23/10/2018

Facebook remove 68 páginas por atividades inautênticas e motivação política

O Facebook removeu, nesta segunda-feira (22), como parte dos esforços permanentes para proteger a plataforma de abusos, 68 Páginas e 43 contas associadas ao grupo brasileiro Raposo Fernandes Associados (RFA), por violação da política de autenticidade e de spam.

Segundo o Facebook, as pessoas por trás da RFA criaram páginas usando contas falsas ou múltiplas contas com os mesmos nomes, o que viola as políticas da rede social. De acordo com a empresa, havia motivação política e econômica por trás da rede de páginas. A companhia identificou “uma grande quantidade de artigos caça-cliques” que tinham o objetivo de direcionar os usuários para sites com muitos anúncios e pouco conteúdo fora da rede social.

De acordo com professor de marketing político digital pela ESPM Marcelo Vitorino páginas como as que foram derrubadas nesta segunda usam programas automatizados para replicar os conteúdos em grupos dentro da rede social, o que amplia o alcance das mensagens.

Entre as páginas removidas, estão a “Política na Rede”, a “Folha Política”, “MCC - Movimento Contra Corrupção”, que existe desde antes de junho de 2013, a “Gazeta Social” e a “Ficha Social”. A maior parte da rede atuava distribuindo conteúdo anticorrupção e antipetista desde ao menos 2014.

Na nota, o Facebook esclarece que implementou uma série de medidas para proteger o Facebook antes da eleição no Brasil e continua investindo para evitar que abusem de suas plataformas, porque quer que as pessoas se sintam seguras e confiem nas conexões que fazem no Facebook. Em julho, o Facebook retirou do ar 196 páginas e 87 contas associadas ao movimento Movimento Brasil Livre (MBL). O grupo que nasceu pedindo o impeachment de Dilma Rousseff.

Por Alderi Dantas, 23/10/2018 às 00:27

22/10/2018

Bolsonaro propõe a cobrança de mensalidade em universidade federal

A equipe econômica do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) pensa em instituir a cobrança de mensalidade nas universidades federais. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, o objetivo é cobrar para os estudantes que possuem maior renda. A proposta detalha que o dinheiro arrecadado seria transformado em um fundo para o financiamento das vagas ocupadas por estudantes de menor renda.

Questionado pela informação, o presidente da da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Reinaldo Centoducatte, critica a ideia. “Isso não vai resolver o problema. Para começar, a estratégia se baseia em conceitos errados”, indica, detalhando que um estudo realizado pela associação em 2016 mostra que dois em cada três estudantes de universidades federais pertencem às classes D e E. Centoducatte acredita que a mudança pode acabar reduzindo o acesso ao ensino superior, e não o contrário.

Por Alderi Dantas, 22/10/2018 às 21:41

Marina Silva declara voto em Haddad

A ex-presidenciável Marina Silva (REDE) declarou, na tarde desta segunda-feira (22), que votará em Fernando Haddad (PT) no segundo turno da disputa à Presidência do Brasil.

"Diante do pior risco iminente, de ações que, como diz Hannah Arendt, “destroem sempre que surgem”, “banalizando o mal”, propugnadas pela campanha do candidato Bolsonaro, darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que, “pelo menos” e ainda bem, não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad", afirmou Marina.

Abaixo, leia a íntegra da nota com o posicionamento de Marina Silva:

POSICIONAMENTO NO SEGUNDO TURNO

Neste segundo turno a Rede Sustentabilidade já recomendou a seus filiados e simpatizantes que não votem em Bolsonaro, pelo perigo que sua campanha anuncia contra a democracia, o meio-ambiente, os direitos civis e o respeito à diversidade existente em nossa sociedade.

Do outro lado, a frente política autointitulada democrática e progressista não se mostra capaz de inspirar uma aliança ou mesmo uma composição. Mantém o jogo do faz-de-conta do desespero eleitoral, segue firme no universo do marketing, sem que o candidato inspire-se na gravidade do momento para virar a própria mesa, fazer uma autocrítica corajosa e tentar ser o eixo de uma alternativa democrática verdadeira. Alianças vêm de propósitos comuns, de valores políticos e éticos, de programas e projetos compartilhados, que só são possíveis em um ambiente de confiança em que, diante de inaceitáveis e inegáveis erros, a crítica é livre e a autocrítica é sincera. 

Cada um de nós tem, em sua consciência, os valores que definem seu voto. Sei que, com apenas 1% de votação no primeiro turno, a importância de minha manifestação, numa lógica eleitoral restrita, é puramente simbólica. Mas é meu dever ético e político fazê-la.

Importa destacar que, como já afirmei ao final do primeiro turno, serei oposição, independentemente de quem seja o próximo presidente do Brasil, e continuarei minha luta histórica por um país politicamente democrático, economicamente próspero, socialmente justo, culturalmente diverso, ambientalmente sustentável, livre da corrupção, e empenhado em se preparar para um futuro no qual os grandes equívocos do modelo de desenvolvimento sejam superados por uma nova concepção de qualidade de vida, de justiça, de objetivos pessoais e coletivos. O meu apoio à Operação Lava-jato, desde o início, faz parte dessa concepção, na qual o Estado não é um bunker de poder de grupos, mas um instrumento de procura do bem público.

Vejo no projeto político defendido pelo candidato Bolsonaro, risco imediato para três princípios fundamentais da minha prática política: primeiro, promete desmontar a estrutura de proteção ambiental conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas, fazendo uso de argumentos grotescos, tecnicamente insustentáveis e desinformados. Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade e o futuro do país. Ademais, desconsidera os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras, repetindo discursos que já estão desmoralizados e cabalmente rebatidos desde o início da segunda metade do século passado. Segundo, é um projeto que minimiza a importância de direitos e da diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência, à discriminação. Por fim, em terceiro lugar, é um projeto que mostra pouco apreço às regras democráticas, acumula manifestações irresponsáveis e levianas a respeito das instituições públicas e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988.

Por sua vez, a campanha de Haddad, embora afirmando no discurso a democracia e os direitos sociais, evocando inclusive algumas boas ações e políticas públicas que, de fato, realizaram na área social em seus governos, escondem e não assumem os graves prejuízos causados pela sua prática política predatória, sustentada pela falta de ética e pela corrupção que a Operação Lava-Jato revelou, além de uma visão da economia que está na origem dessa grave crise econômica e social que o país enfrenta. 

Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder, pouco afeito à alternância democrática e sempre autocomplacente: as realizações são infladas, não há erros, não há o que mudar.
Ao qualificar ambos os candidatos desta forma, não tenho a intenção de ofender seus eleitores, milhões de pessoas que acreditam sinceramente em um deles ou que recusam o outro, com muitas e justificadas razões. E creio que os xingamentos e acusações trocados nas redes sociais e nas ruas só trazem prejuízos à democracia, mas é visível que, na maioria das vezes, essas atitudes são estimuladas pelos discursos dos candidatos e de seus apoiadores. A política democrática deve estar fortemente aliançada no respeito à Constituição e às instituições, exercida em um ambiente de cultura de paz e não-violência.

Outro motivo importante para a definição e declaração de meu voto é a minha consciência cristã, valor central em minha vida. Muitos parecem esquecer, mas Jesus foi severo em palavras e duro em atitudes com os que têm dificuldade de entender o mandamento máximo do amor. 

É um engano pensar que a invocação ao nome de Deus pela campanha de Bolsonaro tem o objetivo de fazer o sistema político retornar aos fundamentos éticos orientados pela fé cristã que são tão presentes em toda a cultura ocidental. A pregação de ódio contra as minorias frágeis, a opção por um sistema econômico que nega direitos e um sistema social que premia a injustiça, faz da campanha de Bolsonaro um passo adiante na degradação da natureza, da coesão social e da civilização. Não é um retorno genuíno ao mandamento do amor, é uma indefensável regressão e, portanto, uma forma de utilizar o nome de Deus em vão.

É melhor prevenir. Crimes de lesa humanidade não tem como se possa reparar. E nem adianta contar com o alívio do esquecimento trazido pelo tempo se algo irreparável acontecer. Crimes de lesa humanidade o tempo não apaga, permanecem como lição amarga, embora nem todos a aprendam.
Todas essas reflexões me inquietam, mas mostram o caminho da firmeza, do equilíbrio na análise e a necessidade de pagar o preço da coerência, seja ele qual for. 

E assim chegamos, neste segundo turno, ao ponto extremo de uma narrativa antiga na política brasileira, a do “rouba, mas faz” e depois, do “rouba, mas faz reformas”, mas ajuda os pobres, mas é de direita, mas é de esquerda etc. De reducionismo em reducionismo, inauguramos agora o triste tempo do "pelo menos”.

Diante do pior risco iminente, de ações que, como diz Hannah Arendt, “destroem sempre que surgem”, “banalizando o mal”, propugnadas pela campanha do candidato Bolsonaro, darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que, “pelo menos” e ainda bem, não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad.

Por Alderi Dantas, 22/10/2018 às 19:51

UFRN realiza diálogo em defesa da democracia nesta terça, 23

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) realiza na manhã desta terça-feira, 23, a partir das 9h30, no auditório da Reitoria o evento “Diálogos em defesa da democracia: o medo que nos une nos separa?”. Aberta à comunidade em geral, a iniciativa busca sensibilizar os participantes para a necessidade de uma análise crítica das propostas dos candidatos à Presidência da República, no sentido de contribuir para a educação ética e o diálogo atento e respeitoso.

“Será um espaço de escuta atenta e respeitosa, para todas as tendências políticas, buscando-se compreender o medo e outros sentimentos que unem e separam os cidadãos brasileiros neste momento conturbado do nosso país. Partimos da premissa que, em uma sociedade democrática, o medo não pode imperar sobre a argumentação. O diálogo deve ser buscado, garantindo-se o direito primário de falar, escutar, concordar e discordar livremente em um processo virtuoso de convivência humana”, colocou Karla Patrícia Cardoso Amorim, presidente da Comissão de Ética da UFRN.

De acordo com a presidente da Comissão de Ética, Karla Patrícia Cardoso Amorim, as reflexões são imprescindíveis diante do ambiente de polarização, intolerância, raiva, falta de diálogo e medo que se estabeleceu no momento mais significativo do exercício da cidadania, as eleições para a Presidência da República do Brasil.

O evento é realizado pelo do Comitê de Ética da UFRN, por meio do programa Educar com Ética, e conta com parceria da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) e da Pró-Reitoria de Extensão (Proex).

Por Alderi Dantas, 22/10/2018 às 17:47

New York Times faz editorial sobre "escolha triste do Brasil" por Bolsonaro

Do Uol 

O jornal americano The New York Times, um dos principais veículos de comunicação do mundo, publicou editorial neste domingo (21) em que considera a possível eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente como uma "escolha triste do Brasil". 

No texto, escrito pelo conselho editorial da publicação, o NYT afirma que "é um dia triste para a democracia quando a desordem e a decepção levam eleitores à distração e abrem a porta para populistas ofensivos, rudes e agressivos".

Para o jornal, Bolsonaro é um político de direita que tem "pontos de vista repulsivos". O NYT lista declarações do candidato dizendo que preferia que seu filho morresse a ser homossexual; que a deputada Maria do Rosário, sua colega na Câmara, não merecia ser estuprada porque seria "muito feia"; que quilombolas pesavam "sete arrobas" e não faziam nada; e seus questionamentos sobre o aquecimento global. 

A publicação diz ainda que Bolsonaro tem nostalgia pelos "generais e torturadores" da ditadura militar brasileira (1964-1985), abertamente defendida pelo candidato.

O editorial também traça um panorama do atual momento político e social do Brasil, citando a recessão econômica, a Operação Lava Jato, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o impeachment de Dilma Rousseff (PT), as denúncias contra o presidente Michel Temer (MDB) e os altos índices de crimes violentos. "Os brasileiros estão desesperados por mudança", diz o texto. 

"Com este pano de fundo, os pontos de vista nojentos de Bolsonaro são interpretados como sinceridade, sua obscura carreira como parlamentar como a promessa de um forasteiro" que vai limpar a corrupção e "sua promessa de um punho de ferro como a esperança de um alívio" dos altos índices de homicídios, afirma o NYT. 

Para o NYT, se Bolsonaro for eleito, o meio ambiente sairá perdendo, pois o candidato já propôs flexibilizar regras para o desmatamento da Amazônia, sugeriu tirar o Brasil do Acordo de Paris, acabar com o Ministério do Meio Ambiente e interromper a criação de terras indígenas. 

 Postado em 22/10/2018 às 05:30

Candidato à presidência do Brasil ameaça adversários de exílio ou cadeia em discurso transmitido na avenida Paulista

Jair Bolsonaro (PSL) não esteve presente na manifestação ocorrida na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (21), mas, mesmo assim, por intermédio de um vídeo ao vivo exibido em telões, usou do habitual discurso de ódio para atacar. Durante pronunciamento com duração aproximada dez minutos, o militar prometeu: “Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora (exílio) ou vão para a cadeia”, disse, se referindo aos opositores.

Afirmou, ainda, que vai fazer “uma limpeza nunca vista na história desse Brasil” e foi mais além: “Vamos varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil”, afirmou, sob gritos de “Fora PT”.

