11/05/2020

Taxa de isolamento social no RN chega a 39% no fim de semana; estado tem pior índice do NE

O Rio Grande do Norte tem o pior índice de cumprimento do isolamento social entre os estados do Nordeste. No Brasil, o estado potiguar ocupa a 5ª posição entre os que menos têm adotado as medidas do afastamento, que são utilizadas para reduzir o avanço da pandemia do novo coronavírus.

Este baixo percentual preocupa as autoridades da Saúde do Governo do RN por que os números mostram que quanto maior a circulação de pessoas, maior o contágio e mais casos graves de Covid-19 surgirão nos próximos 14 dias.

Segundo o estudo, neste sábado (9) o índice do RN na escala de cumprimento das medidas de isolamento era de 39,6%. A pior taxa do Brasil foi a de Goiás: 37,45%. No domingo (10), o índice potiguar chegou a 43%, contudo continuou nas mesma posições nas tabelas regional e nacional, porque os demais estados também cresceram alguns pontos percentuais.

O secretário adjunto da Sesap, Petrônio Spenelli, alerta que sem o afastamento social o Poder Executivo não tem capacidade de lidar com a demanda de infectados. "A situação hoje é de grande risco, mas ainda não entramos em colapso. Isso só acontece quando não tem mais respirador. Mas poderemos chegar a essa situação muito rapidamente porque um paciente de Covid-19 fica, em média, 14 dias na UTI. É um longo tempo para uma vaga ser liberada", informou.

Por Alderi Dantas, 11/05/2020 às 21:03

06/05/2020

Brasil terá mais algumas semanas dramáticas de enfrentamento ao coronavírus, diz estudo; Mortes já são mais de 8,5 mil

Uma universidade de Singapura utilizou um modelo matemático para projetar quando será o fim da pandemia no Brasil e em outros países do mundo [confira aqui]. Segundo o estudo, o Brasil ainda terá mais algumas semanas dramáticas de enfrentamento ao coronavírus. A situação não ficará amena antes de agosto.

As projeções foram comentadas em vídeo divulgado pelo canal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com participação do professor Vitor Engrácia Valenti, da Faculdade de Filosofia e Ciências do campus em Marília.

“Esse modelo considerou que estamos vivendo a fase do pico, que era prevista para ocorrer entre meio de abril e meio de maio. Possivelmente, como já estamos sofrendo o colapso no sistema de saúde em alguns estados, o Brasil está vivendo ainda a fase de avanço do pico. Infelizmente nosso país vai sofrer um pouco mais. Medidas preventivas são essenciais nesse momento”, comenta o professor

No mundo, a previsão é de que a pandemia esteja mais “tranquila” a partir do final de julho, porém as medidas de prevenção – como uso de máscaras e restrições à vida social – serão mantidas até o final de novembro.

O professor da Unesp ressaltou que modelo não tem 100% de garantia, mas é uma previsão matemática, “melhor que futurologia”.

O Brasil tem 125.096 mil casos de coronavírus e 8.535 mortes. Os dados foram atualizados na tarde desta quarta (6).

Por Alderi Dantas, 6/05/2020 às 20:53

05/05/2020

Bolsonaro grita "cala a boca" a jornalistas e mostra - mais uma vez - sua incapacidade de compreender a atividade jornalística

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamentou nesta terça, 5, a atitude do presidente Bolsonaro de ter mandado repórteres "calarem a boca" no Palácio da Alvorada. Para a entidade, é uma demonstração de caráter autoritário por parte do presidente.

"Mais uma vez , o presidente mostra sua incapacidade de compreender a atividade jornalística e externa seu caráter autoritário", diz em nota a ANJ. "Os jornalistas trabalham para levar os fatos de interesse público ao conhecimento da população e têm o direito e o dever de inquirir as autoridades públicas."

A ANJ lamentou e disse ser "preocupante" que Bolsonaro faça dos ataques a jornalistas e ao jornalismo "uma rotina contra a civilidade e a convivência democrática".

Além disso, jornalistas iniciaram um protesto pelas redes com a tag #EuNãoMeCalo.

Por Alderi Dantas, 5/05/2020 às 16:51 - Foto: Reprodução Twitter (Carla Vilhena)

04/05/2020

Coronavírus: Brasil passa dos 100 mil casos contabilizados; mortes por covid-19 são 7.025

O Brasil passou dos 100 mil casos oficialmente contabilizados de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Segundo informações deste domingo (3/5) do Ministério da Saúde, estão confirmados 101.147 casos, e o número de mortes por covid-19 chega a 7.025. Todos os Estados já têm óbitos confirmados.

Em número de casos confirmados, a maior parte está nos Estados de São Paulo (31.772), Rio de Janeiro (11.139) e Pernambuco (8.643).

Em número de óbitos, São Paulo já tem 2.627 mortos; no Rio, são 1.019 e o Ceará tem o terceiro maior número: 663.

O Amazonas, um dos Estados cujo sistema de saúde se encontra em situação mais crítica atualmente, tem 6.683 casos oficialmente contabilizados, com 548 mortes por covid-19.

Desde 21 de março, o ministério passou a considerar que há casos de transmissão comunitária do vírus em todo o país.

A transmissão comunitária ocorre quando há casos em que não é mais possível identificar a cadeia de infecção. Isso significa que o vírus está circulando livremente na população. A situação é diferente de quando há apenas casos importados ou de transmissão local, em que é possível identificar a origem da infecção.

