14/11/2018

RN perde 142 médicos com saída de Cuba do programa Mais Médicos no Brasil

O Rio Grande do Norte perde 142 médicos cubanos que participam do programa social Mais Médicos no Brasil. O Ministério da Saúde de Cuba divulgou, nesta quarta-feira (14), a decisão de não fazer mais parte do projeto porque que as mudanças anunciadas pelo presidente eleito do Brasil  descumprem as garantias acordadas desde o início do projeto, há cinco anos.

De acordo com assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde Pública, ao todo, 282 médicos estão em atividade no RN através do Programa Mais Médicos. Destes, 142 são cubanos e atuam em 67 municípios do RN.

Para sanar a deficiência de médicos na rede pública com a saída dos cubanos o Estado pretende se articular com o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde para discutir quais estratégias serão criadas para cobrir esses vazios.

Em nota, o Governo de Cuba afirmou que considera que a ideologia do presidente eleito do Brasil em 2018, Jair Bolsonaro, ameaça a integridades dos profissionais cubanos. E também não admite que o gestor questione a preparação dos médicos para condicionar a permanência deles no programa.

Por Alderi Dantas, 14/11/2018 às 19:39 - Foto: Araquém Alcântara

12/11/2018

Nordeste: governadores atuarão em bloco para evitar escanteio de Bolsonaro

A partir de janeiro do ano que vem, os nove Estados da região estarão governados ou pelo PT ou por partidos aliados, como o PSB e o PCdoB, representando a única região totalmente sob o Governo de siglas da oposição ao novo presidente. O cenário distinto ao do restante do país, onde Bolsonaro venceu, causou preocupação entre os políticos locais, que decidiram que a região deve atuar em bloco e não individualmente, para dar maior musculatura às demandas regionais.

O esforço é por fazer chegar até a mesa de Bolsonaro uma pauta priorizando três temas mais urgentes: água, segurança pública e saúde. Em relação à água, tema sensível para a região que viveu nos últimos anos uma seca histórica, a demanda é pela retomada das grandes obras que levam o abastecimento oriundo da transposição do rio São Francisco até os moradores do semiárido. No âmbito da saúde, os mandatários reivindicarão a revisão da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Os governadores pedirão aumento na participação do Governo Federal nos repasses aos hospitais públicos dos Estados. O tema é sensível, já que baterá de frente com a barreira imposta pela PEC do teto de gastos, que limitou o crescimento dos investimentos públicos pelos próximos 20 anos.

A mesma dificuldade pode ser imposta pelas reivindicações na área de segurança pública. Aqui, além dos problemas comuns a todos os Estados, como investimento no aumento do efetivo policial e em sua remuneração, a região Nordeste tem uma questão pontual: a realização de um trabalho de inteligência para desmontar quadrilhas interestaduais especializadas na explosão de caixas eletrônicos. Esse tipo de crime gera um efeito cascata que contribuiu para o aumento dos índices de violência na região. Isso porque, em muitas cidades, há apenas uma agência bancária. Com a explosão dos caixas dessas agências, os clientes precisam se deslocar para as cidades vizinhas para realizar saques e pagamentos. A circulação dessas pessoas com dinheiro pelas estradas torna-se um alvo fácil de assaltos e latrocínio.

Nesta eleição, Fernando Haddad obteve 69% dos votos da região Nordeste no segundo turno. Ainda assim, ele perdeu em três capitais: João Pessoa (PB), Natal (RN) e Maceió (AL), sendo nessa última, onde Bolsonaro obteve o maior percentual de votos, 61%. Embora Haddad tenha levado a maioria dos votos na região —20,3 milhões—, o presidente eleito amealhou 8,8 milhões de eleitores. Durante a campanha, muitas capitais nordestinas promoveram atos pró-Bolsonaro, e esse apoio popular sustenta a teoria de que o novo presidente não deve virar as costas para a região.

Sabendo da importância dos nordestinos para sua eleição, Bolsonaro acenou para a população local algumas vezes durante sua campanha. Para se aproximar de um público que historicamente elege o PT, colocou o chapéu de couro, tradicional ornamento local, e afirmou ser nordestino também, argumentando que o sogro nasceu no Ceará. Em uma TV no Piauí, afirmou que acabaria com o “coitadismo” dos nordestinos. Logo após o primeiro turno, em sua primeira entrevista, fez um agradecimento especial aos eleitores do Nordeste. Na sequência, lançou a proposta de 13º para o Bolsa Família, ideia claramente direcionada aos eleitores da região, que abriga metade dos 14 milhões de beneficiados pelo programa.

Porém, seu plano de Governo registrado no TSE trata pouco da região. Menciona o Nordeste somente quando aborda a área de energia, ao afirmar que é um local com “grande potencial de desenvolver fontes de energia renovável, solar e eólica”.

Por Alderi Dantas, 12/11/2018 às 20:50 - Com informações do El  País (Brasil)

09/11/2018

Juízes do STF já ganham mais que colegas europeus, mesmo sem reajuste

O plenário do Senado aprovou, esta semana, um aumento de 16,3% nos salários dos ministros do STF. Com o aumento, os salários dos ministros passarão dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil.