Apesar de dizer que apoia imprensa livre, seu discurso não é coerente com a afirmação. Ele pediu que seus apoiadores “participem das eleições ativamente” daqui a sete dias, “sem mentiras, sem fake news, sem Folha de S.Paulo”.

O candidato, acusado de se beneficiar de um esquema criminoso e milionário de caixa 2 bancado com dinheiro ilegal por uma rede de empresários, também bradou contra a corrupção, ameaçando Lula e Haddad.

A fala de Bolsonaro repercutiu nas redes sociais. Guilherme Boulos, candidato à Presidência pelo Psol no primeiro turno, diz que não se amedronta com a declaração. "Típico de uma mente autoritária e ditatorial, de quem acha que é dono do país. Seguimos na resistência democrática. #EleNão", tuitou.

Por Alderi Dantas, 22/10/2018 às 00:13

21/10/2018

A neutralidade no segundo turno é o refúgio dos covardes

Por João Filho - The Intercept Brasil

Se você acha que uma vitória de Haddad e do PT representa um sério risco à democracia, então sinto informar que você não entendeu nada do que aconteceu na história recente do Brasil. O partido se manteve no poder por 14 anos, tendo sido eleito por quatro vezes. Goste-se ou não dos seus governos, é inegável que ele respeitou a separação de poderes, não ameaçou a liberdade de imprensa e aceitou o resultado de um processo de impeachment que considerava um golpe.

Diante das manifestações de rua que pediam a sua saída, a presidenta afirmou que elas faziam “parte da democracia”. Dilma foi deposta e desceu a rampa do Planalto sem partir para o enfrentamento. Em nenhum momento, ela ou o PT ameaçaram fechar o Congresso ou colocar as Forças Armadas nas ruas para combater oponentes e barrar o processo que consideravam ilegal. Michel Temer assumiu o poder, e o PT foi para a oposição. Jamais se chegou perto das aberrações institucionais e antidemocráticas capitaneadas por Maduro na Venezuela. Apenas as reginas duartes temiam e temem essa possibilidade.

E Bolsonaro? O governo formado por militares aceitaria tranquilamente essas pressões sem recorrer às Forças Armadas? A se levar em conta os discursos proferidos pelo seu líder nos últimos anos, me parece bastante claro que não. Do ponto de vista do risco à democracia, Bolsonaro está muito mais próximo de Maduro do que de Haddad. Não é preciso ser um analista sofisticado para enxergar isso. Os discursos de Bolsonaro durante sua vida pública atestam o seu desprezo pela democracia. O capitão já afirmou textualmente que se fosse presidente daria um auto golpe assim que fosse eleito, fecharia o Congresso no dia seguinte à posse e fuzilaria o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Declarou ainda ser a favor da tortura e que só uma guerra civil resolveria os problemas do país. Os discursos de Bolsonaro são a própria “venezuelização” do Brasil.

General Mourão, seu vice, vem fazendo declarações ostensivamente antidemocráticas semana após semana. O seu provável futuro ministro dos Transportes, o general Oswaldo Ferreira, afirmou essa semana: “No meu tempo (ditadura militar), não tinha Ministério Público e Ibama para encher o saco” — este homem é considerado uma das cabeças pensantes da candidatura Bolsonaro nas áreas de infraestrutura e meio ambiente. É isso. Eles acham a democracia um saco.

A campanha bolsonarista passou a eleição inteira questionando a lisura da votação e espalhou deliberadamente mentiras sobre as urnas eletrônicas — as mesmas que elegeram ele e seus filhos por várias vezes seguidas e que levaram o PSL a ter a segunda maior bancada da Câmara neste pleito. O candidato da extrema-direita trabalha abertamente com o golpismo. Ninguém no futuro poderá dizer que foi pego de surpresa, já que a tragédia vem sendo anunciada por eles próprios. Assim como Regina Duarte, quem não está com medo é porque não entendeu.

Muitos partidos, políticos e jornalistas insistem em tratar Bolsonaro e Haddad como dois lados da mesma moeda. Trata-se ou de um erro grotesco de avaliação, ou de um tremendo e perigoso cinismo. Me parece que a segunda opção é a mais crível. Entre optar por um candidato com histórico em defesa da democracia e um com perfil autoritário e histórico em defesa da ditadura militar, há lideranças políticas que preferem lavar as mãos e permanecer neutros. A maioria dos partidos declarou que não irá apoiar ninguém. Marina da Silva e a Rede permaneceram neutros, mas pelo menos recomendaram não votar em Bolsonaro. Já os liberais do Novo, como já era de se esperar, montaram o cavalo do autoritarismo com o cinismo peculiar do partido. Optaram pela neutralidade, mas afirmaram ser “absolutamente contrário ao PT” — uma neutralidade antipetista.

Enquanto a barbárie bate à porta com casos de violência por parte dos seguidores de Bolsonaro pipocando pelas ruas do país, importantes democratas como Ciro Gomes e FHC decidiram passar uns dias na Europa. O primeiro irá apoiar Haddad, mas até aqui o apoio foi bastante tímido. O segundo fez juz à sua biografia e covardemente se declarou neutro. O ex-presidente viajará para o exterior nos próximos dias e só voltará para votar no segundo turno.

EM AGOSTO, a Fundação FHC recebeu para uma palestra o cientista político Steven Levitsky da Universidade de Harvard. Ele é um dos autores do livro “Como as democracias morrem”. Durante a palestra, ao lado do anfitrião FHC, Levitsky propôs um teste com quatro questões para identificar se um candidato tem tendências autoritárias: “Rejeita, em palavras ou atos, regras fundamentais da democracia? Põe em dúvida a legitimidade de seus oponentes? Tolera ou incentiva a violência política? Admite ou propõe restringir liberdades civis?”

Não é necessário dizer que Levitsky respondeu “sim” para Bolsonaro em todas as perguntas, o que não ocorreu com os demais candidatos. Disse ainda que “se um candidato, em sua vida, carreira política ou durante a campanha, defendeu ideias antidemocráticas, devemos levá-lo a sério e resistir à tentação de apoiá-lo, ainda que, diante de circunstâncias momentâneas, pareça ser uma opção aceitável”. O sociólogo FHC, que acompanhava a palestra ao lado do cientista político, concordou com tudo, mas o político e o cidadão FHC preferiram optar pela covardia da neutralidade, o que, na prática, se torna um apoio ao primeiro colocado nas pesquisas.