De acordo com uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseada no estudo de 56 mil pacientes, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves (febre, tosse e, em alguns casos, pneumonia), 14% sintomas severos (dificuldade em respirar e falta de ar) e 6% doença grave (insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte).

Porém, no dia em que o Brasil atinge essa triste marca o presidente Bolsonaro voltou a dar maus exemplos. Sem usar máscaras e semblante sorridente o presidente - capa do jornal Extra - que se diz patriota, saiu para participar de uma manifestação golpista, pedindo intervenção militar, fechamento do Congresso e do STF e, ainda, acompanhado com as bandeiras dos EUA e de Israel, fazendo o estilo: E daí?

Por Alderi Dantas, 4/05/2020 às 06:36

03/05/2020

Voltar à “normalidade” é auto-condenar-se

Por Leonardo Boff - filósofo, teólogo e professor aposentado de Ética da UERJ

Quando passar a pandemia do coronavírus não nos é permitido voltar à “normalidade” anterior. Seria, em primeiro lugar,um desprezo pelos milhares que morreram sufocados pelo vírus e uma falta de solidariedade para com os parentes e amigos. Em segundo lugar, seria uma demonstração de que não aprendemos nada daquilo que é ou foi mais que uma crise, mas um chamado urgente para mudarmos a nossa forma de habitar a única Casa Comum. Temos a ver com um apelo da própria Terra viva, esse super-organismo que se autoregula do qual somos sua porção inteligente e consciente.

O atual sistema põe em risco as bases da vida
Voltar à conformação anterior do mundo, hegemonizado pelo capitalismo neoliberal, incapaz de resolver suas contradições internas e cujo DNA é sua voracidade por um crescimento ilimitado à custa da super-exploração da natureza e da indiferença face à pobreza e miséria da grande maioria da humanidade produzida por ele, é esquecer que tal conformação está abalando os fundamentos ecológicos que sustentam toda a vida no planeta. Voltar à “normalidade”anterior (bisness as usual) é prolongar uma situação que poderá significar a nossa própria auto-destruição.

Se não fizermos uma “conversão ecológica radical”, nas palavras do Papa Francisco, a Terra viva poderá reagir e contra-atacar com vírus ainda mais violentos, capazes de fazer desaparecer a espécie humana. Essa não é uma opinião meramente pessoal, mas de muitos biólogos, cosmólogos e ecologistas que sistematicamente acompanham a crescente degradação dos sitema-vida e do sistema-Terra. Dez anos atrás (2010), como fruto de minhas pesquisas em cosmologia e novo paradigma ecológico, escrevi o livro:Cuidar da Terra-proteger a vida: como evitar o fim do mundo”(Record). Os prognósticos que avançava, se viram plenamente confirmados pela atual situação.

O projeto capitalista e neoliberal foi refutado
Uma lição que eruimos da pandemia é esta: se tivésses seguido os ideais do capitalismo neoliberal, -competição, acumulação privada, individualismo, primazia do mercado sobre a vida e a minimilização do Estado - a maioria da humanidade estaria perdida. O que nos tem salvado foi a cooperação, a interdependência de todos com todos, a solidariedade e um Estado suficientemente apetrechado para ofecer a chance universal de tratamento docoranovírus, no caso do Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde).

Fizemos algumas descobertas: precisamos de um contrato social mundial, pois somos ainda reféns do ultrapassado soberanismo de cada país. Problemas globais exigem uma solução global, concertada entre todos os países. Vimos o desastre na Comunidade Europeia, na qual cada país tinha seu plano, sem considerar a cooperação necessária de outros países. Foi uma devastação generalizada na Itália,Espanha e ultimamente nos USA onde a medicina é toda privatizada.

Outra descoberta foi a urgência de um centro plural de governança global para garantir à toda a comunidade de vida (não só a humana mas de todos os seres vivos) o suficiente e decente para viver. Os bens e serviços naturais são escassos e muitos não renováveis. Com eles devemos atender as demandas básicas do sistema-vida, pensando ainda nas futuras gerações. Aqui é o lugar de se criar uma renda universal mínima para todos, pregação persistente do valoroso e digno político Eduardo Suplicy.

Uma comunidade de destino compartilhado
Os chineses viram com clareza esta exigência ao impulsionar “uma comunidade de destino compartilhado para toda a humanidade”,texto incorporado no renovado artigo 35 da Constituição Chinesa. Desta vez, ou nos salvamos todos ou todos engrossaremos o cortejo dos que rumam em direção da sepultura coletiva. Por isso temos que mudar urgentemente o nosso modo de nos relacionar com a natureza e a Terra, não como senhores, montados sobre ela, delapidando-a mas como partes conscientes e responsáveis, colocando-nos junto e ao pé dela, cuidadores de toda a vida.

Ao famoso TINA (There Is No Alternative), “não há outra alternativa” da cultura do capital, devemos contrapor outra TINA (There Is a New Alternative) “há uma nova alternativa”. Se na primeira alternativa a centralidade era ocupada pelo lucro, pelo mercado e pela dominação da natureza e dos outros (imperialismo), nesta segunda será a vida em sua vasta diversidade, também humana com suas muitas culturas e tradições que organizará a nova forma de habitar a Casa Comum. Isso é possível e está dentro das possibilidades humanas: temos ciência e tecnologia, temos uma acumulação fantática de riqueza monetária, mas falta à grande maioria da humanide e, pior, dos chefes de Estado a consciência desta necessidade e a vontade política de implementá-la. Talvez, face a um risco real de nosso desaparecimento como espécie, porque atingimos os limites insuportáveis da Terra, o instinto de sobrevivência nos fará sociáveis, fraternos e todos colaboradores e solidários uns para com os outros. O tempo da competição passou. Agora é o tempo da cooperação.