O aumento foi pedido pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiram incluir no Orçamento de 2019 uma autorização para o reajuste salarial em 2019. Em agosto, o presidente Michel Temer fechou um acordo com os ministros em troca do fim do auxílio-moradia.

Os salários do STF servem de parâmetro para os demais cargos do Judiciário. Por isto, o aumento custará ao menos R$ 1,7 bilhão para a União no ano que vem, segundo uma nota técnica divulgada na quarta-feira (7) pela Consultoria de Orçamento do Senado. Nos Estados, o impacto deve ser ainda maior.

O ministro Ricardo Lewandowski, autor de um dos votos favoráveis à medida, chegou a dizer que o reajuste era “modestíssimo”.

Se comparados com os vencimentos de juízes em outros países, porém, os contracheques do Judiciário brasileiro estão longe de ser modestos.

Um estudo de 2016 da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej, na sigla em francês) mostra que, em 2014, um juiz da Suprema Corte dos países do bloco ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, a realidade do salário do STF é ainda mais distante da média da população: o salário-base de R$ 33,7 mil do Supremo Tribunal Federal corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador do país (que era de R$ 2.154 no fim de 2017).

Em 2014, um magistrado da Suprema Corte de um país da União Europeia recebia, em média, 65,7 mil euros por ano. Ao câmbio de hoje, o valor equivaleria a cerca de R$ 287 mil – ou R$ 23,9 mil mensais.

Segundo a última edição do relatório Justiça em Números, produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil tem hoje cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros). Eles custam cada um, em média, R$ 47,7 mil por mês – incluindo salários, benefícios e auxílios.

Por Alderi Dantas, 09/11/2018 às 22:09 - Com informações do portal Terra

08/11/2018

Servidores dão abraço simbólico no prédio do Ministério do Trabalho

Servidores do Ministério do Trabalho fizeram nesta quinta-feira (8) um abraço simbólico ao redor do edifício principal na Esplanada dos Ministérios. Foi uma reação coletiva ao anúncio do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de extinguir a pasta e desmembrá-la em pelo menos três áreas – Educação, Economia e uma terceira a ser definida.

O setor de Recursos Humanos do Ministério do Trabalho informou que cerca de 600 funcionários participaram do abraço coletivo no esforço de mostrar para a sociedade a relevância da pasta.

O auditor fiscal do trabalho Antônio Alves Mendonça Júnior, funcionário do Ministério do Trabalho, ressaltou que a pasta tem funções específicas e que extingui-la pode levar a um desequilíbrio nas atividades desempenhadas hoje.

“O ministério é a casa da fiscalização do trabalho, instrumento pelo qual se combate o trabalho infantil e se garante a saúde e a segurança do trabalhador. O órgão é essencial para equilibrar essa balança, que é desequilibrada por natureza. O Ministério do Trabalho é fundamental para garantir os direitos dos trabalhadores.”

Por Alderi Dantas, 08/11/2018 às 19:37 - Com informações da Agência Brasil

07/11/2018

Senado aprova reajuste dos subsídios para o STF e o MPF

Após articulação anunciada como "operação relâmpago" do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), o plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (7) projetos de lei que concedem aumento aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao procurador-geral da República. O reajuste altera o subsídio dos 11 integrantes do STF e da atual chefe do Ministério Público Federal, Raquel Dodge, de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil e provoca um efeito cascata sobre os funcionários do Judiciário, abrindo caminho também para um possível aumento dos vencimentos dos parlamentares e do presidente da República.

Os dois projetos de lei que previam os aumentos já haviam sido aprovados na Câmara dos Deputados e agora seguem para a sanção presidencial.

Relator do projeto na CAE que havia emitido um parecer contrário ao texto, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) disse que a matéria viola a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição, já que não há dotação orçamentária suficiente para o aumento.

Reajuste nas contas do RN serão de R$ 25 milhões

Com a aprovação de aumento para ministros do Supremo Tribunal Federal haverá “efeito cascata” no Judiciário do Rio Grande do Norte, uma vez que salários de desembargadores, juízes, procuradores e promotores de Justiça serão reajustados na mesma proporção. As estimativas preliminares indicam que isso implicará gastos adicionais de R$ 25,8 milhões por ano no Rio Grande do Norte.

Caso o aumento seja sancionado, os desembargadores do Rio Grande do Norte – por exemplo – terão o salário-base saltando de R$ 30,4 mil para R$ 35,4 mil.

Implicação

Projeções de gastos adicionais Tribunal de Justiça do RN


Sem o reajuste, o TJ gasta com salário-base de magistrados, por mês, R$ 6.981.916,95. Com o reajuste, o TJ gastará com salário-base, por mês, R$ 8.125.554,94

Ministério Público do RN

Sem o reajuste, o MP gasta com salário-base, por mês, R$ 5.819.573,15 Com o reajuste, o MP gasta com salário-base, por mês, R$ 6.772.819,20

Por Alderi Dantas, 07/11/2018 às 21:29

06/11/2018

Governo do RN precisa de R$ 1,2 bilhão para deixar em dia salários dos servidores

O Governo do Estado do Rio Grande do Norte (RN) precisa somar pelo menos R$ 1,2 bilhão para finalizar o ano com todas as obrigações salariais em dia, conforme reportagem da edição desta terça-feira, 06, da Tribuna do Norte.