Há quem diga que é impossível votar em Haddad por causa da corrupção dos governos petistas. O voto no candidato autoritário seria a única maneira de colocar ordem na casa e evitar a volta da roubalheira do PT. De repente, o homem que arranjou tetas no Estado para quase toda a sua família — e que conseguiu até um emprego fantasma para o irmão na Assembleia Legislativa de São Paulo — virou uma opção para acabar com a corrupção no país. É uma insanidade. Bolsonaro e sua turma são uma tragédia também sob o ponto de vista ético. Basta olhar para os homens que o capitão promete escolher para compor seu ministério. Onyx Lorenzoni, que admitiu ter recebido R$ 200 mil de propina da JBS, já foi anunciado como futuro ministro da Casa Civil. Seu guru econômico, Paulo Guedes, acusado pelo Ministério Público Federal de fraudar negócios com fundos de pensão de estatais, deve estar muito feliz com o foro privilegiado que receberá ao assumir o Ministério da Fazenda. Magno Malta, o vice dos sonhos de Bolsonaro, perdeu a eleição ao Senado e muito provavelmente será escolhido como ministro, como ele próprio já afirmou. Malta já foi indiciado na Máfia dos Sanguessugas, está sendo acusado de gravíssimos abusos na CPI da Pedofilia e gastou meio milhão de reais em gasolina usando dinheiro do eleitor em postos cujo dono é seu aliado político e já foi condenado por roubo. São esses alguns dos quadros notáveis que Bolsonaro escolherá para alçar o Brasil a um novo patamar ético.

Mas não são apenas partidos e lideranças políticas que passam pano para o autoritarismo. Enquanto a imprensa do mundo inteiro trata Bolsonaro como um candidato da extrema-direita, a Folha de São Paulo recomenda aos seus jornalistas que não classifiquem Jair Bolsonaro assim. A revista Fórum teve acesso a um comunicado interno, enviado pelo secretário de redação aos repórteres do jornal, determinando que só podem ser chamados de extrema-direita ou extrema-esquerda “facções que praticam ou pregam a violência como método político”. Bolsonaro insufla o povo a “metralhar a petralhada”, defende a tortura como prática de Estado e acredita que os responsáveis da exposição Queermuseu deveriam ser fuzilados, mas, não, a Folha não acredita que Bolsonaro prega a violência como método político. Talvez a Folha acredite, como o próprio candidato diz, que os discursos carregados de violência sejam apenas “força de expressão”. É evidente que estamos diante de um extremista que apresenta soluções simplórias e autoritárias para quase todos os assuntos. Estamos na beira do abismo, e a Folha está achando que ele nem é tão alto assim.

Nas entrevistas que os candidatos deram para o Jornal Nacional no dia seguinte à votação, parte das perguntas se baseou na ideia de que ambos representam igualmente um risco à democracia. Colunistões da linha de frente da Globo como Merval Pereira, por exemplo, tratam o segundo turno como um embate entre dois lados trágicos de uma mesma moeda. É como se Haddad fosse um candidato que flertasse com a ditadura do proletariado assim como Bolsonaro flerta com a ditadura militar. Dos grandes nomes da Globo, apenas Miriam Leitão colocou os pingos nos is, honrando seu passado de luta contra a ditadura militar: “Muita gente compara os dois, mas eles não são equivalentes. Jair Bolsonaro sempre teve um discurso autoritário. O PT tem grupos que apoiam a Venezuela, mas é um partido que nasceu, cresceu na democracia e sempre jogou o jogo democrático”. Como era de se esperar, o posicionamento da jornalista fez com que ela fosse atacada pelas milícias virtuais que apoiam Bolsonaro.

A democracia, mais uma vez, está à beira do precipício e não falta gente querendo empurrar. Nasceu um líder popular de extrema-direita no país que conquistou o apoio das igrejas evangélicas, do alto empresariado, do mercado financeiro, de parte relevante do judiciário e de setores da mídia. Só mesmo quem vive descolado da realidade ainda não percebeu que Bolsonaro governará no limite da irresponsabilidade democrática e que não hesitará em lançar mão de um golpe militar se considerar necessário. Está bastante claro que Haddad é a única opção possível para a democracia. Diante do quadro terrível que se avizinha, há quem ache razoável se manter neutro. A neutralidade virou o refúgio dos covardes. A história cobrará caro.

Postado em 21/10/2018 às 19:00

19/10/2018

Após denúncias de fábrica de fake news, WhatsApp bloqueou filho de Bolsonaro e mais milhares de usuários

O aplicativo de mensagens de texto WhatsApp baniu nesta sexta-feira (19) mais de 100 mil contas brasileiras que supostamente enviavam pacotes de mensagens consideradas spams.

Entre as contas banidas está a do senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL/RJ). Chamando o banimento de “perseguição”, o filho de Bolsonaro confessa que tinha “milhares de grupos” em sua rede, e em tom autoritário requer uma posição da empresa que administra o aplicativa. “Meu WhatsApp, com milhares de grupos, foi banido do nada, sem nenhuma explicação! Exijo uma resposta oficial da plataforma”.

Nesta sexta-feira, o WhatsApp enviou notificação extra-judicial às agências Quickmobile, Yacows, Croc services e SMS Market para que parem de fazer envio de mensagens em massa contra o PT. A empresa exigiu também que essas agências parem de utilizar números de celulares obtidos pela internet para aumentar o alcance dos grupos na rede social.

A medida foi tomada após reportagem da Folha revelar que um grupo de empresários – entre eles Luciano Hang, dono da Havan – está contratando empresas pagando até R$ 12 milhões para disparar fake news prol da candidatura do capitão da reserva.

Por Alderi Dantas, 19/10/2018 às 21:42

18/10/2018

Empresários bancam campanha de ataques contra Haddad pelo WhatsApp, afirma Folha de S. Paulo

O jornal Folha de S. Paulo denunciou nessa quinta-feira (18) um esquema milionário e ilegal utilizado por empresas apoiadoras de Jair Bolsonaro contra o PT. Segundo apurou a reportagem, essas empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens no WhatsApp contra o Partido dos Trabalhadorese e preparam uma grande operação na semana anterior ao segundo turno.

A prática ilegal – trata-se de doação de campanha por empresas – foi vedada na última reforma eleitoral e não foi declarada à justiça.

Cada contrato para disparar centenas de milhões de mensagem, chegou a custar R$ 12 milhões, afirma a Folha. Entre as empresas que pagaram pelo serviço a favor de Bolsonaro está a Havan, que já havia sido autuada pelo MPT por coagir funcionários a votar pelo candidato do PSL.

Entre as agências prestando esse tipo de serviços estão a Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market. A legislação eleitoral permite o envio de mensagens em massa, desde que seja pago pelo candidato e realizado com a lista de apoiadores do mesmo.

No caso dos serviços contratados contra a candidatura de Haddad do PT, foram usadas bases vendidas por agências de estratégia digital, o que também é ilegal. Muitas vezes, bases de contatos também são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas.

