14/10/2018

A democracia diante do abismo

Por Leonardo Boff - Teólogo, filosofo e escritor

Há momentos na vida em que temos que escolher de que lado politicamente nos colocamos.
Ou do lado da democracia que respeita as liberdades, permite a manifestação dos cidadãos e se entende dentro de um Estado democrático de direito.

Ou do lado de quem a nega, exalta a ditadura militar de 1964, magnifica seus torturadores, que, segundo ele, nem deviam torturar, mas simplesmente fuzilar, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que abomina e prega a repressão aos homoafetivos, que desmoraliza os quilombolas que, segudo ele, nem servem para reproduzir, que despreza os indígenas,que patrocina uma arma na mão de cada brasileiro e que publicamente humilha a própria filha, fruto de uma “fraquejada” e seria incapaz de amar um filho homoafetivo.

Esse, um ex-capitão aposentado, sem qualquer experiência de administração pública que confessa que nada entende de economia, de saúde e de educação, pois para isso existem os respectivos ministros….Nem se dá conta de que é missão do Presidente definir as políticas públicas, mostrar um rumo para a nação e entregar as execuções a ministros competentes.

Tal candidato majortiário nas eleições do primeiro turno e no segundo igualmente mostrando larga vantagem sobre seu concorrente, mostra claro viés nazifascista, seja na linguagem, seja nos gestos, seja na brutalidade de suas expressões.

É uma vergonha para o país a inconsciência da maioria dos partidos que não vencendo nas eleições, o apoiam explicitamente ou deixaram seus seguidores livres para escolher o canditado. Pensam na parte que é o partido e não no todo que é o Brasil.

Essa neutralidade, neste momento histórico de grande risco para a democracia, se revela irresponsável. O ressentimento e o ódio que tomou conta de boa parte da sociedade, são os piores conselheiros para a convivência de uma sociedade minimamente civilizada.

Não vale culpar o povo, dizendo que é ignorante mas que, afinal, foi sua opção. A ignorância e falta de consciência é fruto da vontade das velhas oligarquias e do capitalismo selvagem que grassa entre nós. Sempre quiseram um povo ignorante e sem consciência de seus direitos, para melhor manipulá-lo e garantir seus privilégios. Não temem um pobre mas têm pavor de um pobre conscientizado de sua cidadania e que reclama seus direitos.

Estes, como mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues, estudando as relações entre as oligarquias e o povo, sempre conspiraram contra ele, o humilharam e lhe negaram direitos e jamais tiveram um projeto político para ele.

O ex-capitão de caris fascista se alinha nesta tradição. Chegou até a copiar o lema de Hitler, “Deutschland über alles” traduzindo, “Brasil acima de tudo”. Em seu estilo rude, fora da civilidade democrática, promete combater a violência reinante com mais violência ainda, sem se dar conta de que as vítimas primeiras serão os pobres, os negros e negras, os que têm outra opção sexual. Só na perspectiva de sua vitória, seus seguidores estão antecipando a violência, chegando até a assassinar um famoso mestre de capoeira na Bahia e marcar uma suástica, com faca, na perna de uma jovem mulher no Rio Grande do Sul.

No momento atual, conta mais uma frente ampla do que os partidos, em defesa da democracia ameaçada e dos direitos fundamentais negados. Vivemos tempos de urgência. As diferenças devem ser relativizadas face a um perigo que pode ameaçar o destino de nosso país e afetar de forma negativa os países vizinhos, cujas democracias são também de baixa intensidade. O ascenso direitista no mundo, seja na Europa e nos EUA sairia fortalecido e representaria uma regresso a tempos sombrios vividos na Europa sob o tacão de Hitler e de Mussolini.

Hoje sabemos que eles irromperam com um discurso semelhante ao candidato fascistóide: prometendo segurança e repressão a todos os que se lhes opunham, muitos deles assassinados ou enviados às câmaras de extermínio. Raros conseguiram refugiar-se no exílio, como Einstein, Freud, Brecht, Arendt e outros e outras. Não queremos que essa história se repita em nosso país.
Por isso, vale respeitar a liberdade do voto, mas que seja consciente e que meça seu significado para si mesmo, para seus familiares e para o futuro de nosso país.

Não podemos passar aos olhos dos estrangeiros que se preocupam enormemente com as nossas eleições, como uma nação pária que regride a tempos e à políticas malévolas que todos queremos repetir:”Nunca mais”.

Postado em 14/10/2018 às 19:00

12/10/2018

UFRN e IFRN repudiam atos de violência por intolerância política

A Universidade Federal o Rio Grande do Norte (UFRN) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) lançaram notas oficiais em repúdio aos casos de violência motivados por questões político-partidárias.

Na última semana, segundo denúncias feitas em redes sociais, dois casos de agressão foram registrados na UFRN.

A UFRN divulgou que tomará as medidas legais cabíveis para evitar que atos de intolerância aconteçam dentro do ambiente universitário. Por sua vez, o IFRN aponta que o diálogo e a educação são os “caminhos para superar o momento de tensão e construir um país com mais inclusão e democracia”. segue as notas:

A UFRN contra a intolerância e na defesa da Democracia

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vem a público reiterar sua postura de defesa da pluralidade de pensamento e de respeito às liberdades políticas e individuais, ao mesmo tempo em que repudia veementemente todo ato de violência a qualquer cidadão brasileiro. Entende-se que a existência da Universidade, pilar do desenvolvimento científico e tecnológico nacional, depende do exercício da liberdade de opinião, caracterizando-se como um espaço incompatível com qualquer forma de intolerância ou opressão.