Segundo levantamento do Fórum de Servidores, em diálogo com o jornal, faltam R$ 140 milhões para regularizar o restante do décimo-terceiro de 2017 e, mais ou menos, o mesmo valor para o restante do salário de outubro de 2018.

Além disso, faltam as folhas de novembro e dezembro, que custam em torno de R$ 450 milhões cada. Falta ainda o décimo terceiro de 2018, cuja parcela de 40% já foi paga apenas para servidores da educação e órgãos da administração que possuem receita própria.

Por Alderi Dantas, 06/11/2018 às 12:35 

05/11/2018

Mineiro vai dialogar para definir prioridades do orçamento estadual para 2019

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) será o relator do projeto de lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019, que marcará o início da gestão da governadora eleita Fátima Bezerra (PT). Ele foi designado para a função pelo presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF), deputado estadual Tomba Farias (PSDB).

Mineiro afirmou que iniciou o trabalho de análise do projeto de lei. Ele disse, ainda, que vai “conversar com os Poderes, Fórum dos Servidores e a equipe de transição do governo eleito” para definir as prioridades do OGE.

De acordo com o calendário aprovado na Comissão de Finanças e Fiscalização, o prazo para os deputados apresentarem emendas ao OGE termina no dia 22/11. O parecer do relator deverá ser entregue até o dia 01/12. A votação na CFF deve ocorrer no dia 05/12. Não há data ainda para votação no plenário da Assembleia Legislativa.

O projeto de lei estima a receita e fixa as despesas dos orçamentos fiscal e de seguridade social em mais de R$ 12 bilhões (R$ 12.017.496.000,00), incorporando-se nesse total o valor previsto para operações de crédito na ordem de R$ 673,621 milhões.

Por Alderi Dantas, 05/11/2018 às 19:51 - Foto: João Gilberto/AL-RN

28/10/2018

Emoções de um domingo eleitoral

Por Mariana Nassif

A gente não sabe o que vai acontecer, e uma dúvida desse tamanho faz tempo que não aparece na vida dessa minha geração, a de pessoas que completaram dezoito anos com o direito de votar. Pensa nisso: tenho quase quarenta anos e por mais que a política tenha sido assunto em casa, muito provavelmente por conta dos meus familiares jornalistas e politizados, não houve nenhuma outro momento onde tenha presenciado o questionamento do direito de escolher quem vai governar. Sério, nem no golpe a sensação foi tão ansiolítica, mesmo que não houvesse dúvida de que começaria ali, naquele acordo com o Supremo, com tudo, uma das sagas mais árduas da vida de cada uma das pessoas deste País.

Porque o golpe não foi político. Ele foi pessoal. Pessoal contra as minorias: os negros, os quilombolas, os indígenas, os pobres. Contra as mulheres, os gays e as pessoas que se abriram para receber toda essa gente que existe e, até pouco tempo atrás, era e se sentia invisível. Você já se sentiu invisível em algum momento da vida, qualquer que seja, mesmo que não tenha comparação com a invisibilidade tratada aqui? Pois é, dói. Então não me vem dizer que o golpe foi uma artimanha política, não: ele cutucou a ferida dessa gente toda e, acredite, tem gente que se importa com cada um deles.

Estas eleições têm sido um marco pra mim. Particularmente retornando à vida real após o nascimento pro Orixá, uma baita viagem dentro de uma religião que é também minoritária, me pego emocionada com os movimentos coletivos que encontrei aqui fora. Minhas primas e grandes amigas engajadas em conversar, em explanar, em informar e, então, para que estes dados chegassem em um maior número de pessoas, se articularam e se transformaram. Sentadas na rua, munidas de propostas e amor, trocaram idéias e enfrentaram a violência que estava sempre ali, em pelo menos alguns olhares dos opositores ainda não armados. É a tradução do e se der medo, vai com medo mesmo.

Observo meu microcosmo, mas acredito que do primeiro turno pra cá todos aprendemos lições importantes, especialmente a de não perder tempo: ouvi de uma fonte relevante que se tivesse mais uma semana, o amor vencia. Sete dias. Acho que aprendemos, especialmente, que política não se faz única e exclusivamente durante as eleições. Que a gente precisa falar sobre proposta, sobre posicionamento, sobre realização efetiva com todo mundo, inclusive entre a gente, porque de repente a gente também se sente votando em bando, só porque aquilo parece ser a melhor opção. E olha só onde isso está nos levando.

Escrevo da noite do sábado, ansiosa, respiração curta e pensamento longe, com medo como há tempos não sentia. Vontade de abraçar pessoas, de enaltecer o quanto são importantes na minha vida, lidando com humor com algumas saudades. " Te vejo na fila da fogueira", é a forma de me despedir pro caso do amor ficar em segundo lugar. Humor. Amor. Que a gente tenha uma noção básica para a segunda-feira após o resultado, seja ele qual for: cuidemos dos nossos. Estejamos próximos, de corpo e alma, e não deixemos de amar.