Quando usam bases de terceiros, as agências oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda. Enviam ao cliente relatórios de entrega contendo data, hora e conteúdo disparado. Os preços ficam entre de R$ 0,08 a R$ 0,12 por disparo para a base do candidato e entre R$ 0,30 a R$ 0,40 quando a base é fornecida pela agência.

Na prestação de contas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), consta apenas a empresa AM4 Brasil Inteligência Digital, como tendo recebido R$ 115 mil para mídias digitais.

Ainda segundo a Folha, uma das ferramentas usadas pela campanha de Bolsonaro é a geração de números estrangeiros automaticamente por sites como o TextNow.

Funcionários e voluntários dispõem de dezenas de números assim, que usam para administrar grupos ou participar deles. Com códigos de área de outros países, esses administradores escapam dos filtros de spam e das limitações impostas pelo WhatsApp —o máximo de 256 participantes em cada grupo e o repasse automático de uma mesma mensagem para até 20 pessoas ou grupos.

Os mesmos administradores também usam algoritmos que segmentam os membros dos grupos entre apoiadores, detratores e neutros, e, desta maneira, conseguem customizar de forma mais eficiente o tipo de conteúdo que enviam.

Grande parte do conteúdo não é produzida pela campanha —vem de apoiadores.

Os administradores de grupos bolsonaristas também identificam “influenciadores”: apoiadores muito ativos, os quais contatam para que criem mais grupos e façam mais ações a favor do candidato.

Diogo Rais, professor de direito eleitoral da Universidade Mackenzie, diz que a compra de serviços de disparo de WhatsApp por empresas para favorecer um candidato configura doação não declarada de campanha, o que é vedado.

Por Alderi Dantas, 18/10/2018 às 12:35

17/10/2018

Brasil pode decretar nesta eleição o fim da democracia, diz professor de Harvard

O professor de Ciência Política da conceituada Universidade Harvard, Steven Levitsky, disse, em entrevista à BBC News, que o país pode se tornar violento caso Bolsonaro venha a ser eleito, e que ele pode usar este fato para acabar com a democracia e suspender a Constituição.

Autor do best-seller Como as Democracias Morrem, Steven diz que o candidato do PSL pode eliminar direitos civis básicos, especialmente das minorias, dos pobres, dos trabalhadores rurais e ainda aparelhar do Estado e do Judiciário para perseguir pessoas politicamente.

"O Brasil tem um problema grande de violência e de crime organizado, com facções como o PCC e o Comando Vermelho. Se Bolsonaro lançar uma guerra contra essas organizações, o Brasil se tornará muito violento rapidamente. Ele pode usar isso como desculpa para acabar com a democracia e suspender a Constituição. É muito improvável que ele faça isso no dia seguinte à sua posse, mas as chances aumentam se ele estiver enfrentando uma crise", disse o professor.

Por Alderi Dantas, 17/10/2018 às 20:36 - Com informações do site Brasil 247

16/10/2018

'As pessoas não sabem que votam contra si ao votarem em Bolsonaro'

Por André Barrocal - Carta Capital

A ascensão social dos mais pobres é cada vez mais difícil no mundo. A distância deles para os ricos aumenta desde a crise financeira global de 2008, conforme uma pesquisa de junho da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Por razões históricas, no Brasil é pior. No quesito ascensão social, o País é o penúltimo em um ranking de 30 nações elaborado pela OCDE.

Em caso de vitória do candidato da extrema-direita à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), o quadro vai se agravar, na avaliação do presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Wellington Leonardo da Silva. “As medidas propostas pelo Bolsonaro e o (ministro da Fazenda dele) Paulo Guedes (foto) pioram uma situação que já tinha ficado ruim com a reforma trabalhista do governo Temer”, diz. “Acabará a perspectiva de uma vida melhor, as pessoas vão trabalhar só para sobreviver. Será a semi-escravidão.”

A reforma trabalhista do presidente Michel Temer barateou os trabalhadores, ao permitir aos empresários burlar a CLT dentro da lei.

Um empregado pode ser contratado, por exemplo, em regime de trabalho intermitente. Fica à disposição do patrão, mas só recebe pelo tempo efetivamente trabalhado. Assim, embolsa menos de 13o e tem de recolher, do próprio bolso, para o INSS, caso queira se aposentar.

A dupla Bolsonaro-Guedes tem planos de aprofundar a reforma. No programa de governo bolsonarista registrado na Justiça Eleitoral, há a proposta de criação de uma carteira de trabalho “verde-amarela”. Nela, a pessoa talvez seja contratada sem direitos convencionais, como o 13o.

Embora o 13o não seja citado explicitamente no programa, pode-se presumir que o direito estará ameaçado devido a declarações da equipe de Bolsonaro. O vice na chapa, general Antonio Hamilton Mourão, diz e repete que o 13o é uma “mochila nas costas de todo empresário”.

Guedes acha que direitos trabalhistas são na verdade “encargos”, “armas de destruição em massa” de empregos. Em um evento em maio na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o próprio Bolsonaro disse coisa parecida . Para ele, as leis daqui deveriam “beirar a informalidade”.

“O mundo do trabalho está sendo profundamente atacado, e não é só no Brasil”, diz Leonardo da Silva. “Imagine uma pessoa trabalhando sem jornada limitada de horas, sem 13o, sem Previdência Social... Vai ter dinheiro para comer e olhe lá.”

Pagar menos aos trabalhadores pode, à primeira vista, interessar aos empresários. Mas com pouca grana na praça, questiona o economista, como as empresas vão vender e lucrar no Brasil? Compensar com exportações não será fácil, pois o mundo caminha para uma guerra comercial protecionista, vide a briga entre Estados Unidos e China.

Com menos dinheiro no bolso, os mais pobres não terão condições de pagar plano de saúde para si e a família ou escola privada para os filhos. Dependerão sempre do SUS e da rede público de ensino.

São duas áreas que já recebem menos verba federal do que precisam. E que ficarão ainda mais desfalcadas financeiramente nos próximos anos, pois o governo Temer aprovou em 2016 o congelamento de gastos públicos por duas décadas.

O adversário de Bolsonaro na eleição, Fernando Haddad, do PT, promete revogar o congelamento. Paulo Guedes defende mantê-lo. “Tem candidato já dizendo que vai derrubar o teto, nós ao contrário, queremos construir os fundamentos fiscais para o teto ficar de pé”, disse Guedes em uma entrevista em 18 de setembro à rádio Jovem Pan. “Esse teto de gastos é perverso, diz Leonardo da Silva. “As pessoas não sabem que estão votando contra si ao votarem no Bolsonaro.”

O Brasil é um país de pobres. A renda per capita em 2017 foi de 1,2 mil reais, segundo o IBGE. No Nordeste, a região mais pobre, a renda per capita foi de 800 reais, menos de um salário mínimo.

