aos exames por parte do jornal O Estado de São Paulo.

Na manhã desta quinta, o último dia do prazo original, a AGU apresentou apenas um relatório médico do dia 18 de março dizendo que Bolsonaro não teve Covid-19 e pediu a extinção do processo. O presidente faz dois exames, nos dias 12 e 17 de março, mas os documentos não foram mostrados.

Por Alderi Dantas, 30/04/2020 às 17:49