Postado em 28/10/2018 às 09:00 - Fonte: GGN

27/10/2018

Bolsonaro é o pior que nos pode acontecer

Por Congresso Em Foco

O momento pede coragem, e coragem é coisa que jamais nos faltou.

Este site, no ar há quase 15 anos, jamais se manifestou contra ou a favor de candidatos em nenhuma das sete eleições que acompanhamos nesse período. A razão de ser deste texto é selar este momento, absolutamente inaugural, em que tornamos públicas nossas expressas e assumidas restrições à candidatura de Jair Bolsonaro a presidente da República.

Se fosse aplicado a Bolsonaro o rigor no cumprimento das leis que ele exige contra os seus adversários e se o sistema judicial brasileiro funcionasse com critérios ideais de eficiência e justiça, acreditamos que o capitão estaria hoje na cadeia, por seus atos e por suas palavras.

Bolsonaro já fez, reiteradas vezes, apologia à tortura, ao estupro e à violência. Defendeu o assassinato de oponentes, sempre tratados como desprezíveis inimigos.

Tem longo passivo de declarações que podem sugerir crimes de preconceito e de racismo. Contra mulheres, negros, indígenas, quilombolas, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, pessoas obesas, baianos... a lista é tão longa que este parágrafo será curto para descrevê-la integralmente.

Jair Bolsonaro conquistou visibilidade pública pela primeira vez em 1987, ao liderar movimento para melhorar a remuneração das Forças Armadas. Capitão do Exército então na ativa, foi acusado pela revista Veja de planejar a explosão de bombas em quartéis para protestar contra os baixos soldos. Respondeu a processo disciplinar e foi condenado por um Conselho de Justificação, formado por três coronéis. Posteriormente, o Superior Tribunal Militar (STM) o absolveu.

Político desde 1989, quando se tornou vereador no Rio, está no sétimo mandato de deputado federal. Em Brasília há 27 anos, mudou de partido oito vezes e aprovou individualmente apenas uma lei. Nunca presidiu comissões, nem liderou bancada, ou relatou propostas de destaque.

Um fracasso retumbante como legislador, Bolsonaro saiu-se pior ainda como orador. “Sou a favor, sim, a uma ditadura, a um regime de exceção”, disse em 1999 no plenário da Câmara. "Jamais ia estuprar você porque você não merece", declarou para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2003. "Ele deveria comer capim ali fora para manter as suas origens”, disparou em 2008 contra um indígena. "Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma", sugeriu em 2011.

Ao votar pelo impeachment de Dilma, em abril de 2016, homenageou o militar acusado de torturá-la: "Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Várias vezes Bolsonaro se declarou a favor de torturar presos e tratou Ustra, primeiro militar brasileiro condenado por tortura, como herói. Mais recentemente, disse que o erro da ditadura foi torturar e não matar “uns 30 mil”. Em 2014, numa entrevista ao jornal Zero Hora, havia considerado natural a mulher ganhar menos que o homem: “Sou um liberal. Se eu quero empregar na minha empresa você ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego!”.

Contrariando a fama de quem sempre se apresentou como a mais insuspeita das criaturas a habitar o poluído mar da política nacional, Jair Messias Bolsonaro foi acusado por sua segunda esposa (está casado com a terceira), em ação protocolada em 2007 na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, de ter cometido vários graves ilícitos. Entre eles, possuir patrimônio pessoal muito superior ao informado à Justiça eleitoral; não declarar à Receita a maior parte dos seus rendimentos reais; e de ter furtado um cofre numa agência do Banco do Brasil onde a ex-mulher mantinha valores significativos. Ana Cristina Siqueira Valle o acusaria depois de ameaçá-la de morte, mas posteriormente retirou todas as acusações. “Iria dar um escândalo para ele e para mim. Deixei para lá”, afirmou à revista Veja durante a campanha eleitoral de primeiro turno, na qual ela foi derrotada na tentativa de se eleger deputada federal pelo Rio usando o sobrenome Bolsonaro. Pode ter ficado tudo certo entre ex-marido e ex-mulher, mas os fatos relatados deixam evidente que tanto o capitão quanto a Polícia Civil fluminense – incompetente para investigar e dar seguimento às denúncias – têm muitas contas a acertar com a história.

Deputado, teve uma chance ímpar de demonstrar na prática a dor que alega sentir em relação às vítimas da violência. Foi em 7 de abril de 1999, quando a Câmara aprovou a cassação de Talvane Albuquerque, condenado por encomendar a morte da deputada eleita Ceci Cunha, da qual era suplente. Para herdar a vaga, Talvane mandou matar Ceci, o marido dela e mais duas pessoas da família. Uma chacina, portanto. Bolsonaro foi um dos 29 parlamentares que votaram contra a cassação. "Fico com a minha consciência pesarosa de votar pela cassação desse parlamentar, porque amanhã qualquer um de nós pode estar no lugar dele”, justificou-se.

Impossível negar a Bolsonaro o mérito de ter identificado problemas reais que inquietam a nação, como a violência, a corrupção, os inúmeros erros do PT e a decadência do sistema político. Ele e seus filhos (um deles, Eduardo, eleito por São Paulo o deputado federal mais votado do país; outro, Flávio, senador pelo Rio) também entenderam e souberam explorar com eficiência, para comunicação direta com a população, as revolucionárias ferramentas trazidas pela era digital. Bolsonaro não conquistou à toa o favoritismo com que chega à disputa contra Fernando Haddad neste domingo (28).