Na eleição deste ano, há 147 milhões de eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Desse total, 45% são pessoas analfabetas, com no máximo o ensino fundamental ou que declaram que apenas sabem ler e escrever, conforme o TSE.

Para Leonardo da Silva, do Cofecon, os eleitores não podem contar com a imprensa para entender o programa do presidenciável da extrema-direita. “A mídia não debate porque isso contrariaria o interesse dos seus anunciantes, que são grandes empresas, grandes bancos. Os bancos têm recorde de lucro no meio da crise, mas ninguém fala disso.”

Com o congelamento de gastos públicos, o governo pode direcionar mais facilmente verba para pagar juros da dívida pública a detentores de títulos públicos no chamado “mercado”. Bancos, fundos de investimentos, rentistas em geral.

No primeiro semestre do ano, o Itaú lucrou 12 bilhões de reais, 3% a mais do que no mesmo período de 2017. O Bradesco, 8 bilhões, 12% a mais. O Santander, 5 bilhões, 56% a mais. São variações superiores ao crescimento da economia no primeiro semestre, de 1,1%, segundo o IBGE.

Bolsonaro esconde seus planos econômicos, ao evitar participar de debates na TV e mandar Paulo Guedes e o general Mourão ficarem quietos. A mídia não aprofunda o assunto. Caberia, então, a Haddad e o PT martelarem o tema. Mas têm sido muito tímidos, na visão de Leonardo da Silva, do Cofecon.

“O Haddad está perdendo a oportunidade de mostrar para as pessoas o que está em jogo na eleição: a relação entre capital (empresários) e trabalho (trabalhadores)”, afirma.

O modelo econômico proposto por Haddad e o PT é estimular o crescimento do PIB a partir de baixo, com dinheiro na mão dos mais pobres. Isso seria feito, por exemplo, com a geração de emprego através da retomada de obras públicas e da isenção de imposto de renda para quem ganha até cerca de 5 mil reais por mês.

Os planos bolsonaristas são opostos. Facilitar os lucros empresariais, na esperança de que esses lucros levem os empresários a investir mais, a contratar mais gente. A mesma lógica levada adiante no governo Michel Temer.

“Acho que o tema econômico não tem sido enfatizado pelo PT por orientação do Lula. Talvez o PT tema que se repita o que aconteceu com a Dilma (Rousseff), que prometeu uma coisa na reeleição e fez outro no início do segundo mandato, frustrou a própria base e aí sofreu o impeachment sem que essa base a tenha defendido. Mas, se for assim, ganhar a eleição para quê?”

Postado em 16/10/2018 às 06:15 

15/10/2018

Deputado do RN protagoniza caso de intolerância política contra jornalista

A jornalista Juliana Celli, que atua como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte usou suas redes sociais para denunciar mais um caso de intolerância política, que vem se espalhando no país.

A servidora relatou que foi alvo de agressões verbais (xingamentos como "mentirosa" e "corrupta") por parte do deputado estadual Getúlio Rêgo (DEM/RN) após ela dizer que não vota no candidato do PSL, Jair Bolsonaro, para a presidência da República. "Ouvi palavras como corrupta, mentirosa, e que eu deveria pedir exoneração do meu cargo (de confiança). Ele estava completamente alterado, falando alto, gesticulando em minha direção", relatou Juliana. 

Após tomar conhecimento do caso, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte (SINDJORN) emitiu nota de repúdio a atitude do deputado (veja nota no final da matéria). 

Casos como este, infelizmente, estão se espalhando diariamente pelo país (AQUI).

RELATO de Juliana Celli 

Como jornalista, talvez esse seja o texto mais difícil que já escrevi. Olhos cheios de lágrimas, coração apertado, dúvidas sobre o que pode acontecer comigo a partir de agora. Mas muita vontade de dar a minha contribuição de viver num mundo melhor, pra mim e pra minha filha. Decidi não me calar. 

Na última quinta-feira (11/10) eu fui vítima da intolerância política que estamos testemunhando no país e que chegou no seu mais grave momento com a chegada do segundo turno das eleições. 

Eu já noticiei tanto sobre esses casos que estão acontecendo. O último, o de uma médica, no serviço público do Rio Grande do Norte, que rasgou uma receita porque ao perguntar em que candidato o paciente votaria, ele afirmou votar no candidato do PT. Fiquei indignada! Mas, jamais pensei passar por isso. Estava enganada! 

Na quinta-feira pela manhã eu estava trabalhando quando um superior fez o sinal usado pelo candidato Bolsonaro, aquele que simula duas armas. Ele me perguntou se eu estava pronta pra fazer o tal gesto. Eu falei que não faria porque não voto nesse candidato, na verdade decidi não votar em nenhum dos dois candidatos postos por não concordar nem com um nem com o outro. Foi aí a minha supresa, o superior, o deputado estadual Getúlio Rêgo, que até então sempre tive uma boa convivência, começou a me insultar. Ouvi palavras como corrupta, mentirosa, e que eu deveria pedir exoneração do meu cargo (de confiança). Ele estava completamente alterado, falando alto, gesticulando em minha direção. Por um momento, pensei em explodir, me contive. Consegui me manter firme e respeitosa, mesmo que muito constrangida, principalmente pelo fato de na hora estar conduzindo convidados para uma reunião de trabalho. Argumentei que o voto é livre, e eu podia votar em quem quisesse ou até mesmo me omitir. Ele continuou esbravejando, na frente deles e de mais alguns servidores, que eu deveria votar em quem meu chefe mandasse. Eu voltei a argumentar que não estávamos mais no tempo de “votos de cabrestos”, algo muito utilizado nos “currais” eleitorais e que meu chefe direto é democrático, jamais iria me obrigar a votar em quem eu não quisesse. 

Ele continuou sem respeitar a minha decisão. Se alterou ainda mais, falando em tom ameaçador. Eu decidi encerrar o assunto entrando na sala para participar da reunião que estava programada. Pedi desculpas aos convidados pelo ocorrido, mantive a calma para terminar aquela demanda, mas depois desabei. Conversei com colegas, ouvi familiares, procurei um advogado. 

Algumas pessoas disseram que seria meu fim eu expor esse assunto, outras me apoiaram, me incentivaram. Passei alguns dias analisando sozinha, pedindo a Deus uma resposta, deixando a “poeira” baixar e a emoção ser controlada para aí sim tomar uma decisão mais acertada. 

Se eu, jornalista, assessora de imprensa, apresentadora de um jornal na rádio, de um programa de TV, não pode falar, quem pode?

As milhares de mulheres e homens que estão passando por isso em seus empregos em todo país ou em outros locais?

Não. Eu digo não à intolerância política!!!