A UFRN externa sua preocupação e lamenta profundamente a disseminação de atos de constrangimento e violência física e moral, ocorridos em todo o país por motivação político-eleitoral, inclusive os que atingem membros da sua comunidade universitária.

Caminho para construir um país justo, inclusivo e democrático, a UFRN, como instituição federal de ensino superior pública, gratuita, autônoma e de qualidade, adotará todas as medidas legais cabíveis para coibir que atos de violência se repitam no âmbito da Instituição, da mesma forma em que manterá sua postura incondicional de defesa da Democracia e contra todo tipo de preconceito e discriminação em nosso país.

Reitora Ângela Maria Paiva Cruz

Vice-Reitor José Daniel Diniz Melo


Nota do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN)

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), diante de casos de agressão sofridos por cidadãos de todo país, inclusive da Instituição, devido ao momento político-eleitoral, torna público seu posicionamento de defesa às diferenças e direitos de expressão garantidos pela democracia.

Os casos de intolerância também foram citados em nota pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a qual o IFRN se solidariza e se une como instituição de ensino pública, autônoma e de qualidade referenciada socialmente. Desse modo, lamenta os casos de violência física e moral sofridos por qualquer cidadão e aponta o diálogo e a educação como caminhos para superar o momento de tensão e construir um país com mais inclusão e democracia.

O posicionamento toma como base um dos principais norteadores das ações do Instituto, a sua função social, a qual enfatiza o compromisso com a formação humana integral, o exercício da cidadania e a produção e a socialização do conhecimento, “visando, sobretudo, à transformação da realidade na perspectiva da igualdade e da justiça sociais”.

Reiotr Wyllys Farkatt Tabosa

Por Alderi Dantas, 12/10/2018 às  18:46 

11/10/2018

Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques violentos em todo o país

Uma jornalista esfaqueada e ameaçada de estupro. Um carro jogado em cima de um jovem com camiseta do Lula que conversava em frente ao bar com os amigos. Uma jovem presa e agredida, jogada nua em uma cela da delegacia. Outro jovem recebe um adesivo colado à força nas suas costas, com um tapa, e depois recebe uma rasteira para cair no chão.

Todos esses ataques violentos aconteceram desde o dia 30 de setembro, em meio ao acirramento da violência eleitoral. Um levantamento inédito realizado pela Pública em parceria com a Open Knowledge Brasil revela que houve pelo menos 70 ataques nos últimos 10 dias no país.

A grande maioria dessas agressões foi feita por apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato do PSL que está à frente nas pesquisas eleitorais. Isso mostra que as declarações de Bolsonaro que incitam a violência contra mulheres, LGBTs, negros e índios e a violência policial estão ecoando país afora e se transformaram em agressões físicas e verbais nestas eleições.

Por outro lado, seus eleitores ou pessoas relacionadas receberam 6 ataques. Em um deles está o caso de um professor da Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) que foi preso no dia 5 de outubro por atropelar comerciantes que vendiam camisetas do presidenciável do PSL. A Universidade nega. Existem ainda situações em que não é clara a afiliação política do agressor.

O levantamento inédito mostra como as situações de violência se espalham pelo país inteiro e não podem mais ser vistas isoladamente.

Por Alderi Dantas, 11/10/2018 às  20:43 - Com informações da Pública Agência de Notícias

10/10/2018

TSE lança página para combater notícias falsas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lança nesta quinta-feira (11) uma página na internet para ajudar a esclarecer o eleitorado brasileiro acerca das informações falsas e falaciosas que vêm sendo disseminadas pelas redes sociais. No entendimento da Justiça Eleitoral, a divulgação de informações corretas, apuradas com rigor e seriedade, é a melhor maneira de enfrentar e combater a desinformação.

Pelo link Esclarecimentos sobre informações falsas, qualquer pessoa poderá ter acesso a informações que desconstroem boatos ou veiculações que buscam confundir os eleitores brasileiros. Diante das inúmeras afirmações que tentam macular a higidez do processo eleitoral nacional, nessa página o TSE apresenta links para esclarecimentos oriundos de agências de checagem de conteúdo, alertando para os riscos da desinformação e clamando pelo compartilhamento consciente e responsável de mensagens nas redes sociais.

Vale referir que o Tribunal Superior Eleitoral tem encaminhado todos os relatos de irregularidades que chegam ao seu conhecimento para verificação por parte dos órgãos de investigação, especialmente Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal. A finalidade é garantir a verificação de eventuais ilícitos e a responsabilização de quem difunde conteúdo inverídico.

Por Alderi Dantas, 10/10/2018 às 20:55

09/10/2018

Se você está preocupado com a crise, deveria se preocupar com o plano econômico de Jair Bolsonaro

Por Alexandre Andrada, do The Intercept Brasil

Ler o programa de governo de Jair Bolsonaro, intitulado O Caminho da Prosperidade, é aventurar-se pela cabeça do candidato e de sua equipe. E esse é o lado ruim.