Mas, como candidato a presidente, Jair Bolsonaro exibiu o mesmo desapreço de sempre pelas leis, pela democracia e pelos adversários. Vítima de uma facada desferida por um desequilibrado mental, obteve solidariedade de todo o mundo político. Mostrou sua gratidão logo na primeira imagem, registrada quando ainda convalescia no hospital, fazendo o famoso gesto de convocação às armas com o polegar e o indicador. Depois, ainda no hospital, esboçou na cara dura uma tese das mais antidemocráticas. Afirmou que sua eventual derrota eleitoral comprovaria a existência de manipulação das urnas eletrônicas. Ou seja, se ele ganhar, está tudo bem; se perder, é porque foi fraude.

Quis proibir a divulgação dos votos que deu como parlamentar. Um dos mais vexatórios foi o único voto dado por um congressista contra a ampliação dos direitos dos empregados domésticos. O descabido pedido de censura, que revela o desejo de impedir a sociedade de ter acesso a informações de óbvio interesse público, foi negado pela Justiça eleitoral nesta semana. De modo geral, no entanto, o Judiciário demonstrou incapacidade para prevenir e punir as ilegalidades ocorridas nestas eleições. Como atesta a Organização dos Estados Americanos (OEA), a disseminação de mentiras neste pleito é um “fenômeno sem precedentes”. E quem é o seu maior beneficiário? Bolsonaro, e por larga margem, como indica levantamento do Congresso em Foco. Estranhamente, a Justiça pouco tem feito para coibir os abusos de um candidato de perfil notoriamente fascista, ao mesmo tempo em que autoriza a invasão de universidades para reprimir manifestações contra o fascismo.

Faz um bom tempo que identificamos e, de alguma maneira, passamos a acompanhar o crescimento do “mito”. Um exemplo foi o minucioso trabalho de apuração da repórter Ana Pompeu que resultou na reportagem de capa publicada em julho de 2017 pela Revista Congresso em Foco. Em 11 páginas, reconstituímos ali a trajetória de um “mito de pés de barro”.

Reafirmamos os valores democráticos deste veículo, contra a ameaça do bolsonarismo na entrega do Prêmio Congresso em Foco 2017, com o brado de “ditadura nunca mais”:

Lamentamos não ter sido capazes de mostrar para muitos dos nossos leitores os riscos representados por um eventual, e provável, governo Jair Bolsonaro. Vários desses leitores, temos consciência disso, contribuíram para engrossar a onda em favor do deputado capitão. Lógico que respeitamos as escolhas deles e de todos que divergem das ideias aqui apresentadas com franqueza. Sabemos que muitas pessoas sérias e de bem têm pleno conhecimento dos defeitos do candidato do PSL, mas estão sinceramente convencidas de que ele é a alternativa possível para evitar o “mal maior” – na visão delas, a vitória de Haddad (foto ao lado - Haddad em Salvador). Nunca ignoramos as mazelas das gestões petistas, que o Congresso em Foco sempre registrou, frequentemente à frente de outros veículos.

Com todos os seus problemas, contudo, o PT jamais trouxe ameaça real à democracia. Esta a questão central: impossível fazer jornalismo de verdade sem democracia, algo que Bolsonaro e vários de seus seguidores mais exaltados não cansam de afrontar. Com Bolsonaro, perdemos o jornalismo e a democracia. Falhamos, pela incapacidade de criar antídotos contra quem usou dos nossos mecanismos democráticos para conquistar a força que pode levar agora à destruição desses mesmos mecanismos.

Ganhe Bolsonaro ou Haddad, estaremos no mesmo lugar: empenhados, no limite das nossas possibilidades, em fazer jornalismo sério, crítico e plural. Um jornalismo voltado para a busca de informações confiáveis e sempre comprometido com valores democráticos. Por isso, ainda que tenhamos tardado a publicar este editorial, não podemos ver o país à beira de embarcar na escuridão autoritária sem gritar, com clareza, nossa voz: #EleNão.

Postado em 27/10/2018 às 21:29

26/10/2018

O capitão fugiu do combate

Por Bernardo  Mello FrancoColunista de política do GLOBO

Hoje à noite, o eleitor teria a última chance de comparar os candidatos à Presidência. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad deveriam se enfrentar ao vivo na TV Globo. O duelo começaria às 22h, mas foi cancelado por motivos de fuga. O capitão fugiu do combate. Desertou.

No primeiro turno, Bolsonaro alegou razões médicas para não comparecer a debates. Tudo certo, porque ele sofreu uma facada e passou 23 dias no hospital. Agora que o atestado perdeu a validade, o deputado admite que ficará em casa por “estratégia”. “Quem conversa com poste é bêbado”, debochou, no Twitter.

O capitão acredita que o arrego vai prejudicar seu adversário. Pode ser, mas quem mais perde é o eleitor. A três dias das urnas, e o favorito para assumir o governo continua a esconder suas ideias. Nem seus aliados sabem dizer ao certo o que ele vai fazer se chegar lá.