O voto é livre!!! Se você vota num candidato que eu tenho repulsa eu preciso respeitar. Não deixe ninguém lhe dizer que você é menos inteligente ou menos cidadão por isso. Se você quer votar em Haddad, vote livremente.

Se você vota em Bolsonaro, vote livremente. Se quiser votar em branco, nulo, vote livremente.

Em tempos de #elenão e #elesim eu o convido a levantar uma bandeira muito mais importante, a da tolerância. Essa é a minha campanha. #intoleranciaNao 

NOTA DO SINDJORN

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte vem a público repudiar os atos de intolerância e autoritarismo cometidos em todo o País, à medida que se aproxima o dia da votação do segundo turno da campanha eleitoral à Presidência. Práticas totalitárias, violentas e preconceituosas, têm manchado a história da nossa democracia e colocado a vida de muitos em risco, inclusive dos colegas que fazem a imprensa norte-riograndense.

Repudiamos veementemente atos como o praticado pelo deputado estadual Getúlio Rêgo contra a colega jornalista Juliana Celli, no interior da Assembleia Legislativa, durante o expediente de trabalho. Tais atos foram relatados por ela em suas redes sociais nesta segunda-feira (15). Por anunciar um voto contrário ao do deputado, numa conversa corriqueira, a jornalista teve seu direito à livre opinião abafado pelo discurso autoritário do parlamentar, que passou a agredí-la verbalmente, na presença de diversas pessoas, numa clara prática de assédio moral e constrangimento profissional.

Num processo democrático, atitudes como a do parlamentar colocam em risco direitos constitucionalmente garantidos como a liberdade de opinião e de expressão, e revela o perigo que nos cerca.

O Sindjorn estará sempre na trincheira da democracia, base de nascimento de todas as conquistas sociais que temos hoje. Nos solidarizamos com a colega Juliana Celli, colocando os setores do Sindjorn à disposição para o acompanhamento do caso.

Por Alderi Dantas, 15/10/2018 às 19:40

14/10/2018

A democracia diante do abismo

Por Leonardo Boff - Teólogo, filosofo e escritor

Há momentos na vida em que temos que escolher de que lado politicamente nos colocamos.
Ou do lado da democracia que respeita as liberdades, permite a manifestação dos cidadãos e se entende dentro de um Estado democrático de direito.

Ou do lado de quem a nega, exalta a ditadura militar de 1964, magnifica seus torturadores, que, segundo ele, nem deviam torturar, mas simplesmente fuzilar, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que abomina e prega a repressão aos homoafetivos, que desmoraliza os quilombolas que, segudo ele, nem servem para reproduzir, que despreza os indígenas,que patrocina uma arma na mão de cada brasileiro e que publicamente humilha a própria filha, fruto de uma “fraquejada” e seria incapaz de amar um filho homoafetivo.

Esse, um ex-capitão aposentado, sem qualquer experiência de administração pública que confessa que nada entende de economia, de saúde e de educação, pois para isso existem os respectivos ministros….Nem se dá conta de que é missão do Presidente definir as políticas públicas, mostrar um rumo para a nação e entregar as execuções a ministros competentes.

Tal candidato majortiário nas eleições do primeiro turno e no segundo igualmente mostrando larga vantagem sobre seu concorrente, mostra claro viés nazifascista, seja na linguagem, seja nos gestos, seja na brutalidade de suas expressões.

É uma vergonha para o país a inconsciência da maioria dos partidos que não vencendo nas eleições, o apoiam explicitamente ou deixaram seus seguidores livres para escolher o canditado. Pensam na parte que é o partido e não no todo que é o Brasil.

Essa neutralidade, neste momento histórico de grande risco para a democracia, se revela irresponsável. O ressentimento e o ódio que tomou conta de boa parte da sociedade, são os piores conselheiros para a convivência de uma sociedade minimamente civilizada.

Não vale culpar o povo, dizendo que é ignorante mas que, afinal, foi sua opção. A ignorância e falta de consciência é fruto da vontade das velhas oligarquias e do capitalismo selvagem que grassa entre nós. Sempre quiseram um povo ignorante e sem consciência de seus direitos, para melhor manipulá-lo e garantir seus privilégios. Não temem um pobre mas têm pavor de um pobre conscientizado de sua cidadania e que reclama seus direitos.

Estes, como mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues, estudando as relações entre as oligarquias e o povo, sempre conspiraram contra ele, o humilharam e lhe negaram direitos e jamais tiveram um projeto político para ele.

O ex-capitão de caris fascista se alinha nesta tradição. Chegou até a copiar o lema de Hitler, “Deutschland über alles” traduzindo, “Brasil acima de tudo”. Em seu estilo rude, fora da civilidade democrática, promete combater a violência reinante com mais violência ainda, sem se dar conta de que as vítimas primeiras serão os pobres, os negros e negras, os que têm outra opção sexual. Só na perspectiva de sua vitória, seus seguidores estão antecipando a violência, chegando até a assassinar um famoso mestre de capoeira na Bahia e marcar uma suástica, com faca, na perna de uma jovem mulher no Rio Grande do Sul.

No momento atual, conta mais uma frente ampla do que os partidos, em defesa da democracia ameaçada e dos direitos fundamentais negados. Vivemos tempos de urgência. As diferenças devem ser relativizadas face a um perigo que pode ameaçar o destino de nosso país e afetar de forma negativa os países vizinhos, cujas democracias são também de baixa intensidade. O ascenso direitista no mundo, seja na Europa e nos EUA sairia fortalecido e representaria uma regresso a tempos sombrios vividos na Europa sob o tacão de Hitler e de Mussolini.

Hoje sabemos que eles irromperam com um discurso semelhante ao candidato fascistóide: prometendo segurança e repressão a todos os que se lhes opunham, muitos deles assassinados ou enviados às câmaras de extermínio. Raros conseguiram refugiar-se no exílio, como Einstein, Freud, Brecht, Arendt e outros e outras. Não queremos que essa história se repita em nosso país.
Por isso, vale respeitar a liberdade do voto, mas que seja consciente e que meça seu significado para si mesmo, para seus familiares e para o futuro de nosso país.

Não podemos passar aos olhos dos estrangeiros que se preocupam enormemente com as nossas eleições, como uma nação pária que regride a tempos e à políticas malévolas que todos queremos repetir:”Nunca mais”.

Postado em 14/10/2018 às 19:00

12/10/2018

UFRN e IFRN repudiam atos de violência por intolerância política

A Universidade Federal o Rio Grande do Norte (UFRN) e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) lançaram notas oficiais em repúdio aos casos de violência motivados por questões político-partidárias.

Na última semana, segundo denúncias feitas em redes sociais, dois casos de agressão foram registrados na UFRN.