A inauguração de uma civilização biocentrada
Creio que iremos inaugurar uma civilização biocentrada,cuidadosa, amiga da vida e como dizem alguns, “a Terra da boa esperança”. O “bien vivir e convivir” dos andinos terá condições de realizar-se: a harmonia de todos com todos, na família, na sociedade, com os demais seres da natureza, com as águas, com montanhas e até com as estrelas do firmamento.

Como bem disse o Nobel de economia Joseph Stiglitz: “teremos uma ciência não a serviço do mercado, mas o mercado à serviço da ciência”e eu acrescentaria, e a ciência à serviço da vida.

Não sairemos da pandemia do roconavírus como entramos. Seguramente far-se-ão mudanças significativas, quem sabe, até estruturais. Acertadamente disse a liderança indígena muito conhecida, Ailton Krenak, daetnia krenak, do vale do Rio Doce:”Não sei se vamos sair dessa experiêndcia da mesma maneira que entramos. É como um tranco para olharmos o que realmente importa; o futuro é aqui e agora, podemos não estar vivos amanha; tomara que não voltemos à normalidade”(O Globo,01/05/2020, B 6).

Logicamente, não podemos imaginar que as transformações se farão de um dia para o outro. É comprensível que as fábricas e as cadeias produtivas vão querer retomar a lógica anterior. Mas não serão mais aceitáveis. Deverão submeter-se a um processo de reconversão no qual todo o aparato produtivo industial e agroindustiral deverá incorporar como elemento essencial o fator ecológico. Não basta a responsabilidade social das empresas. Impor-se-á uma responsabilidade sócio-ecológica.

Buscar-se-ão energias alternativas às fósseis, menos impactantes sobre os ecossitemas. Cuidar-se-á mais da atmosfera, das águas e das florestas. A salvaguarda da biodiversidade será fundamental para o futuro da vida e da alimentação humana e de toda a comunidade de vida.

Que tipo de Terra queremos para o futuro?
Seguramente haverá uma grande discussão de ideias sobre que futuro queremos e que tipo de Terra na qual queremos habitar. Qual será a conformação mais adequada à atual fase da Terra e da própria humanidade, a fase da planetização e da percepção cada vez mais clara que não temos outra CasaComum para habitar senão esta. E que temos um destino comum, feliz ou trágico. Para que seja feliz, importa cuidar dela para que todos possam caber dentro, a natureza incluida.

Há o risco real de uma polarização de modelos binários: por um lado movimentos de integração de cooperação geral e por outro, a reafirmação das soberanias nacionais com seu proteccionismo. Por um lado o capitalismo “natural” e verde e por outro o comunismo reinventado e de terceira geração como prognosticam Alain Badiou e Slavoy Zizek.

Outros temem um processo de radical brutalização por parte dos “donos do poder econômco e militar” para garantir seus privilégios e seus capitais. Seria um despotismo de forma diferente pois contaria com os meioscibernéticos e a inteligência artificial com seus complexos algoritmos, um sistema de vigilância sobre todas as pessoas do planeta. A vida social e asliberdades estariam permanentemente ameaçadas. A todo poder sempre emerge um anti-poder. Surgeriram grandes confrontos e conflitos por causa da exclusão e da miséria de milhões que, apesar da vigilância, não se contentarão com as migalhas que cairem das mesas dos ricos epulões.

Não são poucos que propõem uma glocalização vale dizer, o acento será colocado no local, na região com suas especificidades geológicas, físicas, ecológicas e culturais mas aberta ao global que a todos envolve. Nesse bioregionalismo poder-se-ia realizar de fato um real desenvolvimento sustentável, aproveitando os bens e serviços locais. Praticamente tudo se realizará na região, com empresas menores, com uma produção agroecológica, sem precisar de longos transportes que consomem energias e poluem. A cultura, as artes e as tradições serão reanimadas como parte importante da vida social. A governança será participativa, diminuindo as desigualdades e tornando menor a pobreza, sempre possível, nas sociedades complexas. É a tese que o cosmólogo Mark Hathaway e eu defendemos em nosso livro comum O Tao da Libertação (2010) que teve boa acolhida no meio científico e entre os ecologistas a ponto de Fritjob Capra ter se oferecido a fazer um instigante prefácio.

Outros veem a possibilidade de um ecosocialismo planetário, capaz de realizar aquilo que o capitalismo, por sua essência competitivo e excludente se mostra incapaz defazer: um contrato social mundial, igualitário e inclusivo, respeitador da natureza no qual o nós (o comunitário e societário) e não o eu (individualismo) será o eixo estruturador das sociedades e da comunidade mundial. Ele encontrou no franco-brasileiro Michael Löwy o seu mais brilhante formulador. Teremos em fim como reafirma a Carta da Terra bem como a encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum” um modo realmente sustentável de vida e não apenas um desenvolvimento sustentável.