Assusta que um candidato apresente um projeto tão pífio para uma campanha presidencial. Assusta que esse candidato seja o atual líder nas pesquisas de opinião. Bolsonaro é uma ameaça não só para nossa democracia, mas também para nosso desenvolvimento econômico e para os nossos frágeis avanços sociais. (...) Causa surpresa que o “mercado” brasileiro, após o fracasso da candidatura de Alckmin (PSDB) e Meirelles (MDB), tenha abraçado Bolsonaro como um candidato sério, viável e preferível às demais alternativas. De novo: um governo Bolsonaro implica em um risco grave para nossas instituições políticas e econômicas. Isso fica evidente para qualquer analista que se preste a estudar seus atos, palavras e propostas. Não por acaso, a revista The Economist, que nem o mais tresloucado apoiador de Bolsonaro ousaria classificar como “esquerdista”, “petista” ou “bolivariana”, o classificou como “uma ameaça”, afirmando que ele seria “um presidente desastroso”.

LEIA o conteúdo completo desta reportagem AQUI.

Por Alderi Dantas, 09/10/2018 às 19:13 

08/10/2018

CNBB pede a católicos que elejam candidatos favoráveis à democracia

Depois de se posicionar publicamente no primeiro turno das eleições gerais no país contra discursos de ódio e violência, agora a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pede ao eleitor católico que, ao escolher seus candidatos na votação de segundo turno, atente para aqueles que ajudem a preservar, e não a destruir, sistemas democráticos.

Em entrevista ao UOL nessa segunda-feira (8), o secretário-geral da entidade e bispo auxiliar de Brasília, dom Leonardo Steiner, afirmou que esse é um tema que os próprios padres podem abordar nas celebrações religiosas, com a ressalva de que, por lei, não podem se manifestar, nessas ocasiões, a respeito de candidaturas. "Os padres não podem, pela legislação, defender um ou outro candidato, mas podem falar sobre a importância da preservação da democracia", ressalvou.

Steiner evitou se posicionar sobre a polarização que envolve a disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), candidaturas alinhadas a campos ideológicos opostos.

"Temos duas candidaturas à Presidência, mas somos a favor é da democracia. O que pedimos é que o eleitor católico observe se os candidatos pregam mais ou menos democracia; se buscam a convivência fraterna com base da educação, no respeito e justiça social, ou não", declarou.

Por Alderi Dantas, 08/10/2018 às  23:39

07/10/2018

Herança a ser deixada por Temer é um desastre nacional

Por Marcio Pochmann - Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas


Após dois anos de governo, Temer já antecipa a herança que ficará para a próxima administração federal a ser iniciada em janeiro de 2019: o empobrecimento do setor produtivo nacional. A situação não se encontra ainda mais grave devido à política econômica anteriormente conduzida pelos governos liderados pelo PT, como uma espécie de “colchão de proteção” protagonizado pelas reservas externas em mais de 370 bilhões de dólares.

Sem isso o Brasil estaria caminhando pela “hora da morte”, conforme atualmente ocorre na economia da Argentina. Depois de mais de dois anos do governo Macri apostando no receituário neoliberal, cujo corte nos gastos públicos elevou a taxa de pobreza a mais de um quarto da população, trouxe de volta a fuga de dólares, a inflação e o desespero de ter que recorrer ao FMI, sobrando maior desânimo à sustentação do crescimento econômico.

O Brasil também enfrenta problemas equivalentes, cujos resultados não são tão dramáticos em função de o Banco Central poder dispor de amplas reservas internacionais para ofertar moeda estadunidense em quantidade mais do que suficiente para evitar corrida intensa contra o real. Mas isso não alivia, contudo, a problemática do setor produtivo, após a divulgação pelo IBGE da Pesquisa Industrial Anual (PIA) referente ao ano de 2016.

Diante da investigação de 3,4 mil produtos das empresas industriais com 30 ou mais pessoas ocupadas, constata-se que o sistema produtivo brasileiro teve como principal receita de vendas, o óleo diesel, os óleos brutos de petróleo, o álcool etílico desnaturado para fins carburantes e as carnes frescas ou refrigeradas. Na dimensão das grandes regiões, percebe-se que no Nordeste prevalece o óleo diesel como sendo o principal produto industrial vendido, enquanto a região Norte destaca-se com as vendas da produção de minério de ferro.

Para as regiões Centro Oeste e Sul, a carne foi a principal receita obtida entre as vendas de toda a produção industrial. As carnes de bovinos frescas ou refrigeradas destacaram-se na região Centro Oeste, ao passo que no Sul, os mais importantes produtos industriais vendidos foram as carnes e miudezas de aves congeladas.

O empobrecimento das cadeias industriais é visível, resultando da aplicação contínua de uma política neoliberal que levou à recessão e segue se mostrando incapaz de fazer com que o Brasil volte a crescer de forma sustentada. Somente no ano de 2016, por exemplo, os principais produtos industriais que decaíram de importância foram a massa de concreto para construção civil, os computadores pessoais portáteis, os caminhões e os medicamentos.