A UFRN divulgou que tomará as medidas legais cabíveis para evitar que atos de intolerância aconteçam dentro do ambiente universitário. Por sua vez, o IFRN aponta que o diálogo e a educação são os “caminhos para superar o momento de tensão e construir um país com mais inclusão e democracia”. segue as notas:

A UFRN contra a intolerância e na defesa da Democracia

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vem a público reiterar sua postura de defesa da pluralidade de pensamento e de respeito às liberdades políticas e individuais, ao mesmo tempo em que repudia veementemente todo ato de violência a qualquer cidadão brasileiro. Entende-se que a existência da Universidade, pilar do desenvolvimento científico e tecnológico nacional, depende do exercício da liberdade de opinião, caracterizando-se como um espaço incompatível com qualquer forma de intolerância ou opressão.

A UFRN externa sua preocupação e lamenta profundamente a disseminação de atos de constrangimento e violência física e moral, ocorridos em todo o país por motivação político-eleitoral, inclusive os que atingem membros da sua comunidade universitária.

Caminho para construir um país justo, inclusivo e democrático, a UFRN, como instituição federal de ensino superior pública, gratuita, autônoma e de qualidade, adotará todas as medidas legais cabíveis para coibir que atos de violência se repitam no âmbito da Instituição, da mesma forma em que manterá sua postura incondicional de defesa da Democracia e contra todo tipo de preconceito e discriminação em nosso país.

Reitora Ângela Maria Paiva Cruz

Vice-Reitor José Daniel Diniz Melo


Nota do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN)

O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), diante de casos de agressão sofridos por cidadãos de todo país, inclusive da Instituição, devido ao momento político-eleitoral, torna público seu posicionamento de defesa às diferenças e direitos de expressão garantidos pela democracia.

Os casos de intolerância também foram citados em nota pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a qual o IFRN se solidariza e se une como instituição de ensino pública, autônoma e de qualidade referenciada socialmente. Desse modo, lamenta os casos de violência física e moral sofridos por qualquer cidadão e aponta o diálogo e a educação como caminhos para superar o momento de tensão e construir um país com mais inclusão e democracia.

O posicionamento toma como base um dos principais norteadores das ações do Instituto, a sua função social, a qual enfatiza o compromisso com a formação humana integral, o exercício da cidadania e a produção e a socialização do conhecimento, “visando, sobretudo, à transformação da realidade na perspectiva da igualdade e da justiça sociais”.

Reiotr Wyllys Farkatt Tabosa

Por Alderi Dantas, 12/10/2018 às  18:46 

11/10/2018

Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques violentos em todo o país

Uma jornalista esfaqueada e ameaçada de estupro. Um carro jogado em cima de um jovem com camiseta do Lula que conversava em frente ao bar com os amigos. Uma jovem presa e agredida, jogada nua em uma cela da delegacia. Outro jovem recebe um adesivo colado à força nas suas costas, com um tapa, e depois recebe uma rasteira para cair no chão.

Todos esses ataques violentos aconteceram desde o dia 30 de setembro, em meio ao acirramento da violência eleitoral. Um levantamento inédito realizado pela Pública em parceria com a Open Knowledge Brasil revela que houve pelo menos 70 ataques nos últimos 10 dias no país.

A grande maioria dessas agressões foi feita por apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato do PSL que está à frente nas pesquisas eleitorais. Isso mostra que as declarações de Bolsonaro que incitam a violência contra mulheres, LGBTs, negros e índios e a violência policial estão ecoando país afora e se transformaram em agressões físicas e verbais nestas eleições.

Por outro lado, seus eleitores ou pessoas relacionadas receberam 6 ataques. Em um deles está o caso de um professor da Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) que foi preso no dia 5 de outubro por atropelar comerciantes que vendiam camisetas do presidenciável do PSL. A Universidade nega. Existem ainda situações em que não é clara a afiliação política do agressor.

O levantamento inédito mostra como as situações de violência se espalham pelo país inteiro e não podem mais ser vistas isoladamente.

Por Alderi Dantas, 11/10/2018 às  20:43 - Com informações da Pública Agência de Notícias

10/10/2018

TSE lança página para combater notícias falsas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lança nesta quinta-feira (11) uma página na internet para ajudar a esclarecer o eleitorado brasileiro acerca das informações falsas e falaciosas que vêm sendo disseminadas pelas redes sociais. No entendimento da Justiça Eleitoral, a divulgação de informações corretas, apuradas com rigor e seriedade, é a melhor maneira de enfrentar e combater a desinformação.

Pelo link Esclarecimentos sobre informações falsas, qualquer pessoa poderá ter acesso a informações que desconstroem boatos ou veiculações que buscam confundir os eleitores brasileiros. Diante das inúmeras afirmações que tentam macular a higidez do processo eleitoral nacional, nessa página o TSE apresenta links para esclarecimentos oriundos de agências de checagem de conteúdo, alertando para os riscos da desinformação e clamando pelo compartilhamento consciente e responsável de mensagens nas redes sociais.

Vale referir que o Tribunal Superior Eleitoral tem encaminhado todos os relatos de irregularidades que chegam ao seu conhecimento para verificação por parte dos órgãos de investigação, especialmente Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal. A finalidade é garantir a verificação de eventuais ilícitos e a responsabilização de quem difunde conteúdo inverídico.

Por Alderi Dantas, 10/10/2018 às 20:55

09/10/2018

Se você está preocupado com a crise, deveria se preocupar com o plano econômico de Jair Bolsonaro

Por Alexandre Andrada, do The Intercept Brasil

Ler o programa de governo de Jair Bolsonaro, intitulado O Caminho da Prosperidade, é aventurar-se pela cabeça do candidato e de sua equipe. E esse é o lado ruim.

Assusta que um candidato apresente um projeto tão pífio para uma campanha presidencial. Assusta que esse candidato seja o atual líder nas pesquisas de opinião. Bolsonaro é uma ameaça não só para nossa democracia, mas também para nosso desenvolvimento econômico e para os nossos frágeis avanços sociais. (...) Causa surpresa que o “mercado” brasileiro, após o fracasso da candidatura de Alckmin (PSDB) e Meirelles (MDB), tenha abraçado Bolsonaro como um candidato sério, viável e preferível às demais alternativas. De novo: um governo Bolsonaro implica em um risco grave para nossas instituições políticas e econômicas. Isso fica evidente para qualquer analista que se preste a estudar seus atos, palavras e propostas. Não por acaso, a revista The Economist, que nem o mais tresloucado apoiador de Bolsonaro ousaria classificar como “esquerdista”, “petista” ou “bolivariana”, o classificou como “uma ameaça”, afirmando que ele seria “um presidente desastroso”.

LEIA o conteúdo completo desta reportagem AQUI.

Por Alderi Dantas, 09/10/2018 às 19:13