Enfim, passaremos de uma sociedade industrialista/consumista para uma sociedade de sustentação de toda a vida com um consumo sóbrio e solidário; de um cultura de acumulação de bens materiaspara uma cultura humanístico-espiritual na qual os bens intangíveis como a solidariedada, a justiça social, a cooperação, os laços afetivos e não em último lugar a amorosidade e a logique du coeur estarão em seus fundamentos.

Não sabemos qual tendência predominará. O ser humano é complexo e indecifrável, é movido por benevolência mas também por boçalidade. É completo mas não está ainda totalmente pronto. Irá aprender, por erros e acertos, que a melhor conformação para a convivência humana junto com todos os demais seres da Mãe Terra deve se orientar pela lógica do próprio universo:este está estruturado, como nos dizem notáveis cosmólogos e físicos quânticos, por redes complexas de inter-retro-relações. Tudo é relação. Na existe fora a da relação. Todos se entreajudam para continuar existindo e podendo co-evoluir. O próprio ser humano é um rizoma (bulbo de raízes) de relações em todas as direções.

Se me é permitido dizer em termos teológicos: é a imagem e semelhança da Divindade que emerge como a íntima relação de três Infinitos,cada um sigular (as singularidades não se somam) de Pai, Filho e Espírito Santo que eternamente existem um para o outro, com o outro, no outro e através dooutro, constituindo um Deus-comunhão de amor, de bondade e de infinita beleza.

Tempos de crise como o nosso, de passagem de um tipo demundo para outro, são também tempos de grande sonhos e utopias. São elas que nos movem na direção do futuro, incorporando o passado, mas fazendo a própria pegada no chão da vida. É fácil pisar na pegada deixada por outros. Mas ela não nos leva mais a nenhum caminho esperançador. Devemos fazer a nossa pegada, marcada pela inarredável esperança da vitória da vida, pois o caminho se faz caminhando e sonhando. Então caminhemos.

Postado em 3/05/2020 às 19:00

01/05/2020

Moro presta depoimento à PF sobre acusações contra Bolsonaro neste sábado, 2

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, Sergio Moro, vai prestar depoimento neste sábado (2) na Polícia Federal (PF), em Curitiba (PR). Moro será questionado sobre as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no trabalho da PF e em inquéritos relacionados a familiares.

As acusações foram feitas pelo ex-ministro quando ele anunciou sua saída do governo, há uma semana.

O depoimento foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, que preside a investigação.

Nesta quinta-feira (30) Celso de Mello determinou que Moro fosse ouvido em 5 dias, atendendo a pedido de parlamentares. O prazo anterior dado pelo ministro era de 60 dias.

O inquérito foi autorizado pelo STF e vai investigar se as acusações de Moro são verdadeiras. Se não forem, o ex-ministro poderá responder na Justiça por denunciação caluniosa e crimes contra a honra.

Por Alderi Dantas, 1/05/2020 às 21:28

30/04/2020

Juíza rejeita relatório e dá novo prazo para Bolsonaro revelar testes de Covid-19

A juíza federal Ana Lúcia Petri Betto rejeitou o relatório médico enviado pela Advocacia-Geral da União (AGU) nesta quinta (30) e deu o prazo de 48 horas para que o presidente Jair Bolsonaro forneça à Justiça “os laudos de todos os exames” realizados para determinar se ele contraiu o novo coronavírus.

Em sua decisão, Betto afirma que o relatório enviado pela AGU não atende integralmente a determinação judicial de segunda (27), quando concedeu o direito de acesso aos exames por parte do jornal O Estado de São Paulo.

Na manhã desta quinta, o último dia do prazo original, a AGU apresentou apenas um relatório médico do dia 18 de março dizendo que Bolsonaro não teve Covid-19 e pediu a extinção do processo. O presidente faz dois exames, nos dias 12 e 17 de março, mas os documentos não foram mostrados.

Por Alderi Dantas, 30/04/2020 às 17:49

29/04/2020

Ministro do STF suspende nomeação de Ramagem, amigo dos filhos de Bolsonaro, para a Polícia Federal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

O pedido para impedir que Ramagem assumisse o cargo foi feito pelo PDT ao STF na última terça-feira. A justificativa do pedido é de que a indicação teria um “desvio de finalidade” feita pelo presidente. Na decisão, Moraes afirmou que a escolha está “em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público".

Questionamentos feitos a Ramagem sugiram a partir das falas do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro de que Bolsonaro estaria tentando interferir politicamente na Polícia Federal. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência é amigo pessoal do filho do presidente, Carlos Bolsonaro.

Além do PDT, o Psol também havia pedido a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo, que antes era de Maurício Valeixo.

A posse de Ramagem estava marcada para a tarde desta terça-feira (29).

Por Alderi Dantas, 29/04/2020 às 13:56

28/04/2020

Brasil registra 474 mortes em 24h e Bolsonaro responde: "E daí? Quer que eu faça o quê?

Após o Ministério da Saúde anunciar um novo recorde de mortes registradas por coronavírus em 24 horas, com 474 óbitos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que lamenta, mas que não tem o que fazer.

Ao ser perguntado sobre os números, Bolsonaro respondeu "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre​", antes de dizer que cabe ao ministro da Saúde, Nelson Teich, uma explicação.

O Brasil chegou nesta terça (28) a 5.017 mortes por Covid-19 e 71.886 casos confirmados, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde. O país passou a ser o 9º com mais mortes no mundo, ultrapassando a China, e fica em 11º lugar no ranking de pessoas infectadas.