Em síntese, a indústria nacional se empobrece cada vez mais ao se especializar em produtos com menor valor agregado, fortemente associado a recursos naturais disponíveis e ao custo rebaixado da força de trabalho. Com isso, o mercado interno esvazia o seu potencial de expansão, sendo cada vez mais atendido pela importação de produtos com maior valor agregado e elevado conteúdo tecnológico.

O avanço acelerado do processo de desindustrialização no Brasil resulta de erros de várias políticas governamentais, mas fundamentalmente do neoliberalismo que parte do conceito de que o setor produtivo depende espontaneamente de sua própria capacidade de competir no mundo onde as medidas de proteção nacional são cada vez maiores. O desastre nacional se acentua, já antecipado como principal herança do governo Temer ao próximo governo a ser eleito.

Postado em 07/10/2018 às 01:30

05/10/2018

Imprensa do mundo todo fala em ameaça para democracia do Brasil

Alvo de reportagens e artigos de opinião em jornais e revistas do mundo todo, o candidato do PSL para a Presidência da República, Jair Bolsonaro, tem chamado a atenção sobretudo pelo seu perfil e pela ameaça que representa, segundo todas as publicações, à democracia brasileira.

Referência para investidores no mundo inteiro, o britânico Financial Times publicou nesta sexta-feira (5) o artigo “O ‘destino trágico’ do Brasil com a rebelião antidemocrática surgindo novamente”.

“Se Bolsonaro, um apoiador da ditadura militar do Brasil e até recentemente um párea político, se comprovar um desastre como presidente, tanto melhor. O sistema político implodiria, e o Brasil poderia recomeçar de novo”, afirmou o correspondente do Financial em São Paulo, Joe Leahy.

“Para um eleitorado raivoso, o ardente Bolsonaro pode ser o candidato perfeito — um homem-granada com o pino removido, pronto para jogar no sistema político moribundo do Brasil.”

O jornal francês Libération, em seis páginas publicadas nesta quinta-feira (4), resumiu o candidato como “racista, homofóbico, misógino e pró-ditadura”. Suspirou em seguida: “E ele ainda seduziu o Brasil”.

A revista The Economist trouxe na capa da última edição seu rosto em amarelo, sob fundo verde, com a manchete: “A última ameaça da America Latina”. Na reportagem, o chama de “um populista de extrema direita” e adverte os brasileiros para o risco de, ao elegerem Bolsonaro, “correrem o risco de tornar tudo pior”.

Ao descreverem candidatos e processos eleitorais, os meios estrangeiros tendem a sintetizar aos seus leitores os perfis dos concorrentes, as perspectivas e riscos para o país, as idiossincrasias locais de uma maneira que a imprensa nacional tende a fazer apenas em editorais e artigos de opinião.

Por Alderi Dantas, 05/10/2018 às  20:16 

04/10/2018

Não podemos tolerar um nazista na presidência do Brasil

Por Alex Solnik - Jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

Essa eleição não é uma festa democrática como vinha sendo desde 1989; é uma guerra. É uma luta de vida ou morte entre a democracia e a volta da ditadura. A volta da ditadura é claramente encarnada por Bolsonaro. Sua candidatura não é uma homenagem à democracia, é uma ameaça. Sua campanha dissemina a violência e a intolerância. A ameaça paira sobre todos os brasileiros e sobretudo sobre os políticos. Nessa eleição não será apenas eleito um candidato (a). Vai ser escolhido o futuro do Brasil.

É inconsequente, irresponsável e inútil mirar em inimigos imaginários. E democratas brigarem entre si quando há um inimigo imensamente mais perigoso que usa a democracia para acabar com ela. O único inimigo é Bolsonaro. Ele tem de ser chamado pelo nome. Nazista.

A sua coligação se chama “O Brasil acima de tudo”. O lema de Hitler era “Deutshland uber alles”(“A Alemanha acima de tudo”). Coincidência ou admiração? Em uma entrevista durante seu mandato de deputado federal ele disse que não se importava em ser associado a Hitler. “Ficaria se me chamassem de gay” afirmou. Está na internet. Em outra entrevista que pode ser vista nas redes sociais ele diz que o Brasil não tem solução através do voto. “Só uma guerra civil resolve” disse ele. Em outro vídeo, também disponível na rede, ele diz, durante essa campanha presidencial que “a maioria tem que ditar as regras e as minorias ou se adequam ou desaparecem”.

É preciso dar mais alguma prova da incomensurável desgraça que promete se abater sobre todos nós caso brasileiros que não sabem o que fazem o coloquem no Palácio do Planalto? As imagens da ditadura nazista desapareceram da memória dos brasileiros? Os eleitores ignoram o que ocorreu na Alemanha? De como as promessas de prosperidade e glória viraram sangue, miséria e horror?

Os candidatos que defendem a democracia e o bem estar dos brasileiros não podem se omitir diante do risco de um nazista dirigir um dos maiores países do mundo. “Vote em qualquer um de nós” deveriam dizer, em uníssono “menos no candidato nazista”.