Bolsonaro costuma se esquivar de perguntas objetivas com chavões que já viraram piada, como “Tem que mudar isso aí” e “Não dá pra continuar desse jeito”. A fórmula funciona na propaganda e nos comícios de Facebook. Quando ele pode ser contestado, é outra história.

Nas duas vezes em que aceitou debater, ainda no primeiro turno, o capitão teve desempenho abaixo da média. Na Band, ele pareceu sonolento, como se estivesse dopado. Na RedeTV!, levou um sermão desconcertante de Marina Silva, que o acusou de discriminar as mulheres e deseducar as crianças ao fazer apologia das armas.

A atitude de Bolsonaro produziu uma situação inédita. Desde 1989, o Brasil nunca havia atravessado um segundo turno sem debate presidencial. Collor, Lula, Serra, Alckmin, Dilma e Aécio aceitaram o contraditório e enfrentaram seus oponentes. Ele, não.

A recusa é um desrespeito ao eleitor, que tem o direito de saber o que pensam os candidatos. Também serve como um sinal de que, se eleito presidente, ele continuará a se esconder do escrutínio da imprensa.

Na campanha, Bolsonaro já exibiu desprezo pelo jornalismo profissional. Fez vista grossa aos seguidores que ofendem repórteres e ameaçou usar verba pública para retaliar veículos que o criticam. O que mais ele fará se chegar ao Planalto?

Postado em 26/10/2018 às 20:02 - Fonte O GLOBO

Chefe do Jornal da Record pede demissão e declara voto em Fernando Haddad

Em meio a informações de que a Rede Record tem pressionado seus jornalistas a fazerem reportagens positivas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), apoiado pelo bispo Edir Macedo, dono da emissora, a jornalista Luciana Barcellos pediu demissão de seu cargo de chefe de redação do Jornal da Record essa semana e, nesta sexta-feira 26, declarou seu voto em Fernando Haddad em uma postagem nas redes sociais.

No texto, ela não esclarece o motivo da saída, mas afirma que Haddad não foi sua opção no primeiro turno e que votar no candidato neste domingo "não é assinar cheque em branco para o PT, não é isentar o PT da responsabilidade de não ter feito a autocrítica. É defender o nosso direito de seguir em frente. E pra nós, jornalistas, votar no Haddad é também defender o direito de exercer livremente a profissão".

"Ninguém é racista ou homofóbico só da boca pra fora. Ninguém defende tortura só porque é "meio doido". Não existe fascismo "light"", critica ainda Luciana. Em outro post, do dia 20 de outubro, ela fala sobre o pedido de demissão, agradecendo aos colegas de trabalho. "A decisão de pedir desligamento não foi das mais fáceis. Mas a vida às vezes exige que a gente assuma riscos", escreve.

Nessa mesma data, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo denunciou pressões abusivas que os jornalistas da Record vêm sofrendo para privilegiar a candidatura de Bolsonaro. A entidade diz ter recebido "denúncias de vários jornalistas da Rede Record – televisão, rádio e portal de notícias R7" e "torna público, como exige seu dever de representação da categoria, o inconformismo desses profissionais com as pressões inaceitáveis e descabidas em uma empresa de comunicação".

Por Alderi Dantas, 26/10/2018 às 19:53

Ministério Público abre investigação contra economista de Bolsonaro

O Ministério Público Federal (MPF) abriu nesta quinta-feira (25), a quatro dias da eleição, uma investigação contra o economista do candidato Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes. A suspeita é que ele tenha obtido “benefícios econômicos” a partir de possíveis “crimes de gestão temerária ou fraudulenta” de investimentos derivados de fundos de pensão.

O MPF vai investigar se o economista aplicou dinheiro capitado por fundos de pensão de maneira irregular, deixando prejuízos milionários aos aposentados das estatais. As operações são relacionadas a cinco fundos de estatais que tiveram prejuízos após aplicarem dinheiro nos negócios geridos por Guedes, entre eles a Funcef, dos servidores da Caixa Econômica Federal, a Petros, dos servidores da Petrobrás e a Previ, dos servidores do Banco do Brasil.

Segundo a suspeita, a empresa de Guedes, que faz gestão de investimentos, teria cobrado comissões consideradas “abusivas”. Os procuradores consideram sem “qualquer sentido” a base de cálculo para definir a comissão, que renderam à empresa faturamento de R$ 152,9 milhões entre 2009 e 2014.

Essa não é a primeira investigação aberta contra o economista. O Ministério Público já investiga suspeitas de gestão temerária ou fraudulenta no BR Educacional, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) gerido por uma empresa de Guedes que captou recursos dos fundos estatais para investir no setor privado de educação.

Por Alderi Dantas, 26/10/2018 às 12:49

STF tenta intimar filho de Bolsonaro há 23 dias por ameaçar mulher

O Supremo tenta há 23 dias intimar o deputado federal reeleito do PSL, Eduardo Bolsonaro (foto: camisa vermelha)), filho do presidenciável Bolsonaro.

Um oficial de Justiça tem ido diariamente ao gabinete dele em Brasília, mas não consegue localizá-lo.