Por Alderi Dantas, 28/04/2020 às 22:21 

27/04/2020

Bolsonaro quer fazer da PF a Polícia da Família. E daí?

Por Matheus Pichonelli - Yahoo Notícias

O que fariam os manifestantes pró-Bolsonaro, pró-golpe, pró-fim-do-STF, pró-fim-do-Congresso e pró-fim-da-velha-política se em meados de 2004 o então presidente Lula resolvesse trocar o comando da Polícia Federal em meio a uma investigação sobre seu filho Lulinha e deputados aliados? E que, no lugar dos delegados que se negavam a jogar no lixo a autonomia da corporação e fornecer relatórios diários de inquéritos sob encomenda, a começar pelas aventuras amorosas do caçula pelo condomínio, o petista decidisse colocar no Ministério da Justiça o filho de um antigo assessor e, na direção-geral, um amigo do filho?

Se não gostar da referência, pode trocar o nome para FHC, Michel Temer ou Dilma Rousseff. Tanto faz. Já pensou? Pois é exatamente isso o que Jair Bolsonaro pretende fazer após a demissão de Sergio Moro no organograma da PF, que neste ritmo, até 2022, será transformada em Polícia da Família, preservando apenas as iniciais.

Filho do presidente, o vereador carioca Carlos Bolsonaro é apontado em uma investigação como líder de um esquema de fake news enraizado no Planalto para atacar opositores e instituições. Falta saber como funciona e quem financia o chamado gabinete do ódio.

Foi com ele que Alexandre Ramagem, ex-segurança de Bolsonaro, atual chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e agora cotado para a direção-geral da PF passou o Revéillon de 2018 para 2019.

Já o provável ministro da Justiça, a quem a PF é subordinada, é o atual secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, advogado e ex-PM que já atuou como chefe de gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de quem foi padrinho de casamento. Seu pai também trabalhou com o presidente por quase 20 anos, quando Bolsonaro era deputado.

Questionado em uma rede social sobre a proximidade dos prováveis chefes da polícia com os filhos investigados, Bolsonaro respondeu: “E daí?”

Ele disse conhecer Ramagem antes de conhecer os próprios filhos. E questionou: “Devo escolher alguém amigo de quem?”.

A pergunta só faz sentido se todo mundo concordar que o princípio da impessoalidade é mera peça de ficção e que governar se resume a uma ação em família, um direito divino de quem ganhou num laço um país inteiro em forma de capitania hereditária, e não um mandato fixo por maioria de votos em uma eleição.

No auge da crise política, provocada em meio a uma crise sanitária e econômica, Bolsonaro já se referiu à “sua” PF e “suas” Forças Armadas, como se fossem brinquedos ganhos no Natal, e não instituições que já existiam e devem continuar a existir ao fim deste e de outros governos.

Mudar a mentalidade bolsonarista, que prega o arbítrio aos inimigos e a distribuição de postos-chave aos devotos e amigos, é mais difícil, porém, do que tirar ministérios das mãos dos subordinados mais bem avaliados, como eram os casos de Sergio Moro, na Justiça, e Luiz Henrique Mandetta, na Saúde.

Sabe quem também provoca estragos ao confundir as instituições de seu país com guarda pretoriana? Ele mesmo, Nicolas Maduro, o ditador venezuelano que em maio de 2019, praticamente um ano atrás, anunciou, no Twitter, uma troca no Serviço Bolivariano de Inteligência e outra na direção da Polícia Nacional. Isso depois que o líder opositor Leopoldo López foi libertado por membros do serviço de inteligência, cujo chefe defenestrado denunciou “o estado de deterioração em que a pátria está submersa”.

Maduro segue onde está, rasgando regras e loteando as instituições para se manter presidente, graças ao apoio das forças armadas. Como seu par brasileiro, ele também costuma enviar recados em frente ao quartel-general das forças armadas de seu país, o Forte Tiuna.

Isso significa que o Brasil se transformou em uma Venezuela, como tanto temiam os defensores do ex-capitão?

Não ainda.

Tudo vai depender de como as instituições brasileiras, a começar pelo STF, saberão responder à volúpia do presidente que há uma semana subia na caminhonete para fazer coro a uma manifestação onde balançava uma faixa dizendo que “democracia tem limites”.

Tem?

No domingo, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, que representa 2,3 mil profissionais, publicou uma carta aberta ao presidente dizendo que seus membros não vão acatar ordens decorrentes da intervenção política denunciada pelo agora ex-ministro Sergio Moro.

A carta afirma que nenhum delegado quer ver a PF questionada pela opinião pública a cada ação ou inação. “Também não quer trabalhar sob clima de desconfianças internas. O contexto imporá ao próximo diretor um desafio enorme: demonstrar que não foi nomeado para cumprir missão política dentro do órgão. Assim, existe o risco de enfrentar uma instabilidade constante em sua gestão. O último comandante da PF que assumiu o órgão em contexto semelhante teve um período de gestão muito curto”.

O alerta ocorre enquanto um inquérito sobre as suspeitas de interferência política no órgão é aberto a pedido da Procuradoria Geral da República.

Tudo isso no momento em que o país acaba de enterrar a sua quarta milésima vítima do vírus que o presidente atordoado já chamou de “gripezinha”.

Postado em 27/04/2020 às 21:33 - Foto: Andressa Anholete/Getty Images

24/04/2020

Qual era urgência de Bolsonaro para mudar a PF no pior dia da pandemia?