Postado em 04/10/2018 às 19:50 - Fonte: Site Brasil 247 de 22 de setembro de 2018

03/10/2018

Educação, Saúde e Segurança Pública são as principais competências do governador

No próximo domingo, 7, os brasileiros vão escolher os governadores das 27 unidades da federação. E em meio a tantas promessas, é bom saber o que um gestor estadual pode e não pode fazer.

O governador administra o estado e representa em ações jurídicas, políticas e administrativas.

Para temas locais, ele atua com auxílio da Assembleia Legislativa. Sobre assuntos de alcance nacional, age em conjunto com deputados federais e senadores do estado.

No caso do Distrito Federal, o governador também exerce funções que cabem a prefeitos, porque o DF tem características de estado e município.

Uma das principais competências do gestor estadual é a rede de ensino, o sistema de saúde e a segurança pública, como a administração dos presídios e o controle das polícias civil e militar. Mas, em muitos casos, é preciso também apoio do governo federal, seja na definição de políticas públicas ou de financiamento.

Essas três áreas (Educação, Saúde e Segurança Pública) são classificadas como os principais parâmetros de equilíbrio nas sociedades desenvolvida.

Além disso, o gestor estadual deve trabalhar em sintonia com os prefeitos, mesmo com diferenças partidárias. Isso porque o trabalho harmônico de governador e gestor municipal deve zelar pelo bem da população.

Por Alderi Dantas, 03/10/2018 às  20:30

02/10/2018

Ricardo Semler alerta “companheiros da elite” contra apoio a Bolsonaro

O empresário Ricardo Semler, sócio da Semco Style Institute e fundador das escolas Lumiar, assina artigo na Folha desta terça-feira (2), com o título “Alô, companheiros de elite”, onde condena veementemente o apoio recorrente de empresários e colegas a qualquer candidatura que seja capaz de vencer o PT, inclusive agora ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

O blog do Alderi Dantas reproduz o notável artigo do empresário Ricardo Semler,


Alô, companheiros de elite

Por Ricardo Semler - Empresário

Na Fiesp, quando eu tinha 27 anos e era vice do Mario Amato, convidávamos outsiders para uma conversa no bar. Chamei o FHC, que estava na mídia com a pecha de maconheiro. Chamamos os 112 presidentes de sindicato, vieram 8. Ninguém topava falar com "comunista". Alguns anos depois, fui ao Roda Viva para alertar contra a eleição do Collor, queridinho passional das elites.

Recentemente, realcei que a ida das elites à Paulista para derrubar a Dilma equivalia a "eleger" o Temer e seus 40 amigos. Ninguém da elite quis ir às ruas para pedir antecipação de eleições. Erraram feio, como no passado, ou como quando deram as chaves da cidade ao Doria. Quanta ingenuidade.

Agora, estremeço ao ouvir amigos, sócios e metade da família aceitando a tese de que qualquer coisa é melhor do que o PT. Lá vamos nós, de novo. As elites avisaram que 800 mil empresários iriam para o aeroporto assim que Lula ganhasse. Em seguida, alguns dos principais empresários viraram conselheiros próximos do homem.

Sabemos que, em vencendo Haddad, boa parte da Faria Lima e da Globo se recordará subitamente que foi amiga de infância do Fernandinho --"tão boa pessoa, nada a ver com o Genoino, gente!".

A reação de medo e horror da esquerda, Ciro incluso, é ignorante. Vivemos, nós da elite, atrás de muros, cercados de arames farpados e vidros blindados, contratando os bonzinhos das comunidades para nos proteger contra favelados. Oras, trocar vigias com pistolas por seguranças com fuzis é um avanço? Ou é melhor aceitar que o país é profundamente injusto e um lugar vergonhoso para mostrarmos para amigos estrangeiros?

Vamos continuar na linha do projeto Marginal, plantando ipês lindos para desviar a atenção do rio?

Não compartilho com os pressupostos ideológicos do PT e —até pouco— fui filiado a um partido só, o PSDB. Nunca pensei em me filiar ao PT, nunca aceitaria envolvimento num Conselhão de Empresários, por exemplo.

Apenas reconheço que as elites deste país sempre foram atrasadas, desde antes da ditadura, e nada fizeram de estrutural para evitar o sistema de castas que se instalou.

Nenhum de nós sabe o que é comprar na C&A e ser seguido por um segurança para ver se estamos para roubar, por sermos de outra cor de pele. Todos nós nos anestesiamos contra os barracos que passamos a caminho de GRU, com destino à Champs Élysées.

Este é um país que precisa de governo para quem tem pouco, a quase totalidade dos cidadãos. Nós da elite, aliás, sabemos nos defender. Depois do susto, o dólar cai, a Bolsa sobe, e voltamos a crescer. Estou começando três negócios novos neste mês.

Qual de nós quer pertencer ao clube dos países execrados, como Filipinas, Turquia, Venezuela? É um clube subdesenvolvido que foi criado à força, mas democraticamente, bradando segurança e autoridade forte. Soa familiar?

Quem terá coragem, num almoço da City de Londres, de defender a eleição de um capitão simplório, um vice general, um economista fraco e sedento de poder, e novos diretores de colégio militares, com perseguição de gays, submissão de mulheres e distribuição de fuzis à la Duterte?