O deputado foi denunciado em abril pela Procuradoria-Geral da República por ameaçar uma jornalista com quem teria tido um relacionamento. Ele enviou várias mensagens pelo aplicativo Telegram à moça dizendo que ela “se arrependeria de ter nascido” e ele iria “acabar com a vida dela”. O relator no STF é Roberto Barroso.

Em abril, o deputado divulgou vídeo de 8 minutos desqualificando a jornalista, acusou-a de ser mitomaníaca e de inventar histórias envolvendo outras pessoas. O jornal O Estado de São Paulo, tentou contatar Eduardo Bolsonaro mas não recebeu retorno.

Segundo o Supremo, a chefe de gabinete de Eduardo disse que ele atenderia o oficial de justiça depois de 22 de outubro, mas até agora nada.

Eduardo Bolsonaro foi reeleito deputado federal, mas entrou no foco ao dizer que “basta um soldado e um cabo para fechar o STF”.

Por Alderi Dantas, 26/10/2018 às 12:37

Após queda nas pesquisas, Bolsonaro arregaça com aliados

Uma piora para Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas fez com que o candidato mudasse a estratégia. O candidato decidiu aparecer mais e cobrar foco de aliados que estão envolvidos em campanhas estaduais.

A decisão foi tomada depois que levantamento feito pelo Ibope, de terça-feira (23), mostrou que o candidato oscilou 2% para baixo em relação ao levantamento anterior, do dia 15.

Houve também piora na rejeição, que subiu 5% indo para 40%, enquanto Fernando Haddad (PT) teve melhora no indicador, diminuindo 6% na rejeição.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (25) também mostrou uma piora no desempenho de Bolsonaro, com perda de 3% dos votos válidos na comparação com o levantamento anterior do instituto. Já Haddad subiu 3% da pesquisa anterior.

Até a semana passada, a cúpula do PSL trabalhava com a ideia de 'jogar parado'. Falar o mínimo possível já que o que cenário estava favorável. Em visita à Superintendência da Polícia Federal no Rio, na semana passada, Bolsonaro chegou a falar que estava "com a mão na faixa".

Essa piora, na visão de aliados do candidato Bolsonaro, pode ter ocorrido pela denúncia de que empresas estariam pagando por pacotes de distribuição de conteúdo, via WhatsApp, para difamar o Partido dos Trabalhadores, em favor de Bolsonaro.

Pesou também negativamente o fato de ter circulado um vídeo do filho do presidenciável o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), falando em fechar o STF (Supremo Tribunal Federal).

Isso fez com que Bolsonaro fizesse uma transmissão ao vivo no Facebook, na noite de quarta (24), e arregaçasse pedindo para que seus aliados se concentrassem na eleição nacional, deixando de lado as disputas por governos dos estados. "A questão da neutralidade é justamente porque não está garantida minha eleição no próximo domingo", comentou.

Por Alderi Dantas, 26/10/2018 às 06:21

25/10/2018

Não é o PT, é você, somos nós, amigo!





















Por Alencar Santana - deputado federal eleito pelo PT-SP

Este é um daqueles momentos decisivos da história de um povo!

Você pode não gostar do PT, pode achar que o PT errou mais do que tinha direito de errar. Pode até acreditar que o PT se tornou igual aos outros e promoveu corrupção. Tudo isso dá para compreender. Tudo isso dá para conversar.

O que você não pode é não olhar para os dois candidatos a Presidente como eles são e para o que vão fazer. Este é o momento de abrir bem os olhos e ouvidos. Restam poucas horas e a poluição de mentiras na internet tornou-se uma epidemia.
De um lado, temos o professor Fernando Haddad. Ele está nas ruas. Vai a todos os debates e entrevistas para os quais é convidado. Diz claramente o que vai fazer no governo. Argumenta. Explica. É paciente. Não xinga. Não ameaça. Nunca propagou a violência. Nunca disse que vai matar ninguém. Não censura ninguém.
De outro lado, temos o capitão da reserva Jair Bolsonaro. Ele se refugia em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio. Acha que já ganhou a eleição e não vai a nenhum debate. Recusa o confronto de ideias, e de programas, com Fernando Haddad. Se recusa até mesmo a ser sabatinado por jornalistas. Pior, censura jornalistas. Escolhe uns e proíbe outros de lhe fazer perguntas. Se ele ganhar, você pode imaginar o que ele fará.

Bolsonaro ameaça fuzilar o que chama de “petralhada”. Anuncia que vai aprovar leis enquadrando movimentos perfeitamente legais como terroristas. Diz que vai fazer uma “limpeza” nunca vista no País, varrendo o que chama de “vermelhos”. Cultua a tortura e diz que quem discordar dele ou vai para a cadeia ou vai para o exílio.

Fernando Haddad afirma em seu programa que vai retomar os programas sociais. Reconhece erros do PT, mas diz muito claramente onde vai mexer para que a economia volte a girar e os empregos retornem. Anuncia que os bancos terão de passar por uma grande reforma, para deixarem de cobrar os juros absurdos que você conhece. Propõe, claramente, que os ricos paguem impostos de forma justa e não como é hoje, em que o pobre paga mais do que os endinheirados, os super-ricos.
Jair Bolsonaro não demitiu o candidato a vice de sua chapa, o general Mourão, o qual disse que o seu governo vai acabar com o 13º salário. Não condenou o assassinato do mestre Moa do Katendê, em Salvador. Ignora os vários casos de assassinato a facadas e agressões desferidas por seus seguidores. Esconde o que vai fazer com a previdência social do trabalhador. Nada diz sobre bancos e banqueiros.