Por Matheus Pichonelli - Yahoo Notícias

Sergio Moro caiu atirando.

Chamou uma coletiva dizendo que Jair Bolsonaro até agora não deu justificativa plausível para querer trocar, a essa altura do jogo, o diretor-geral da Polícia Federal.

Em resposta no mesmo dia, que durou mais de 40 minutos, o presidente posou ao lado de ministros aglomerados em meio à pandemia para mostrar união. Apenas Paulo Guedes usava máscara.

Resultado: Moro e os espectadores ainda não sabem o que, afinal, justificava a demissão urgente de Maurício Valeixo. Ficaram apenas com um diz-que-diz-que sobre um certo cansaço do delegado.

Moro, em sua coletiva, desmentiu que a exoneração aconteceu a pedido. Ou que Valeixo quisesse abrir mão do cargo.

Bolsonaro respondeu dizendo que, sim, Moro assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública em troca da indicação para o Supremo Tribunal Federal. Segundo esta versão, o ex-ministro disse em conversa reservada que o ex-capitão poderia indicar quem quisesse à PF, mas só depois de novembro, quando Celso de Mello, decano da corte, se aposenta.

Em sua fala, Bolsonaro acusou Moro de lotear a PF e a PRF com amigos de Curitiba. Contou ter falado a deputados, em uma reunião, que eles em breve conheceriam a pessoa que quer ocupar o seu lugar. E afirmou que uma coisa é ter uma imagem de uma pessoa que admira, outra é conviver com ela.

Ele, por fim, insistiu na tese de que Moro quebrou hierarquia e que quem manda é ele.

Aqui, dois pontos.

Boa parte da fala Bolsonaro usou para desancar o trabalho da PF. Acusou a corporação de ser incapaz de chegar aos supostos mandantes da sua tentativa de assassinato, durante a campanha de 2018. A conclusão é que o agressor, Adélio Bispo, agiu sozinho.

Ele se queixou também de não saber como seu nome foi parar no “caso do porteiro”, em que os supostos assassinos da vereadora Marielle Franco teriam interfonado para sua casa em um condomínio no Rio. A certa altura, disse que a morte de Marielle era mais importante do que a vida do presidente da República e questionou: cobrar isso da “sua” PF indicava interferência?

Bolsonaro citou diversas reportagens relacionadas a seus parentes para dizer que jamais pediu para que sua família fosse protegida por quaisquer investigações. Detalhe: em nenhum momento da coletiva Moro falou sobre isso. Bolsonaro trouxe o assunto à tona por sua conta e risco.

O presidente trouxe também outras rusgas à tona. Chamou Sergio Moro de ministro desarmamentista. E lamentou que ele tenha anunciado a decisão de deixar o governo em uma coletiva.

Aqui o ponto que mais chama a atenção, e que provavelmente entrará para a história -- muito mais do que os momentos exóticos relacionados ao aquecedor da piscina, aos poderes de sedução do filho 04 ou os taxímetros do Inmetro que ele mandou implodir.

Na troca de farpas, Bolsonaro relatou o encontro privado com Sergio Moro em que precisou dizer que quem mandava era ele e ponto. Sua grande preocupação no dia 23 de abril de 2020 era trocar o diretor-geral da PF. E ponto.

A questão era tão urgente que ele não mediu forças para fazer valer sua vontade de soberano e entrar em rota de colisão com seu ministro mais bem popular (em janeiro, 53% dos entrevistados pelo Datafolha avaliavam seu trabalho como ótimo/bom, contra 30% do chefe).

Isso tudo, repito, no dia 23 de abril de 2020. Dia em que 407 pessoas morreram em decorrência do coronavírus. O dia em que passou de 3.000 o número de vítimas fatais da pandemia no Brasil.

Por Alderi Dantas, 24/04/2020 às 21:50 - Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

Sergio Moro não é mais ministro de Bolsonaro

Sergio Moro não é mais o Ministro da Justiça e Segurança Pública. O ex-juiz federal confirmou, na manhã desta sexta-feira (24), que deixa o cargo no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). A saída acontece depois do presidente exonerar Mauricio Valeixo, diretor-geral da Polícia Federal e aliado de Moro desde os tempos da Operação Lava-Jato.

"O grande problema é por que trocar e permitir que seja feita interferência política ano âmbito da PF. O presidente me disse que queria colocar uma pessoa dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência. Realmente, não é papel da PF prestar esse tipo de informação", disse o agora ex-ministro.

Nesta quinta-feira, Moro teria dito a Bolsonaro que deixaria o cargo caso o presidente resolvesse interferir na Polícia Federal e na permanência de Valeixo. Nas primeiras horas dessa sexta, no entanto, a exoneração foi confirmada no Diário Oficial da União.

Por Alderi Dantas, 24/04/2020 às 13:42

23/04/2020

'A ideia de que a pandemia está sob controle no Brasil é falsa', diz Flávio Dino

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), defendeu hoje no UOL Debate que o isolamento é a melhor medida para evitar a disseminação do coronavírus. "É falsa a ideia de que a pandemia está sob controle no Brasil", disse Dino.

Dino disse ainda que a postura do governo estadual é para evitar "a cena que estamos vendo em vários lugares de pessoas que não conseguem entrar no sistema hospitalar"

O infectologista da Fiocruz, Julio Croda, concordou com o governador e destacou que essa cena é comum por conta da desigualdade hospitalar no sistema brasileiro.