Lembrem-se desta frase do Duterte, a respeito de uma australiana violentada nas Filipinas: "Ela era tão bonita —eu deveria ter sido o primeiro". Impossível imaginar o Bolsonaro dizendo isso?

Colegas de elite, acordem. Não se vota com bílis. O PT errou sem parar nos 12 anos, mas talvez queria e possa mostrar, num segundo ciclo, que ainda é melhor do que o Centrão megacorrupto ou uma ditadura autoritária. Foi assim que a Europa inteira se tornou civilizada. Precisamos de tempo, como nação, para espantar a ignorância e aprendermos a ser estáveis. Não vamos deixar o pavor instruir nossas escolhas. O Brasil é maior do que isto, e as elites podem ficar, também. Confiem.

Por Alderi Dantas 02/10/2018 às 19:39

01/10/2018

RN é 2º com mais denúncias de agressão contra os idosos

Nessa segunda-feira, 1º de outubro, se comemora o Dia do Idoso. Mas o Rio Grande do Norte (RN-Brasil) não têm o que comemorar. O Estado é a segunda unidade da Federação Brasileira com maior número de denúncias de agressão a esse grupo da população. Este ano, já são 343 denúncias registradas no Disque 100, um serviço do Ministério dos Direitos Humanos. E quem agride está próximo da vítima e geralmente dentro de casa.

As pessoas idosas já representam 12,4% da população do Rio Grande do Norte, segundo dados de estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018. Essa taxa representa 430 mil pessoas acima de 60 anos. Com o envelhecimento populacional o futuro será um desafio para as políticas públicas voltadas a faixa. Esse grupo terá um peso cada vez maior na composição da população do estado, explica o tecnologista em Informações Geográficas e Estatísticas do escritório do IBGE no RN, José Aldemir Freire. O envelhecimento da população vai provocar profundas mudanças na sociedade e desafios, analisa Aldemir Freire. “Esses desafios não estarão restritos à questão previdenciária, mas também à saúde, à necessidade de forte crescimento na produtividade do trabalho, à mobilidade urbana, ao lazer dessa população idosa, à moradia”, ressalta.

Por Alderi Dantas 1/10/2018 às 12:43

30/09/2018

O voto mais perigoso para o Brasil

Por Mário Lima Jr. - Do jornalggn.com.br

No dia 7 de outubro, diante das urnas, o voto mais perigoso para o Brasil será aquele que pensa somente em si mesmo. Não leva em consideração que mais de 100 milhões de brasileiros vivem com menos de um salário mínimo por mês (IBGE). E despreza o fato de que a pobreza e a violência afetam principalmente a população negra do país.

O voto mais perigoso não reconhece que a fome voltou a atacar o Brasil durante o governo Temer, embora o combate à pobreza tenha sido uma das mais bem-sucedidas políticas públicas dos 13 anos de governo do PT.

Ele coloca a própria segurança acima de tudo, ainda que inocentes tenham que morrer. Prefere a violência cega e burra, também criminosa, contra a violência dos marginais. O eleitor que vota em quem prega o ódio geralmente não faz parte do grupo social de pessoas que podem ser confundidas e assassinadas a qualquer momento pela polícia militar ou pelas forças armadas. As verdadeiras vítimas querem desenvolvimento social e clamam por paz.

Os eleitores que defendem o fim do Bolsa Família nunca passaram fome. Aqueles que são contra as cotas raciais não se lembram dos universitários negros que foram os primeiros da história da família a entrar na universidade, após diversas gerações. Esses eleitores deixaram de ler sobre as consequências da escravidão desde que saíram do Ensino Médio e não entendem ao menos o significado plural, acadêmico e humano de uma universidade, pensam que é invenção da Esquerda.

Menosprezam os direitos humanos porque nunca foram torturados, como muitos inocentes. O Brasil é o país que mais mata defensores do meio ambiente no mundo inteiro. Se não compreendem um fato estatístico simples, também não compreenderão o significado de uma exceção como Joaquim Barbosa, ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal. Exigem o mesmo heroísmo de cada menino pobre e negro do país, algo improvável sem condições dignas de sobrevivência e educação de qualidade.

Quando existem condições seguras para o desenvolvimento da cidadania, mais cidadãos são formados. E isso não tem nada a ver com escolhas individuais, mas com ciência. No Rio de Janeiro crianças são assassinadas dentro da escola, dentro de casa e no parquinho. Mesmo vestindo uniforme escolar, são assassinadas pela polícia nas ruas. Fetos são atingidos dentro da barriga da mãe. A tal da "questão de escolha" é uma ofensa contra os moradores das periferias do país.

Se o novo Presidente não colocar em primeiro lugar o combate à pobreza, origem dos nossos males, o pobre continuará sofrendo sem esperança. Existe um consenso internacional de que o investimento em educação reduz a pobreza, constatação amparada por estudos como o que a UNESCO fez ano passado. Sendo a educação uma ferramenta importante, fica fácil concluir que também é perigoso para o Brasil o voto direcionado ao candidato que ataca diretamente o Patrono da Educação Brasileira em seu plano de governo.