Em 1989, o ex-presidente Fernando Collor deu as caras no debate em TV com Lula e mentiu descaradamente, atribuindo a Lula o sequestro da Poupança que ele mesmo acabou fazendo e desgraçando a vida de milhões de brasileiros.

Soberbo com os 46 milhões de votos que teve no primeiro turno, Bolsonaro se esconde e não quer falar uma linha sobre o que virá. Mas seu filho, deputado federal, fala abertamente em fechar o Supremo Tribunal Federal. Generais que o acompanham falam em retomar o desmatamento da Amazônia e abri-la à exploração dos estrangeiros. Seus aliados preparam na surdina o fim da aposentadoria pública.

Ou você escolhe alguém de quem você pode discordar, mas sabe que haverá amanhã, pois ele respeita o próximo e prega a convivência pacífica.
Ou você escolhe alguém que simula respeitar a regra do jogo, mas que você não pode garantir se haverá amanhã, pois ele quer perseguir pessoas e mergulhar o País na dor.

Pense bem. Se você ainda não sabe o que é o fascismo, pesquise quem foi Mussolini, Hitler ou Pinochet. Depois, olhe para os seus filhos e seus netos. 
Você é muito melhor do que Bolsonaro. O Brasil precisa de você. Por isso, vote Haddad13 e mantenha de pé a democracia!
Postado em 25/10/2018 às 21:02

General Mourão diz que, se eleito, quer sala ao lado da de Bolsonaro

Em entrevista a O Globo, o general Hamilton Mourão disse que, em caso de vitória de Jair Bolsonaro, pretende estar dentro do Palácio Planalto, em sala ao lado da do presidente.

Hoje, as salas da Vice-Presidência funcionam num anexo do Planalto, e não nos andares da Presidência.

“Eu me vejo como um assessor qualificado do presidente, um homem próximo ali, junto dele, dentro do Planalto, ali do lado dele, nossas salas serão juntas. Não seremos duas figuras distantes (…). Aquelas reuniões que ocorrem ali, eu estarei presente”, declarou o general.

Mourão, que durante a campanha foi desautorizado mais de uma vez por Bolsonaro em razão de suas declarações, disse esperar que o presidenciável delegue a ele funções de liderança num eventual governo.

Por Alderi Dantas, 25/10/2018 às 20:51

Notícias falsas pelo WhatsApp na eleição brasileira é fenômeno sem precedentes no mundo, diz OEA

A chefe da missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) nas eleições no Brasil, Laura Chinchilla, declarou nesta quinta-feira (25) que o fenômeno das notícias falsas durante a campanha eleitoral brasileira talvez não tenha precedentes em outra democracia.

Chinchila se encontrou em São Paulo na manhã desta quinta-feira com o candidato do PT, Fernando Haddad, que apresentou uma série de denúncias sobre violência política, divulgação de notícias falsas e financiamento ilegal.

Segundo Chinchilla, a OEA tomou nota das acusações, transmitiu-as às autoridades eleitorais e comprometeu-se a dar prosseguimento a elas.

Após o encontro com Haddad, a chefe da missão da OEA afirmou que o Whatsapp é uma rede que apresenta muitas complexidades para as autoridades poderem acessá-la e fazer investigações. "É a primeira vez numa democracia que estamos observando o uso do WhatsApp para disseminar maciçamente de notícias falsas, como no caso do Brasil", disse a ex-presidente da Costa Rica.

Segundo Chinchilla, tal uso requereu "instrumental técnico e jurídico" diferente daquele utilizado na eleição nos EUA, onde as redes sociais usadas para divulgar fake news foram principalmente o Twitter e o Facebook.

O organismo regional manifestou preocupação com a intensificação da disseminação de conteúdo falso no Brasil e assegurou que as autoridades se viram "esmagadas" diante desse fenômeno. "A questão das notícias falsas está pegando de surpresa quase todas as democracias do mundo. Já vimos que muitas vezes as autoridades estão sobrecarregadas pelo fenômeno das fake news porque ele é recente e de dimensões ainda não consideradas", afirmou a chefe da missão da OEA.

Chinchilla afirmou que a OEA não teve a oportunidade de discutir o assunto com o candidato Jair Bolsonaro ou qualquer membro de seu partido, mas expressou a disposição da organização de se encontrar com ele antes da eleição de domingo. Ela disse que também recebeu denúncias do PSL, as quais, segundo ela, foram enviadas às autoridades eleitorais.

Na semana passada, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a disseminação em massa de mensagens falsas contra Haddad e Bolsonaro.

Já o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou uma investigação, a pedido do Partido dos Trabalhadores, para averiguar se empresas financiaram o envio maciço de mensagens falsas para beneficiar a campanha do capitão reformado do Exército.

Por Alderi Dantas, 25/10/2018 às 12:50