Croda lembrou que existe um déficit histórico na distribuição de UTI's nas regiões Norte e Nordeste. "Todas essas cidades trabalham no limite em termos de leitos de UTI, diferente das regiões sudeste e sul que tem capacidade de instalação de UTI, tanto no privado como no público, maior". 

"No Maranhão é que temos hoje instalados 188 leitos de UTI e uma taxa de ocupação média que vai girando de 50 a 60%", ressaltou Dino. 

Apesar disso, Dino disse que tem garantido um nível de atividade econômica no estado para garantir empregos.

Por Alderi Dantas, 23/04/2020 às 13:16

Governo do RN edita decreto prorrogando isolamento até dia 5 e suspensão das aulas até 31 de maio

O Governo do Estado do Rio do Grande do Norte editou novo documento com medidas restritivas de combate e controle do novo coronavírus, causador da covid-19. O decreto Nº 29.634, publicado nesta quinta-feira (23), no Diário Oficial do RN, prorroga o período de isolamento social até o dia 05 de maio e amplia o leque de serviços autorizados a funcionar de acordo com as regras de vigilância sanitária.

Pelo presente documento, que revoga o Decreto Estadual nº 29.583, de 1º de abril de 2020, continua suspenso o funcionamento de restaurantes, lanchonetes, praças de alimentação, praças de food trucks, bares e similares, salvo para entrega em domicílio (delivery) e como pontos de coleta (takeaway), sendo vedada a disponibilização de mesas e cadeiras.
As atividades coletivas de qualquer natureza, públicas ou privadas, incluindo eventos de massa, shows, atividades desportivas, feiras, exposições, carreatas, passeatas e congêneres, continuam vetadas.

A lista de atividades essenciais foi ampliada e inclui os serviço de podologia; construção civil; produção, distribuição, comercialização e entrega, realizadas presencialmente ou por meio do comércio eletrônico, de produtos de saúde, higiene, alimentos, bebidas não alcoólicas, tecidos, aviamentos, armarinhos, materiais de construção ou reforma e de suprimentos agrícolas, incluindo mercados, supermercados, hipermercados, quitandas, açougues, peixarias, padarias, distribuidores, atividades de venda e locação de automóveis, o funcionamento de lojas de construção com ar-condicionado e lojas de conveniência.

Os escritórios de advocacia privada também estão autorizados a funcionar, bem como atividades necessárias a viabilizar a entrega de cargas e o transporte em geral, incluindo oficinas, borracharias e lojas de autopeças; oficinas de máquinas e equipamentos agrícolas. Além disso, também podem funcionar com as restrições sanitárias: hotéis, flats, pousadas e acomodações similares; serviços de locação de máquinas, equipamentos e bens tangíveis; atividades de agências de emprego e trabalho temporário; serviços de reparo de computadores e bens pessoais domésticos e serviços de lavanderia; atividades financeiras, de seguros e de contabilidade; serviços de venda e locação de imóveis; e serviços de higiene pessoal, incluindo barbearias, cabeleireiros e manicures.

O novo decreto esclarece que a suspensão de atividades não atinge as indústrias e recomenda, sempre que possível, um horário exclusivo para o atendimento de clientes do grupo de risco da pandemia. Também recomenda a utilização de máscaras, sejam industriais ou caseiras, ao acesso dos estabelecimentos que estão em funcionamento.

A suspensão das atividades escolares foi estendida até o dia 31 de maio.

Para discutir, planejar e elaborar um plano que visa a retomada do funcionamento do comércio e da economia em geral, foi criado um Grupo de Trabalho com representantes do Governo, dos empresários, do comitê científico estadual e da Federação dos Municípios.

Por Alderi Dantas, 23/04/2020 às 06:35

22/04/2020

Governo Bolsonaro volta atrás e diz que não pode antecipar 2ª parcela do auxílio de R$ 600

O Ministério da Cidadania do governo Jair Bolsonaro divulgou uma nota nesta quarta-feira (22) informando que o governo não poderá antecipar o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600, aprovado pelo Congresso para o momento da pandemia de coronavírus.

O pagamento estava previsto para começar no dia 27, mas, na última segunda (20), a Caixa Econômica Federal organizou uma entrevista coletiva e anunciou a antecipação para esta quinta (23).

O ministério alega que, como muitas pessoas sequer receberam a primeira parcela, seria necessária a abertura de crédito suplementar para garantir a antecipação da segunda parcela e o pagamento dos valores restantes da primeira.

“Por fatores legais e orçamentários, pelo alto número de requerentes que ainda estão em análise, estamos impedidos legalmente de fazer a antecipação da segunda parcela do auxílio-emergencial”, diz a nota. O ministério não informou a nova data do pagamento da segunda parcela.

Por Alderi Dantas, 22/04/2020 às 23:37

Senado aprova inclusão de artistas de várias áreas no auxílio emergencial

O Senado aprovou nesta quarta-feira (22) proposta que acrescenta nominalmente categorias como beneficiárias da renda emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais e intermitentes durante a pandemia do coronavírus. O texto prevê outros detalhes sobre a ajuda, como a extensão a artistas e profissionais da cultura que em meio à crise do coronavírus muitos tiveram seus contratos cancelados ou adiados, por conta do isolamento social, e perderam sua principal fonte de renda.

O projeto lista também mães adolescentes solteiras, e a inclusão de pais solteiros que como as mães chefes de família, receberão R$ 1,2 mil e outras categorias.