Postado em 30/09/2018 às 19:00

28/09/2018

Ministério Público do RN apresenta 120 sugestões para execução pelo próximo governo

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) entregou nesta quinta-feira (27) a Agenda Propositiva da instituição aos candidatos ao Governo do Estado nas eleições deste ano. A solenidade de entrega aconteceu no plenário da sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Natal. Dos oito convidados, sete compareceram. O ausente foi o governador Robinson Faria (PSD), que tenta a reeleição. O documento apresenta uma série de pontos que devem ser melhorados nas políticas públicas.

“Com a entrega da Agenda, reiteramos a nossa postura de sempre propor soluções para a garantia de direitos da população potiguar. Apresentamos sugestões de incremento em políticas públicas nas mais diversas áreas, como também pontos sensíveis que merecem atenção imediata do futuro gestor”, disse o procurador geral de Justiça do RN, Eudo Rodrigues Leite.

A Agenda Propositiva do MPRN mostra pontos que devem ser melhorados em relação à Segurança Pública, Saúde, Patrimônio Público, Infância e Juventude, Cidadania/Inclusão e Meio Ambiente. Ao todo, são 120 medidas apresentadas, sendo a maioria delas – um total de 40 – relativas somente à Segurança Pública.

“O objetivo principal desse momento é chamar a atenção dos candidatos para problemas sérios que vêm sendo acompanhados pelo Ministério Público em diversas áreas e necessitam de uma melhoria na ação do Estado”, destacou a procuradora geral de Justiça adjunta do RN, Elaine Cardoso.

Confira aqui a Agenda Propositiva do MPRN.

Por Alderi Dantas, 28/09/2018 às 12:44

27/09/2018

FENAJ apresenta carta aos candidatos a presidente e também se dirige à categoria e à sociedade

Em carta aberta, Federação dos Jornalistas defende o Jornalismo como base da democracia e pede aos candidatos a presidente do Brasil um novo marco regulatório para o setor das comunicações, a ser construído a partir de uma nova Confecom.

Carta aberta aos candidatos à Presidência da República.

Jornalismo integra a base da democracia
Introdução
É obrigação dos candidatos ao cargo de maior importância da República apresentar ao povo o plano de governo que pretende implementar, caso eleito. As propostas a serem debatidas, por necessidade, devem tratar dos grandes temas nacionais e, em especial, dos assuntos que são da competência da União.

O setor das comunicações, entretanto, tem sido esquecido. Não há propostas a discutir; não há reflexões sobre o passado, o presente e o futuro. Esse “esquecimento” é proposital e revelador: não mostra a pouca importância do setor, mas a omissão histórica dos governos brasileiros em relação às comunicações, área estratégica para a vida cultural, política e econômica de qualquer nação.

A Constituição brasileira confere à União – e somente a ela – a exploração e/ou organização dos serviços de telecomunicações e da comunicação social. A exploração desses serviços está majoritariamente nas mãos da iniciativa privada, mas o governo federal não pode deixar de cumprir o seu papel de ser o organizador e fiscalizador do setor, sob pena da prevalência de interesses privados sobre os interesses públicos, como tem ocorrido historicamente.

Assim, o governo federal deve se responsabilizar pelas políticas para a área das comunicações que, em determinados aspectos, é essencial para a garantia da soberania nacional. Também deve assumir a tarefa de fortalecer o sistema público de comunicação, em especial a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), fortemente atacada no atual governo.

A FENAJ, por ser a entidade máxima de representação dos jornalistas brasileiros, chama a atenção especialmente para a Política de Comunicação Social, na qual o Jornalismo deve estar inserido. E reafirma sua reivindicação para que o país se debruce sobre o tema, visando a construção de um novo marco regulatório para o setor e reforça os aspectos que devem ser observados, conforme documento do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), do qual a FENAJ é integrante.

O papel do Jornalismo

A ênfase da FENAJ ao Jornalismo brasileiro justifica-se pela natureza da entidade e, principalmente, em razão da importância do Jornalismo para a constituição da cidadania, elemento fundante da democracia. Sem cidadãos e cidadãs com conhecimento da realidade imediata e capacidade de formulação de juízos não há debate público real nem tomada de decisões conscientes.

O Jornalismo surgiu de uma demanda social das sociedades republicanas, assentadas nos valores da liberdade, igualdade e fraternidade. A princípio, foi o local das manifestações de grupos que defendiam causas específicas. Mas evoluiu; deixou de representar interesses particulares (ainda que justos) para tratar dos interesses coletivos. O Jornalismo passou a defender o interesse público, compreendido como o interesse da maioria.

Mas a mercantilização da informação e o predomínio de grupos econômicos na produção da notícia trouxe novas mudanças, frutos dos tempos atuais. O Jornalismo passou a defender os valores desses novos tempos: redução da presença do Estado; defesa do mercado como condutor das coisas econômicas e políticas; desregulamentação do setor financeiro e das relações de trabalho, e outros preceitos neoliberais.

O que se tem, na atualidade, é a imposição do interesse privado sobre o público, a desconstituição da política como mediadora das relações humanas e sociais, a negação e a criminalização dos movimentos sociais e a defesa do lucro como finalidade última das atividades humanas.

O Jornalismo presente, quase sempre, não defende o interesse público, o interesse da maioria. E não trabalha para que a maioria perceba quais são, de fato, os seus interesses.

Mas essa não é uma condição inexorável; é uma construção humana, de uma época, e que pode/deve ser novamente mudada. O Jornalismo não está condenado à falácia e à manipulação e os jornalistas podem mostrar, com sua prática profissional, que é possível informar à sociedade, reportar fatos, promover o debate de ideias e dar aos cidadãos e cidadãs condições de formar seus juízos e agir em sociedade.

É preciso, ainda, reforçar o papel a ser desempenhado pelo sistema público de comunicação, em especial pela EBC, para a produção de um Jornalismo paradigmático, que sirva de referência para a sociedade.

Para o desenvolvimento do Jornalismo brasileiro e para que os jornalistas tenham garantidas suas condições de trabalho e autonomia intelectual. A FENAJ propõe que o presidente eleito:

– Após aprovação pela Confecom, apresente projeto de lei para criação do Estatuto do Jornalismo Brasileiro, como um dos mecanismos de controle público para garantia da qualidade da informação jornalística difundida pelos veículos de comunicação social, sejam impressos, audiovisuais ou digitais.

– Encaminhe ao Congresso Nacional projeto de lei para criação e implementação do Conselho Federal de Jornalistas, para promover a autorregulamentação profissional, a partir do Código de Ética do Jornalistas Brasileiros (proposta já aprovada na 1ª Confecom).

Uma nova Confecom

É grande o déficit democrático no setor da comunicação social no Brasil, a começar pela concentração da propriedade dos meios nas mãos de poucas famílias ou grupos econômicos. Essa concentração permite o monopólio da pauta dos debates públicos, com interdição de temas e de grupos sociais.

Na área das telecomunicações, há uma desastrosa política de desnacionalização que precisa ser revertida, assim como há a necessidade de fortalecimento da Telebrás, como empresa pública do setor, capaz de garantir a universalização dos serviços.

Também é urgente a adoção de uma política de universalização do acesso à banda larga para que toda a população brasileira, independentemente de seu local de moradia e condição social, tenha acesso à internet.

Todos esses temas, além do Jornalismo e da produção cultural, devem ser objeto de amplo debate nacional para que haja, de fato, uma construção democrática de um novo marco regulatório para o setor das comunicações.

A primeira Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) foi realizada com êxito, no final de 2009, e resultou em 672 propostas aprovadas. Mas não houve seguimento nas ações.

A FENAJ defende que o presidente eleito convoque uma nova Confecom, como ação inicial para a construção de um novo e democrático marco regulatório para o setor.

Brasília, 27 de setembro de 2018.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ

Por Alderi Dantas, 27/09/2018 às 17:36

26/09/2018

Livro mostra hegemonia das famílias Alves e Maia no RN

Quem são essas famílias? O que fazem para se manter no poder há mais de sete décadas? Como “chegaram lá”? O que acontece com os que exercem o poder sem sobrenome “ALVES” ou “MAIA”? Questões como essas encontram-se dissecadas no livro “Família e Política no RN: Alves, Maia e o suporte do Senado”, lançado nesta quarta-feira, 26, pelo cientista político Robson Carvalho. A publicação é fruto da dissertação de mestrado em Ciências Políticas, concluído pelo autor no mês de agosto.

“Esse livro é minha dissertação de mestrado como defendida e aprovada com recomendação de publicação pela banca da pós-graduação de Ciências Sociais (UFRN). Foram dois anos de pesquisas, mais de 60 livros, artigos científicos, teses e dissertações sobre toda a história do plano teórico e do plano prático do Rio Grande do Norte”, explicou Robson.

Segundo Robson, a alternância no Poder por tanto tempo entre os representantes das duas oligarquias jamais ocorreu em outro momento da história política do RN. “Nesse livro eu fui até o período da colônia para tentar descobrir se em algum momento da história política, da dinâmica política do Rio Grande do Norte, algum grupo familiar político, mesmo não sendo familiar, que tivesse permanecido no poder durante tanto tempo. E descobri que não”, conclui o jornalista.

O lançamento do livro fez parte da programação do Setembro Cidadão, mês da cidadania promovido pelo Programa Brasileiro de Educação Cidadã (PROBEC), idealizado e dirigido pelo juiz Jarbas Bezerra e pela advogada Lígia Limeira, que visa despertar o país para a educação cidadã.

Por Alderi Dantas, 26/09/2018 às 20:25

25/09/2018

Institutos veem chance de seca em 2019

O El Niño, responsável pela seca de sete anos no Rio Grande do Norte, pode voltar no final deste ano e início de 2019. É o que apontam a Fundação Cearense de Meterologia e Recursos Hidrícos (Funceme) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A probabilidade é de 60% disso acontecer. Já o Centro de Previsão Climática do NOAH (Administração Oceânica de Atmosfera Nacional) dos estados Unidos publicou que a possibilidade do El Niño neste período é de até 70%. O El Niño castigou o Rio Grande do Norte de 2012 a 2017.

Mesmo com os indicadores apontando para sua volta em dezembro e janeiro e fevereiro de 2019, o meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuário do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, prefere esperar pela configuração total dos indicadores de clima de setembro para confirmar a ocorrência do fenômeno.

Por Alderi Dantas, 25/09/2018 às 20:15