Agora o projeto segue para a análise do presidente da República.

Quem pode receber os R$ 600

>>> Pescadores profissionais e artesanais e os aquicultores; os agricultores e agricultoras familiares; os arrendatários, extrativistas, silvicultores, beneficiários dos programas de crédito-fundiário, assentados da reforma agrária, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais; os técnicos agrícolas;

>>> Os trabalhadores das artes e da cultura, entre eles, os autores e artistas, de qualquer área, setor ou linguagem artística, incluindo intérpretes e executantes, e os técnicos em espetáculos de diversões; ou ainda os artistas;

>>> Os cooperados ou associados em cooperativa ou associação de catadores e catadoras de materiais recicláveis; os cooperados ou associados em cooperativa ou associação;

>>> Os taxistas e os mototaxistas; os motoristas de aplicativo; os motoristas de transporte escolar; os trabalhadores do transporte de passageiros regular; os microempresários de vans e ônibus escolares; os caminhoneiros; entregadores de aplicativo; as diaristas;

>>> Os agentes de turismo e os guias de turismo;

>>> Os seringueiros; os mineiros; os garimpeiros, definidos como aqueles que, individualmente ou em forma associativa, atuem diretamente no processo da extração de substâncias minerais garimpáveis;

>>> Os ministros de confissão religiosa e profissionais assemelhados;

>>> Os profissionais autônomos da educação física; os trabalhadores do esporte, entre eles os atletas, paratletas, técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, árbitros e auxiliares de arbitragem, de qualquer modalidade, incluindo aqueles trabalhadores envolvidos na realização das competições;

>>> Os barraqueiros de praia, os ambulantes, os feirantes, os camelôs e as baianas de acarajé; os garçons; os marisqueiros e marisqueiras e os catadores de caranguejos; os artesãos; os expositores em feira de artesanato; os cuidadores; as babás;

>>> As manicures e pedicures; os cabeleireiros, os barbeiros, os esteticistas, os depiladores e os maquiadores e os demais profissionais da beleza; os empreendedores individuais da categoria da beleza, cosméticos, terapias complementares, arte-educação e atividades similares;

>>> Os empreendedores independentes das vendas diretas; o vendedor de pipoca que trabalhava em frente à escola, o vendedor decachorro quente que ficava na frente da igreja, os vendedores do marketing multinível, os vendedores porta a porta;

>>> Os sócios de pessoas jurídicas inativas, dispensada a apresentação da Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (DEFIS); os produtores em regime de economia solidária;

>>> Professores contratados que estão sem receber salário.

Por Alderi Dantas, 22/04/2020 às 20:12

20/04/2020

Covid-19: Bolsonaro torce para que país nunca saiba número exato de mortos

Por Leonardo Sakamoto - Colunista do UOL

Não sabemos a quantidade de mortos produzida pelo coronavírus em território nacional e talvez nem venhamos a saber - para alívio do presidente da República.

Os 2.347 óbitos registrados até este sábado (18) são apenas um retrato atrasado e imperfeito da situação em que estamos. Se há uma fila de vítimas fatais cujas amostras esperam para serem analisadas, outras tantas nunca vão ostentar em seus atestados a causa real de suas mortes porque não houve coleta pela escassez de testes.

Pesquisadores do Observatório Covid-19 apontaram ao UOL que, na última quarta (15), quando o país registrava oficialmente 1.736 mortes, o número real estaria entre 3.800 (em uma projeção conservadora) e 15.600 (em uma mais pessimista). E o governo de Pernambuco, só para citar um exemplo fora do eixo Rio-São Paulo, ao montar uma força-tarefa para coletar sangue das pessoas mortas por problemas respiratórios, fez a letalidade dar um salto.

A situação, que traz angústia para famílias (que nunca saberão o motivo do falecimento) e desespero a gestores públicos e profissionais de saúde (que estão trabalhando às escuras para tratar pacientes e planejar o enfrentamento da crise), é um alento para Jair Bolsonaro. Pois a narrativa que tenta vender é que o grande inimigo do país não é uma pandemia assassina transmitida por contato social, mas as ações de governadores e prefeitos para reduzir a velocidade de contágio e, portanto, evitar o colapso do sistema de saúde.

Como haverá mais empregos perdidos e negócios fechados do que pessoas mortas, ele aposta na minimização da questão sanitária a fim de garantir que não comecem a lhe servir café frio antes de outubro de 2022.

As hordas de bárbaros que realizam carreatas com buzinaços em frente a hospitais e travam a passagem de ambulâncias, pedindo o retorno à normalidade por decreto (como se o vírus respeitasse o Diário Oficial), provavelmente só se importam com mortos se eles têm seu sobrenome.

Mas a maioria racional da população consegue ponderar dados concretos na balança da vida. Se tivéssemos números de óbitos reais, dificilmente o apoio à quarentena estaria caindo (em duas semanas, foi de 76% para 68%, de acordo com o Datafolha). Por mais duro que seja o impacto econômico deste momento, é difícil ignorar o problema quando ele deixa o anonimato e ganha rosto conhecido.

O sucesso de sua estratégia depende do ruído que consegue provocar nas redes sociais, gerando desinformação, aliado ao silêncio dos atestados de óbito. É feio jogar com os mortos. Mas sorte do presidente que os mortos não falam.

Postado em 20/04/2020 às 21:28